14 de abr de 2008

FERNANDA YOUNG


-Aquela mulher antipática e cheia de tatuagens que tem um programa esquisito na TV ?

-É e fechada,porque ela do jeito que é não vai ter um programa nessas TVs que são bregas ou crentes...

-Fernanda Young aquela que tem muitas tatuagens como a Penélope...

-Mas tatoo é uma coisa que ninguém tem igual a ninguém. Nunca um tatuado vai ser igual ao outro! Eles são tão únicos, que querem ter um diferencial a mais do restante da humanidade além das digitais.
Tem gente que fala Fernanda Yông outros Fernanda Yung, eu falo Fernanda Yâng, assim antipaticamente americano.

-Poderia chamar só de Fernanda...

-Mas aí poderia confundir com as Fernandas - a dinha e a dona - Montenegro e Torres.
Fernanda Young aquela que escreve livros.

-Aqueles livros?

Ah, sim essa aí eu conheço e gosto!

-É?

-Tem gente que não gosta...

-Mas também tem gente que não sabe ler.

-Tem gente que não gosta de ler...

-Tem até gente que lê qualquer coisa e não entende, não necessariamente Fernanda Young...

-Tem gente que não sabe, não gosta de ler livros; aqueles que não entendem as palavras.

-Aqueles que leêm mal?

-Que não percebem que algumas das palavras além de substantivar possuem sentidos, aí entra Fernanda

-E há várias classes de palavras...

-Classe? Tem a ver com Fernanda...
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Esse texto acaba de virar um diálogo.Foi escrito no sábado de manhã. No sábado à noite eu assisti o Altas Horas e FY, estava lá. Percebi uma figura muito diferente do que vejo nas fotos. Achei uma presença desperdiçada. Fizeramlhe uma única pergunta a que incialmente foi destinada ao Caio Blat (meu fofo), como ele negou que conhecesse o assunto e que a reportagem citada pelo fã poderia ter uma origem duvidosa, uma menina fez a pergunta pra ela que respondeu "direitinho"

Ah, o Olodum também aproveitou a presença e foi tocar tambor lá pertinho dela que exercitou toda a sua "bainidade nagô", pura africanidade.

Penso, se a Clarisse Lispector fosse uma figura viva hoje, haveria quem olhasse a sua foto e dissesse não gosto?
Se ela (A Lispector), fosse atualmente jovem e tivesse um programa de TV, as pessoas diriam não gosto dela e mesmo sem ler seus livros, continuariam sem gostar?

Impossível dizer. Questões filosóficas que por mais que sejam respondidas, jamais seriam taxativas. Puro território do "se".

Penso que mesmo os críticos devem por em suas resenhas grande parte da sua admiração e gosto pessoal. Espera-se que críticos entendam do que se propõem avaliar, mas um escritor um artista executa sua arte para todos, até para aqueles que não entendem lhufas de arte, são esses que não entendem os que consagram uma figura pública. E aí?

Onde a arte deixa de ser "pessoal" para tornar-se pública? Há autores que têm o poder de levar a identificação a um grupo grande de pessoas, tornam-se sucesso e viram populares... Há autores com obras maravilhosas e não passam daquelas edições de 100 exemplares contratado apela internet ou que ficam forever presos nos blogs anônimos de nomes pitorescos e ou exóticos. Van Goghs modernos...

No sábado, em meio à insônia pensei o quanto a FY deve ser desconhecida, para ter sido alvo de tão poucas perguntas. Os jovens presentes no programa devem ter conhecido e gostado de "Os Normais", talvez eu substime a juventude mas não acredito que um número expressivo deles tenham lido livros dela e quantos devem assistir o "Irritando"?
No entanto se você lê um livro de FY acaba se identificando numa frase aqui outra ali, num parágrafo e outro. Mas se você tem talento para inusitado e gosto pelo diferente e uma puta vontade de ser diferente vai se achar descrito nos livros dela.

Eu comecei a gostar de FY pela foto.Gosto de tatoos. Gosto de irreverências e gosto de quem fazendo tipo ou não fala o que pensa. Depois li um livro que confirmou a minha aprovação.

Sábado eu vi uma figura mais senhora, menos ligada à rebeldia e muito menos insolente, mas sabia que estava ali a autora do seriado que eu via sempre, dos livros que eu gosto de ler. Sim eu teria uma pergunta a fazer:
-Como é o processo de criar junto com o marido? Cada um escreve no seu canto? Fazem um release e trabalham juntos na paz ou a porrada come? Ou o trabalho acaba por sair por uma "coincidência" ancorada naquele momento e um que a gente chega e pede: Lê aqui e diz o que você acha...

3 comentários:

Anônimo disse...

------------- gostei muito, adoro a fernanda acho ela eh ótima, sou completamente seletiva, gosto de poucas pessoas, "celebridades" entaummm... saum saco, mais a fernanda eh diferente, autentica, maravilhosa!!!!______ força na pirukka!!!

Rozzi Brasil disse...

Ah! Se eu pudesse saber quem é esse anônimo...

artenamira disse...

Conheci Fernanda num feliz acaso. Tinha ganhado "a cabana" de presente, fui até um sebo pra ver o que conseguia em troca e com preguiça de procurar peguei "as pessoas dos livros" - avulsamente e por gostar da capa levei e comecei a ler no mesmo dia. Depois daquele dia realmente minha vida mudou! Sim, eu tinha tido contato com uma das autoras que mais me inspiram e devorei seus livros.
Engraçado, eu tinha colocado na parede do meu quarto uma página da Claudia de anos atras: "Para os que não esperam Cartas". Meu contato com minha diva tão despercebido numa rebeldia adolescente.
E foi exatamente como você disse: eu via as séries, lia os textos e não sabia quem era.
Mais com toda certeza vale a pena conhecer - um trabalho que toca a gente, não no coração, mais em um lugar bem mais profundo *-*