25/11/2009

O caos da beleza


A fúria da perfeição
A ira do acerto
O caos da beleza
O desencanto do delírio
Uma casca
Um calo
Um espinho
Um espeto
de tudo e de todos que dizem que não vai dar certo.
Meu sonho é minha lei
Minha palavra é minha ordem
E para tudo o mais só tenho a dizer:
Seja feliz!

09/11/2009

=A CANÇÃO = (provisório)


Fico imaginar qual será a canção
Que trará vida de novo pra mim.
Qual o poema que te fará ressuscitar.
Num mundo de mortos e passado
Tento respirar e manter viva a chama
de um amor que você insiste em sufocar.

Ah, se eu pudesse te falar
que jamais serei passado
Simplesmente por fazer-me presente.
Tão somente por não olhar para trás.
Apenas indo e não voltando jamais.

Se eu não guardar as fotos da juventude
Não me perceberei velha
Se eu esquecer de você
Não me saberei triste.

A vida à minha porta não insiste
Eu a ela nada peço, com ela não insisto
Eu sei que ela existe
Ela sabe que eu existo.

= INCENSO =


Acendo incenso na ânsia de relembrar seu perfume.
Limpo o espelho tentando nele te ver
Olho ao lado e não avisto você.
Antes assim, seria ruim não avistar o querer..

= JÓIA =


Desfilei aquele amor,
como se fosse dama antiga
numa tela de Debret.
Caminhei feliz pela cidade
com olhos brilhantes,
Rindo de nada,
sonhando com coisa alguma
Naquele status bobo que dizemos ser felicidade!
***
Desfiou esse nosso amor,
como se fosse um colar,
uma a uma as pérolas voando no ar
Parecia semente que se sabe onde brotará.
***
Uma jóia que ao sol perdeu valor
Como tela, aquarela que ao mormaço
Desvanece,esmaece,umidece,perde-se
Ressente-se no tom, na cor da cor...
***
No dia seguinte emendo,
amarro socorro o colar:
Pérolas a menos, nós a mais
Improviso, desensaio.
Pérolas nascem sós.
São produtos da dor...
***
Um brinco perdido e descombinado, sem par
Jóia inútil a enfeitar dias solitário
***
Não sei o quanto estarei a polir
esse amor que não sei o quanto vale
Sei que se Pandora tinha uma caixa
Se as Danaides tinham um tonel
Eu tenho essa jóia!

08/11/2009

A DEUSA


A Deusa anda,
se move,
segue
E o cortejo a acompanha
A Deusa sorri,
dirige,
chega,
sai
E o cortejo a segue
A Deusa trabalha,
estuda,

E o cortejo a vê
A Deusa assiste TV
O cortejo a vê
A Deusa vai ao teatro
cortejo a assiste
A Deusa vai ao cinema
O cortejo olha
A Deusa canta,
ou não
dança,
e não dança
bebe,
ou não bebe
fuma
ou não fuma
O cortejo observa
A Deusa escreve poemas
Trabalha como voluntária
Vai à praia
Vai à luta
E o cortejo somente a vê
A Deusa detesta miséria
Parou de dar esmolas
ou não
A Deusa é contra a violência
é, sim!
Não consome drogas
ou sim
É doadora de sangue e órgãos
E o cortejo tão somente assiste
A Deusa existe
A Deusa insiste
E o cortejo a observa
A Deusa sai da fotografia
e pensa
O cortejo vê a foto.
O cortejo não vê o fato.
Se assim não fosse,
Deusa não seria.
Fatos não veria
Fotos olharia
Se fosse diferente
não seria Urbana
seria gente
humana
É Deusa
É Urbana

RJ, 17/01/2007

26/10/2009

= AMOR NOVO =


Confesso que às vezes sinto um terrível cansaço de ser amada apenas na teoria... A vivência de amar é tão diferente quanto é exclusiva cada alma.

O sabor do meu amor residia na persistência e esperança, agora impregnou-se no prazer da sua realização.
Sim, na prática não sou feliz todos os dias, mas em tese sei que você me ama e mostra isso sendo fiel e fazendo por mim um pouco ou muito mais do fazia por outros.

Então há um prazer feliz nos momentos em que nos encontramos e um tom divertido nas vezes que nos esbarramos e uma serenidade quando estamos próximas e surge toda uma amargura quando você está e não se importa.

Às vezes parece que sou o objeto indispensável ao seu prazer, o ingresso do seu lazer. às vezes me parece que nunca mais terei o que dizer.

Esse amor nosso de escola, premiações, castigos, honras, glórias, sustos, anseios e medos. Eterna expectativa de aluno que não imagina a nota que alcançou.

Eu tenho medo que pensando, observando e vivendo eu esteja mais uma vez crescendo e um dia não mais nos reconheçamos. Eu não sei se há uma peça perdida no nosso quebra-cabeças ou se está ele pronto e completo sem que saibamos o que fazer agora...
Há dias que olho no espelho e vejo nele a mesma imagem de sempre com uma alma diferente. Às vezes me estranho, tagarela que sempre fui, calada.

Algo me diz que você é a última pessoa da minha vida mesmo que não seja definitiva. E tenho medo de não reconhecer a hora de ir, porque pensei que jamais tivesse que dizer adeus.

Dos amores que vivi, você é o mais complicado, o menos delicado, o que me deu mais sorrisos, o que eu gostei de encantar. Dos amores que tive, você é aquele que não sei o que fazer. Conheço em imagem, não reconheço em gestos. Vejo em sonhos não enxergo em atos. Vive nos sorrisos e me faz chorar mansa e calmamente...
Dormíamos zangados e acordávamos esquecidos. Parece que as brigas estão aumentando em conseqüência e diminuindo em duração. Ficamos cada vez mais tempo tristes ou chateadas.
Não entendo o mau humor pra mim e a alegria para os amigos e se entendo não aceito. Descubro que para isso existe o ciúme, para evitar que o amado faça com freqüência o que não gostamos. O ciumento, vejam só, é muito mais respeitado! Pode não impedir que se faça, mas é impedido de saber o que não gostaria.

Eu tenho vontade de pedir de volta todas as coisas boas que fiz por você, quem sabe assim, você me dá mais atenção...
Eu tenho vontade de fazer cara de durão e demonstrar que não estou nem aí pra você. Queria te ver sofrer de verdade somente por eu não estar, mas eu não tenho coragem de ir.

23/10/2009

Abandonar é Tão Difícil quanto dar o Fora...


Tento, tento muito, até o final. Esgoto as possibilidades, esgoto o meu raciocínio, esgoto é claro, a paciência dos amigos.
Mas nunca me arrependi por um final de romance. As mulheres gostam desta dedicação.
Nunca fui abandonada, mas diversamente do que possa parecer, o abandonar é morrer um pouco ou morrer muito de uma morte lenta e dolorosa e pior: sem testemunhas a nosso favor...

Não é mais fácil abandonar que ser abandonado. Dar o fora é difícil e doloroso desde o início quando ainda não sabemos o que devemos fazer, até criarmos a certeza de que a separação é o caminho pode-se passar anos de felicidade-meia-boca ou infelicidade completa ou de uma vida sem nenhum sentido... Verdade, sim, que a decisão rápida vem se turbinada por uma paixão avassaladora (gosto dessa palavra), mas ainda assim há quem espere o fogo da paixão abrandar e nenhuma mudança de vida é gerada por calor de brasa ou a toque de água morna, o banho-maria só leva ao deixa-estar-pra-ver como é que fica!
A falta de felicidade às vezes bateu a minha porta e eu que não sabia como gerenciar a relação sem o sentimento de felicidade passei anos na dúvida do vou-ou-não-vou, pensando: "será-que-é-isso mesmo que tenho que fazer? E tornava-me ainda mais infeliz, por magoar alguém que parecia me amar tanto... Tão bonzinho... Dedicado... Esses bonzinhos que depois de nos livrarmos deles percebemos o quanto são chatos e o quanto eram egoistas e aproveitadores da nossa miopia...
Ás vezes me parece que perco tempo, que ando devagar, que fico devendo à voracidade que as rodas de amigos impõem. Enquanto elas saem com 3, 4 eu ainda com aquela...Enquanto elas se divertem tanto, eu buscando soluções e claro cobrando atitudes, movimento... Mas acho tão legal saber que estou voltando pra casa para encontrar um pessoa que conheço... Embora goste daquelas batidas fortes, aqueles arranques do coração a caminho do encontro com a novidade, aquelazinha que caiu na nossa conversa lá naquela boate obscura, naquela praia preguiçosa, na fila do banco... A aventura me acelera o sangue, dá um gás na fantasia, alucina geral... Mas é muito bom um domingo chuvoso, um filminho qualquer, um café na cama com aqueles ridículos que só a intimidade provoca e só a intimidade pode perdoar...
=maio/2004

SEM TÍTULO

Há dias em que o coração bate mais forte que em outros
Há dias em que o coração nos bate
e doloridos não o entendemos.
Há dias em que batemos à porta do nosso coração
Pedindo a ele que nos forneça um sentimento qualquer
que demonstre que estamos vivos.
Sempre sentimos suas batidas,
ele não ouve nossos pedidos.

Num dia vi um par de olhos
E sem saber porque, desejei!
Não sei o que dizia o coração
Só soube que queria.

Neste dia por belos olhos
Mergulhei, voei, volitei
O amor é um caminho
O único que não traz arrependimento

Eu vi um mundo novo
Eu vivo um mundo novo
E agora é hora de me renovar

Eu me desafio a cada dia
A ser uma pessoa diferente
Mas eu não posso ser outra pessoa
Eu só preciso me modificar!

18/03/2007 (do blog P-trechos: IG)

= VIVIR =

VIVIR
Já dizia o meu poeta
"tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu"...
Eu não queria ser assim
essa pessoa do jeito que sou
assim... Entende?
Tão educadinha.
Como eu queria
saber mandar o mundo se danar!
Eu não ficaria assim, desse jeito assim entende?
Rindo por fora, triste por dentro
Sofrendo no meio
Como um bolo,
um pão, um recheio...
-*-
Acho chato saber tudo
Então digo que não sei
Sai no prejuízo quem entende tudo
Então finjo que não entendo
Não sei contrariar
Então não argumento...
-*-
As pessoas falam
Mas não é pra ouvir sua opinião
É so pra serem ouvidas
Então eu só escuto...

Se não quer saber o que pensa
Não me pergunte
pois, eu também não pergunto

Chico, não parti, nem morri
Reparti e vivi
Tempo demais pra chorar
Tempo de menos pra tudo que ainda tenho
que vivir...

E por falar em vivir
Tenho saudade da minha amiga espanhola
Espanha não fica na Europa?
Por que ela não parece européia?

=E-MAIL da SEMANA=


O dia nublado deprime.
Há tempos li nalgum lugar que a penumbra deixa as mulheres melancólicas.
É preciso abrir as janelas e deixar a luz entrar para combater a deprê.
Mas se você abre a janela e dá de cara com um tempo desses, faz o que?
A ( )Corre pro banheiro e corta os pulsos?
B ( )Aproveita a proximidade e se joga pela mesma janela?

Não! Pessoas como nós não se matarão jamais, penso até que jamais morreremos. Somos o tipo de pessoas inesquecíveis, por um motivo ou outro, se é que me entende...
A gente ri e isso resolve, apaga o incêndio e a vida segue.

A atitude não mudaria se do outro lado da vidraça estivesse um tremendo dia de sol... Tô que nem minha avó,quero é bufar, suspirar dar muxoxos!

Dormi com inveja do gato, dono de uma preguiça que lhe cai tão bem e a gente acha bonito. Ai, porque não podemos ter preguiça e ficar bem na foto? Por que só os gatos? Por que só os baianos? Pra ter preguiça precisamos ser gatos e/ ou baianos, pra sermos "show" temos que ser magros, pra tudo ficar melhor temos que aparecer na Globo? Como alguém pode ser 100% feliz fazendo dieta, tendo tantas preocupações e impedido de ter preguiça. Imagem é algo concreto demais para apenas imagem...

Estou numa boa fase ruim! Daquelas quando tudo está bem, mas gostaria de não conviver comigo mesma.
Estou no período que não estou me agüentando e não sei se rezo pra entrar na menopausa ou aproveito minhas últimas ebulições hormonais... E por que diabos tínhamos que ter hormônios? Hormônios e neurônios são apenas rimas, não combinam e no meu caso, impraticáveis...
Ainda assim sei que a semana será boa e plena. O mundo é só uma penca de coitados, eles estão uns ao lado dos outros, uns por cima dos outros, uns em frente aos outros e nenhum deles têm preparo para nos entender, o que não faz de nós coitadas, mas tadinho do restante da humanidade...

= MULHER-BOMBA =

=TEU CHEIRO=

O cheiro é tudo!

Aproxima ou afasta

É up ou delete!

A mais rica das heranças ancestrais.

E o teu cheiro me chama, me atrai, me incendeia!

Eruditamente,

sinto-te e o teu cheiro,

chama-me, atrai-me, incendeia-me!

O cheiro dos seus cabelos é bom demais

não importa o xampu!

O cheiro da tua pele...

Reconhecê-lo-ia

estivesse eu onde estivesse,

Estivesses tu onde pudesses estar,

Se puder eu, senti-lo,

Sei que és tu quem virás!

Te descubro entre milhões de outros seres,

vindo teu aroma até mim...

E ao senti-lo todos os sentidos acordam

e todos os seus odores me sacodem

e todos os pensamentos se chocam,

se batem, se desvanecem e apagam-se,

neste momento só quero

que o teu cheiro me leve ao tato,

à visão de olhos fechados,

ao sabor que o teu cheiro tem,

ao gosto que o teu cheiro dá,

aos sussurros em meus ouvidos,

ao prazer de ter você e te fazer minha!
13/12/2007

= A IRA da DEUSA =



Ela bem poderia ter feio diferente
No entanto fez de uma maneira que confundiu.
Ela bem poderia simplesmente
ter dado um sorriso daqueles
que iluminam o meu mundo,
a minha vidinha besta!
No entanto, me confunde
Me enlouquece,
me deixa no chão...
Desde os primórdios, assim agem as deusas
Deusas nasceram para serem satisfeitas
Daí o costume das oferendas, cânticos, odes e sacrifícios
A deusa irada é imprevisível
o seguidor revoltado não tem saída.
Deusas erram e não reconhecem
A humanidade está perdida
Deusas perdoam mas não esquecem.
Talvez seja preciso buscar seu lugar sagrado
e prostrada em beijos, carícias e afagos
Devolver-lhe o que jamais lhe foi tirado
venerar suas curvas, reentrâncias
Seu céu, seu fel, seu mel,
seus doces e amargos
Aqueles dois montes santos
Aquela caverna profana de sacrifícios
Revirar todos os seus cantos
Executar com louvor os meus ofícios
Aplacar a sua insana ira nada divina
Dando-lhe de beber em sua boca profana
Fazendo-lhe crer que é ela quem domina
Saciando-lhe com a energia que de mim emana

Rio, 19/03/2007

= MISCELÂNIA I e II


No principio era o verbo,
as amenidades com coca-cola
E tudo era muito bom.
Aí elas disseram:
-"faça-se a noite"!
E apagaram a luz
Os sentidos acordaram
e o juízo dormiu.
Cavalgava, sim!
Égua baia, marchadora...
Quarto-de milha,não!
Pois que não havia trote.
Era galope
Solavanco que bicho de raça não possui.
SRD (sem-raça-definida)
Vira-lata,sim, pangaré jamais!
Nenhum pedigree.
O desejo flui melhor às margens.
O desejo flui melhor entre iguais
longe de controles.
Não havendo o que domar,
há sempre o que buscar
Não sei que face tinha o cavaleiro
diante da empinada
Mas trazia o coração perplexo
A cabeça em total desalinho
A alma atarantada,
levitada,
extasiada
Fazia do coração, sexo.
Buscava sem rota e sem caminho.

Quem lhe guiou foi o querer,
não o desejo...
Cavalgar potranca desconhecida
Mera consequencia de um beijo
De olhos fechados e mãos à deriva
Nua em pelo,
Fecha os olhos pra ver melhor o deconhecido
Boca ofegante, gemido, cabelo

I

Faltou explorar mais
O querer tinha a pressa
de um desejo que não espera.
Ancas, bunda, olhos
Coxas, mãos, abraços
Gata vadia,
mia ronrona cheia de charme
Cachorra, uiva sacode
Cadela vadia se abre
Vaca vagaba se dá.
Eu, atônita recebo,
pego e quero mais!

De onde saiu essa mulher bicho?
Cheia de cio e maneiras sem armadilha
Se oferece e diz vem!
Se dá e diz toma!
Sorri e diz pega!
E, de onde saiu esse encanto
que não se dissipou com a luz do sol?
Que não se retraiu à luz dos problemas
E que aumenta na presença da saudade?
julho, 2006

= ESPELHO =


E agora que te conheci,
Desconheço todo o restante
A vida se tornou desconforável
longe de você.
E a minha visão ampla
Não enxerga mais a sua presença
longe do meu lado.
E os ouvidos acusticamente envenenados
pelo tom do seu ser, pelo timbre da sua voz.
Por algum mistério mágico
minha paz ficou retida nas letras negras
na superfície metálica
de um bilhete em certo espelho.
julho, 2006

= AFINIDADE =

Sei lá de onde você é
Sei lá se te conheço
Que diferença, pode fazer?
Tantos tão perto
e que jamais me souberam
Tantos tão longe
e que jamais estiveram distantes
Se em tantas letras sempre iguais,
Se as ideias assemelham-se
e sonhos parecem encontrar-se ?
Tontería o contato,
se a química revela-se
entre palavras, ideías e almas.
setembro 2007

= NET =


Saudade de quem nunca vi...
net é uma benção,
O MSN, uma esquina.
Proporciona deliciosos encontros
Estrondosos esbarrões.
Muitas vezes tudo regido por acasos
Se combinado, sujeito a atrasos.
Nos casos de descasos deleto-os!
Diletos,seletos nada de espertos!
Há dias que minha vida é tão boa
que quero contar pra todo mundo
Há dias que estou tão cega
Que preciso esconder-me do mundo
Hoje é só um dia numa conta de 15.695
Que noves fora pode dar tudo!
Rio, 26/02/2007

= CÉU da BOCA =

Havia um cometa a riscar o céu oculto
Côncavo, róseo, escuro.
O vagar do astro iluminava a alma
Sacudia o corpo,
Turbinava a mente.
Aquele misterioso lugar oculto,
jamais visto, nunca notado.
Fagulhas incendeiam o pensamento
Língua nervosa
Boca curiosa
Lábio sedento
Rosto em movimento

= Nº 6 =

É saudade, é vontade é desejo.
De abraço apertado, cabeça no ombro
Face recostada ao peito,
De respirar junto a pele,
Mordiscar o pescoço,
De gemer no ouvido.
De estar grudada boca na boca,
Quando não sei mais qual boca é a minha
Qual lábio é o seu...
É saudade, vontade, desejo.
De ouvir voz rouca oferecendo prazer
De te ver estática, extasiada
Recebendo o prazer
Quando não sei mais
Qual prazer damos, qual prazer recebemos...
Saudade, vontade, desejo.
De provar seu gosto, sentir seu cheiro
Quando sei que o seu gosto me enleva
O seu cheiro me leva
Por caminhos que não mais sei
Se é vontade
Desejo
Ou Saudade
Os caminhos que não sei ou não sabia
De certo conhecia

=O QUE NÃO me SUSTENTA me ALIMENTA=

Os pedaços que fragmentam
não sustentam
mesmo as coisas que não pesam
mesmo as coisas que só se pensam.
Como se fora desejo da nossa mente
ou apenas sonho do nosso coração.

Ainda que pedaços me alimentem
as partes se partem...
Os meus olhos se comprazem
[no todo
ainda que não sustente o corpo
Meus olhos são dois
e não sei se inteiros
mas são a boca da minha alma
28/04/07

sem título

Sem Título 1

De certo perdi a paz
Não é certo que ganhei um amor.
Possivelmente esteja fascinada...
Meu demônio mediz:
- Que bom!
O meu anjo me fla:
- Que nada!

Faz tempo meu coração secou
Minha alma buscava, incerta
insegura, triste, penada!
Sempre vivi bem
com o coração seco
Sempre virei-me bem
com a minha alma penada
Minha mente concorda,
discorda, antenada
Faz acordos,
alia,
negocia,
aninha,
articula
Minha mente
não fica sozinha,
Seu pecado:A gula
gula de ser, de conhecer, de saber
Troca as idéias que o coração nega
Troca palavras que a alma descarta
Acredita no deus que peca
contra o coração
Acredita no deus que a alma perdeu
Por crer num louco e desvairado deus
Levou alma e coração pro abismo
dos braços seus...

julho, 2006

= Nº 7 =


De verdade não sei quem você é,
Mas estando contigo me desconheço.
Pairam na mente, gesto e sonho
Amor que sei, mereço,
Amor que sei, suponho.
enso que não és minha
in - tei - ra - men - te ...
Pensando assim perco o sossego, a paz
Ao vê-la, o sonho invade a minha mente
Viver, sonhar, não mais...

= O DRAMA dos FORTES


Sinto a fragilidade de quem encarou a vida de frente
e perdeu.
De quem elevou tantas bandeiras
e não se encontra mais...
Fui a muitas guerras,
perdi mais batalhas do que se poderia
Arrisquei-me até os ossos e estes não me sustentam mais.
Acreditei no espírito e descobri que era carne
Eu, matéria não soube a oração exata,
Aquela que desperta os deuses e amansa os demônios...

Quer saber?

Os demônio me abandonaram
à sorte dos santos
que de tanto sofrerem
Estão mortos como eu pra esta vida...

Ainda me restaria um sorriso
se houvesse verdade
No brilho dos olhos.
O castigo dos fortes
é nunca ter onde pousar a cabeça
O drama dos fortes
é acercarem-se de frágeis ombros.
O crime dos valentes
é irem sempre em frente
sem guardar o caminho de volta.

Não importa o quanto de perdão distribuimos
Se não guardamos nenhum para nós mesmos.
Se o reino dos céus é dos justos, está explicado:
Ele é azul, distante e inexistente...

01 de abril, 2006

sem título

Dentro do que posso farei todo o impossível.
Dou o meu sangue,
Mas quero meu coração
Dou minha vida,
Mas quero a minha alma
Dou meus nervos,
Mas quero minhas idéias
Não quero mais ser irrestrita,
Pago o preço,
Mas levo a mercadoria
05/06/1994

sem título

Eu não quero ombros fortes
Que sustentem o peso da minha cabeça.
Eu não vagarei mais em busca do carinho
Que a vida me negou.
Cansei de ser carente
Cansei de seguir
Mas não quero acalentar ninguém
Nem quero pessoas a me seguir

05/06/1994
Marcia Vicente

= A LUTA =

Você está dormindo.
Seus sonhos não habito.
Hoje não fui te buscar.
Deixei seu espírito em paz.
Morro nessa guerra surda, suja
De não te encontrar nunca,
do jeito que é preciso.
Prisioneiro de delírios,
Te vejo amordaçada,
Sem que eu nada possa fazer.
Exilada de corpo, tenho às mãos
a luta desarmada do querer,
E isto é pouco, muito pouco.

24/11/1994
Carlos Paez

= TANTO FAZ =

Morrer, estar vivo, tanto faz
A gente nunca faz o que quer
Nunca se pode ser o que é.
Aqui pode-se escolher
Lá somente recolher

24/11/1994

= ALMA =

Deixa a minha mente em paz, alma !
Deixa meu corpo livre.
Por ser prisioneira de músculos e tendões,
Não me aprisione às suas paixões.
Deixe-me respirar
Não me faça pensar
Esses pensamentos que não constroem...

24/11/1994
Carlos Paez

= DEPOIS =

Depois, depois pode não haver nada
Pode acontecer tudo
Pode ser que não exista depois
Pode ser que a terra gele
Pode ser que o coração mele
Depois pode ter vazio,
Pode ter arrependimento
Depois pode – se não fazer
O que deveria ter sido feito antes
Depois pode dar errado
Depois pode dar certo
Fazer depois, na fazer...
Depois é um antes que não deu certo...
16/11/1994

= ANTES =

Correr, correr muito
Chegar à alegria
Antes que o drama comece
Antes que o êxtase acabe
Ser, antes do dissolver da matéria
Antes que se modifique a essência
Nadar antes que a fragata afunde.
Antes nadar por prazer que se mover por desespero
Viver antes que a vida acabe,
Pois que entre cada corrida, obrigados somos a parar.
Correr, correr então pra quê?
16/11/1994

= MATINAL =

É tão bonito ver a madrugada e seus humanos apressados
A umidade das horas
a úmida humanidade em seus olhos inchados.
Os seus fantasmas que se recolhem
Seus pesadelos que adormecem.
O calafrio do despertar
Esse momento mágico de timidez.
De claridade atirada e pálidas estrelas,
Um duelo de luz posto que,
a escuridão se retira vencida e cabisbaixa
É sereno o despertar do dia
porque úmidos de orvalho, os corações sedentos
À vida que se impõe são desatentos.

Humberto Senna
26/05/1994

= LÁPIDE =

De amor vivemos a vida inteira para entender e quando entendemos estamos gastos de mais para que alguém nos ame.
Vida madrasta!
O mundo não envelhece e assimila todos os conhecimentos que alcançamos e o brinde que levamos – uma placa de mármore na qual não podemos escrever nossas próprias idéias.
Somos o que podemos dentro do que nos julgam e morremos com idéias alheias pesando num esqueleto que precisamos abandonar . E tudo o que fomos de real serve para dar vida a plantas mudas.
Conclusão: a palavra é um erro



02/12/1994
Claude Saint Laurent

sem título

Eu tenho inveja dos que se foram.
Pelo menos eles estão nalguma parte que me é desconhecida.
Eles, daqui já sabem, têm a vantagem dos que não têm mais que viver.
Acordar todos os dias é tão chato.
Ter dias e noites,
sóis e luas para nos reger é tão monótono...
E aqui nem se pode voar....

24-25/11/1994

= O PIANO =

Sabe? O corpo me atrapalha.
Pesa-me ter de carrega-lo.
Me asfixia.
Parece uma gaiola,
parece uma cela minúscula,
apertada, sem ar.
O cérebro parece demasiado pequeno
para abrigar informações que estão
em alguma parte de mim, no entanto ele,
limitado não tem espaço para descobri-las.

Eu sei muita coisa que não posso dizer
não as digo porque as palavras não exprimem.
Parece que existe outro alguém
morando dentro de mim que não encontra
local por onde sair, exprimir, se expor.
É como estar diante de um piano,
com a melodia na mente e não poder toca–lo,
O som não abrange a melodia,
o instrumento não é apropriado.
Ele é o único disponível,
carrega-se este enorme fardo por onde se vai...
Largar o piano? Nunca!
Ele é a derradeira possibilidade de vir a se compor a melodia.
Ele é a esperança de que um dia a música se faça ouvir.
O piano só poderá ser abandonado quando substituído por outro instrumento.
Como identificar-me-ão?
Como saberão que pretendo compor,
manter esse cérebro até que ele se abra,
até que se encontre porta,
a saída por onde escoe
o que vive vivo, acordado,
trancado aqui dentro.

24-25/11/1994

INSÔNIA FUMANTE


Acordada há 1 cigarro e meio penso...
O que faz o não fumante quando acorda no meio da madrugada abandonado pelo sono? Como ele conta o tempo de insônia se não tiver na cabeceira um relógio?
Pobres não fumantes! Entregues à agonia e à incerteza de não saber que horas são... Tudo para ter um morte tranquila com os pulmões limpos...
Coisa saudável esta!

E como o sono não vem, não tem jeito a curiosidade de saber quantas horas tem, uma sede desértica que não sei se é na mente ou na garganta.
Como qualquer não fumante babaca, vou até a cozinha, olho o relógio e descubro que são 4:30... Então acendo um cigarro.

=ASSOMBRO=



Esses olhos gigantes, escuros, sofridos
contam-me o que é dor.
Vasculho minha carteira
Encontro nela uma foto
Não encontro dor nos meus olhos
Por mais forte que ela me venha
jamais trazer-me-á o brilho-mártir
que tem o seu olhar
Minha infância não foi boa
queixas como as suas não tenho
Boa ou má ela existiu, fui criança um dia
Tive você
Ela resiste em mim
Um ar jovem e macerado...
Nunca o percebi quando em carne e osso
Onde conseguiu este olhar súplice,
Essa face corada, porém santa
Que as imagens de santos não possuem?

24/11/92

= CURUMIM =


Eu te amei tanto
De riso e pranto
Que de tanto amor
Olhei e não te achei
A vida,
O céu
O dia
As estrelas,
a lua
O sol e seu amanhecer,
Frio e calor,
Eram teu nome.
Mas você curumim,
só brincava
Com os astros,
com a vida
Comigo
18/07/1992

= PREDESTINAÇÃO =

Como se faz aquele poema que todo mundo admira?
Que vira pagode, samba-canção, seresta, bolero?
E todo mundo dança.
Ainda não nasceu a simples e complexa poesia,
A que acompanha os tempos
Aquela que cresce com todos
Que traz saudade e faz chorar
Não quis Deus que fosse eu, original?

II

EU FUI DÓCIL DEMAIS
OBEDECI À MAMÃE
RESPEITEI OS MAIS VELHOS
AS TRAVESSURAS NUNCA FORAM MALDADES
NUNCA FORAM GRANDES DEMAIS,
MIINHA AMBIÇÃO TAMBÉM NÃO

14/07/1992

= UNO =




















Ah, o meu amor...

O meu amor é de melação,
de grude, de mão na mão.
O meu amor é de achar linda,

De encontrar predicados,
predicativos, adjetivos.
O meu amor é de priorizar,
Colar,
Deitar a falar,
Deitar e falar,
Amar falando.
De lembrar a toda hora
como amo, o quanto sou amada.

O meu amor é para princesas,
Jamais amei plebéia
Jamais amei a feia
Elas deixam de existir quando amadas
Porque o meu amor é de revigorar,
Restaurar,
Aumentar,
Incentivar

Quando amo,
estou na arquibancada
Gritando e torcendo,
suando e amando
Não faço por ela,
mas sei tudo o que pode fazer
E torço como fanático!
Loucamente,
como se fosse botafoguense
Eles, sim, sabem torcer...
Torcer por amar, por amor...
Viver
O resultado é só uma consequencia
ilógica de um acaso dominante.

O meu amor é de estar junto
Não precisa casar
Mas estar junto,
estar perto,
ser íntimo.

O meu amor não tem etiqueta
Quebra as regras,
amassa a receita
Mas não é um amor mal-educado...
Não é possesivo,
Não é voraz
Nem faminto

O meu amor
Tem fome de idéias e companhia,
Na mesma proporção do sexo e prazer

O meu amor é tarado,
Quer entrar em cada cantinho do ser amado...
Entrar, fazer parte, invadir e só.

Meu amor não se divide
Não se reparte
Fiel como novo cristão
Só se doa pra um.
Tem prazer em dar,
Só se completa doando
E dando-se, completa-se
E dando-se, aprende,
Assimila mais e mais
a arte de mais e mais amar
=Glória, 15-11-2004=

=TEM QUE SER=

Você não vê
E quando vê não entende
O quanto e como eu amo você.
Você desconfia,
não me acredita
Eu só posso te provar
te provando
Te degustando,
Me vivendo.
E pra viver tem que ter sabor
Tem que ser inteiro,
Tem que ser intenso.
=novembro, 2004=

= POSSIBILIDADE =

Eu quero que você
ocupe o meu tempo.
Eu quero que você me ocupe.
Não se preocupe.
Eu quero me ocupar de você.
Eu estou buscando a medida,
o limite da ocupação que você me permitirá
Eu quero que você tome o meu tempo
Eu quero me preocupar com você
Eu quero que você me tome inteira
Mas de qualquer maneira
Invento um jeito de me ocupar de você
Eu já não busco a verdade,
busco a possibilidade.
Não sei o que me será permitido
Mas o que vier será aceito, não duvido
=2004=

= BIPOLAR I =






















Às vezes bate
Uma puta necessidade
de encostar a cabeça num ombro e respirar.

Fechar os olhos e respirar
Deixar estar.

Não quero que nada me façam
Não desejo que lutem por mim
Não preciso que resolvam meus problemas

Só quero respirar


Apoiada num ombro
amigo ou inimigo

Respirar.
Deixar estar.

Chama-se isto carência?
Seria isto cansaço?

Às vezes choro
Às vezes mastigo o choro
Muitas vezes finjo que não o vejo.
E sorrio
E ninguém percebe
O coração afogado,
A alma alagada

De toda forma tudo dá em nada
Não há ninguém tão forte quanto eu
Nem tão frágil
Nem tão doce

E esta verdade amarga
Meus dias
Meus projetos
Meus sonhos
Em troca distribuo o sorriso meigo
Aberto, claro, franco, raramente tímido.
E me jogam migalhas de atenção, de afeição
Antes as recolhia, hoje as abstraio.

Dis-tra-i-o-me

Sempre andei na corda-bamba,
Sempre estive por um fio
Sempre olhei a vida do alto,
balançando,
Perigosamente,
Ciente de não haver lá embaixo,
rede de proteção,
Acreditando que em caso de queda,
esta seria para o alto.

E pela primeira vez, estou eu,
em cima do muro.
Quer saber?
O fio pingente é mais confortável que o muro
O acrobata é herói,
o indeciso não...
Eu sequer estou indecisa

Na indecisão me defino...
Eu escolhi o meu lado,
E a escolha sem atitude é vã...

É preciso escolher e se lançar
Voar, corpo no ar, trapézio no olhar
Mãos na direção certa.
Coração contando
Alma cantando
Voar de olhos fixos no trapézio, no pousar...

Lançar-me confiando é a minha atitude de amor...
= BIPOLAR I =

= BIPOLAR II =


Eu não sei se estou triste,
se estou tímida
se estou eu mesma.
Às vezes, numa das esquinas
da vida tão tumultuada
de um viver complicado,
posso ter esbarrado comigo mesma...
Um encontro casual
onde de repente nos conhecemos
ao tentar olhar os outros
e vemos o que eles têm
e que não somos.
Para onde eles vão
que não queremos
ou não podemos ir.
Um momento de pausa
da sonora gargalhada
que escancarada,
cede espaço ao sorriso.
E o sorriso, franco e aberto
inibe-se deixando o sorriso tímido.
Tanta decisão, precisão e certeza
mostram-me as minhas indecisões,
vacilações e dúvidas.
Eu, tímida e insegura,
só vou em frente
porque não vejo outra alternativa.
Acredito na vida,
principalmente quando ela me diz não.
Para não ceder ao fracasso,
considero-me sobrevivente.
As dores não me fizeram infeliz.
As tristezas não me deixaram amarga.
Mas fica esta tênue linha
entre tristeza e alegria
que é quase uma dor
A sensação de impotência
que é quase um lamento.
Melancolia.
Mas o sorriso insiste!
E durmo na certeza de que haverá um amanhã.
Que hoje foi um grande dia
porque fiz tudo o que sabia
Me conscientizei do que não podia.
E tem sido assim,
um dia depois do outro
ao longo de longos 40 anos...
Já não olho as pessoas pensando
que se eu fosse elas faria diferente.
Sei que todos fazem o melhor
dentro do que sabem e são.
Já não trago nas mãos ferramentas
para demolir ou construir o mundo,
Apenas tento fazer a minha mísera parte.
Não tento defender-me
opinião ou visão equivocada
que de mim fazem,
Não adianta,
Melhor eu mesma ouvir
que saber que outros ouvirão...
Não tento mais convencer do contrário
ou mostrar que em relação a mim
deveria ser diferente.

Certas coisas ou são ou não são.
Não adianta trazê-las enquanto são novidades
Ou enquanto eu estou novidade
Logo caímos numa rotina...

Certas coisas são ou não são.
Amor, sentimos ou não sentimos,
Ama-se ou não.

Não é preciso, odiar.
O ódio não é o avesso do amor
O ódio é um outro sentimento...

Assim, já não sei o que queria
ou gostaria
Apenas vivo o que é.

Talvez esteja como há muito não me via:
Sozinha e esta solidão me faz companhia,
Acompanho-me de mim mesma e fico,
nem só, nem infeliz, apenas tranqüila.

Não é momento de dar o passo,
Não é hora de ir a lugar algum.
É o momento de viver este momento,
Torná-lo-ei, então, sagrado,
Conciso, preciso e silencioso.
Não há reclamações a fazer.
Há que se observar o que sou eu o que é você.
11 de novembro de 2004 =

= DE ROSTO, ESPÍRITO E AR =



Um rosto que se mostra
Um espírito que não se retem
Uma alma que não se conhece
A visão material
Sabe do fogo
Pressente o gás
Sabe da fúria
Esquece a paz
Sabe do mar
Prefere o sal
Perde o ar
04/10/2005










=SE=

Se eu pudesse te bombardear de poesia
Até que aflita, você me pedisse um beijo
E se esse beijo fosse um caminho
para eu chegar à sua alma.
E se essa sua alma fosse ponte
que atravessasse o meu sentimento
até o seu coração...

E se esta ponte fosse uma estrada
que levasse para o infinito tantas dores suas...
E lá, neste infinito,
nunca mais,
seus olhos vissem
quem te faz sofrer.

26/11/2002

=SUTILEZA=

Eu vi.
Seu sorriso se acende
Por alguns segundos eu vi no seu rosto

O prazer de ser desejada.
Coisa certa, na hora errada..
Não! Não bata a porta que a vida te abre.
Não abra a porta que a vida te fecha.
Não tenha por hábito manter portas entreabertas,
Teu coração não tem portas,
Ele tem senhas sutis
25/11/2002

sem título



Mensagem de corrente,
Gosto não gosto, depende.
Aquela foi legal...
Cuidar bem do nosso amor...
Seja quem for
Tem que ter amor pra cuidar
Tem que gostar pra cuidar
Tem que gostar de cuidar
Mas tem que amar!
E tem que saber que ama no momento que se ama...
Se não, não há cuidado.

Curitiba é fria?
Rio de Janeiro é quente?
Em curitiba é frio?
No Rio de Janeiro faz calor?
Curitiba é arrumadinha,
Rio de Janeiro é largadão?
Sei não...
Sei que a gente vive
calor,
frio
arrepio
Ondas de felicidades
Brisas de tristezas
Cidades são apenas cidades
Mas pessoas precisam ser gente.
Arrumada, despojada,
elegante,destoante,
combinada, volátil, permanente
Vamos dando um jeitinho
de ser permanentemente,
GENTE!
04/03/2006

Amor Novo


Confesso que às vezes sinto um terrível cansaço de ser amada apenas na teoria... A vivência de amar é tão diferente quanto é exclusiva cada alma.

O sabor do meu amor residia na persistência e esperança, agora impregnou-se no prazer da sua realização.
Sim, na prática não sou feliz todos os dias, mas em tese sei que você me ama e mostra isso sendo fiel e fazendo por mim um pouco ou muito mais do fazia por outros.

Então há um prazer feliz nos momentos em que nos encontramos e um tom divertido nas vezes que nos esbarramos e uma serenidade quando estamos próximas e surge toda uma amargura quando você está e não se importa.

Às vezes parece que sou o objeto indispensável ao seu prazer, o ingresso do seu lazer. às vezes me parece que nunca mais terei o que dizer.

Esse amor nosso de escola, premiações, castigos, honras, glórias, sustos, anseios e medos. Eterna expectativa de aluno que não imagina a nota que alcançou.

Eu tenho medo que pensando, observando e vivendo eu esteja mais uma vez crescendo e um dia não mais nos reconheçamos. Eu não sei se há uma peça perdida no nosso quebra-cabeças ou se está ele pronto e completo sem que saibamos o que fazer agora...
Há dias que olho no espelho e vejo nele a mesma imagem de sempre com uma alma diferente. Às vezes me estranho, tagarela que sempre fui, calada.

Algo me diz que você é a última pessoa da minha vida mesmo que não seja definitiva. E tenho medo de não reconhecer a hora de ir, porque pensei que jamais tivesse que dizer adeus.

Dos amores que vivi, você é o mais complicado, o menos delicado, o que me deu mais sorrisos, o que eu gostei de encantar. Dos amores que tive, você é aquele que não sei o que fazer. Conheço em imagem, não reconheço em gestos. Vejo em sonhos não enxergo em atos. Vive nos sorrisos e me faz chorar mansa e calmamente...
Dormíamos zangados e acordávamos esquecidos. Parece que as brigas estão aumentando em conseqüência e diminuindo em duração. Ficamos cada vez mais tempo tristes ou chateadas.
Não entendo o mal-humor pra mim e a alegria para os amigos e se entendo não aceito. Descubro que para isso existe o ciúme, para evitar que o amado faça com freqüência o que não gostamos. O ciumento, vejam só, é muito mais respeitado! Pode não impedir que se faça, mas é impedido de saber o que não gostaria.

Eu tenho vontade de pedir de volta todas as coisas boas que fiz por você, quem sabe assim, você me dá mais atenção...
Eu tenho vontade de fazer cara de durão e demonstrar que não estou nem aí pra você. Queria te ver sofrer de verdade somente por eu não estar, mas eu não tenho coragem de ir.

19/10/2009

SALVE GERAL! – O Dia que São Paulo Parou

Quinze segundos e minha vida mudou”... Para sempre.

Se Salve Geral merecia ou não ir à disputa do Oscar não consigo realmente avaliar. Mas que a dose de suspense que ele oferece é digna de prêmio é fato.

Estive em alguns debates onde alguns diziam que o filme promove um endeusamento da criminalidade. Que não deveria concorrer ao Oscar por denegrir a imagem do país. Que é mais um filme sobre violência e polícia corrupta... Bem, pelas possibilidades que temos de trazer para Brasil a estatueta, penso que este filme é tão bom para isso como qualquer outro e eu não sou uma pessoa pessimista.

salve-geral_01Alguns comentam que fazemos filmes sobre miséria, pobreza e crimes e que lá vamos nós com um de já vu. Eu não tenho memória estatisticamente cinéfila que me permita dizer quantos filmes estadunidenses já assisti sobre Primeira e Segunda Guerras, Vietnam, judeus como coitados, Independência americana, ocupação do Oeste e assassinos em série. Não vejo porque o sangue americano jorrado ser mais cinematográfico que o latino, nordestino, brasileiro. Violência social não se esconde, se resolve. Se há vergonha de parte dos brasileiros dessa realidade de violência e corrupção ser vista, ela deveria ser revista aqui, deveria existir uma vergonha tão contundente que nos levasse não a esconder da visita a nossa louça lascada, mas ir às vias de fato para se ter algo melhor se não para apresentar ao mundo, para se viver no dia-a-dia.

Salve Geral tem o mérito de ter ótimas interpretações de atores em todo ou em parte desconhecidos (achei exagerado, caricato o personagem Pedrão, Guilherme Sant’Anna), um dos protagonistas que me lembrou muito Gael Garcia Bernal, não pela beleza mas pelo corte de cabelo e aquele ar entre o displicente e despojado. Tem um roteiro caprichado, bem amarrado e uma vez assistido sem os pré-conceitos por ser um filme nacional, é capaz de levar à reflexão sobre coisas que vão muito além do que a divisão maniqueísta entre mocinho e bandido, e que não há salvação para o cidadão incluído no sistema prisional vigente.

O que confere ao filme um tom documental é alem das inserções de imagens reais de conflito, o perfil das personagens, a direção não engana: o tempo todo em todo o filme vemos que ali não há santos nem heróis, há pessoas que chegam ao limite do certo e errado, entre o legal e o ilegal. Não há como evitar a sensação de que a qualquer momento algo de muito pior pode acontecer aqueles que por identificação, nos parecem terem ainda salvação...

Há pessoas que não nasceram para o crime, mas aprendem a se movimentar dentro de uma engrenagem criminosa, há pessoas que tem tudo para não delinqüir mas não saberiam viver sem uma mancha de sangue ou de qualquer outra sujeira nas mãos.

salve-geralLúcia (Andréa Beltrão) é uma professora de piano que ao ficar viúva perde prestígio e posição social indo morar num subúrbio distante. Ela tem um filho Rafael (Lee Thalor) que como todo bom adolescente não absorve bem a nova realidade. Rafael sai com um amigo mecânico num carro tomado emprestado sem permissão da oficina onde este trabalha, por capricho do destino no porta-luvas tem uma arma, por aquelas coisas que embora possamos ter feito um dia, jamais saberemos explicar, eles vão para um racha. É este jogo de vários erros que colocará Rafael em contato com os 15 segundos que mudarão sua vida para sempre, conforme ele mesmo diz e esta mesma combinação levará sua mãe a um mundo onde mesmo visto em filmes não podemos crer. Nas visitas ao filho ela conhece “Ruiva” (Denise Weinberg) advogada de um líder de uma facção criminosa, Bruno Perillo (Professor) que a usará para serviços ilegais. Lúcia entra num caminho sem volta e acabará por se envolver numa luta pelo poder da facção que ocasionará a paralisação de parte do país num dia de terror e pânico orquestrados pelo “partido” em represália às transferências dos presos, lideres da facção.

“Salve” na gíria dos bandidos de São Paulo é “recado”.

Salve Geral é um filme “de ficção baseado em fatos reais” onde nada, nem ninguém é o que parece ser na primeira vez em que aparece na tela.

Podemos refletir que se algumas autoridades simplesmente fizessem seu trabalho em vez de brincar de mostrar para a mídia que trabalham, teríamos menos problemas, muitas soluções, menos mortos, menos margem à corrupção e alguma fé de que as coisas pudessem dar certo. É a vaidade, até mais que a ambição que levam as personagens desse filme a uma miséria moral para a qual o dinheiro é apenas um pretexto.

Por:Rozzi Brasil. Ong Casa da Vida.

SALVE GERAL!. Brasil. 2009. Diretor e Roteirista: Sergio Rezende. Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Bruno Perillo, Guilherme Sant'Anna, Chris Couto, Eucir de Souza, Kiko Mascarenhas, Michel Gomes, Giulio Lopes, Taiguara Nazareth, Luciano Chirolli, Pascoal da Conceição, Julio Cesar (5), Otávio Martins. Gênero: Drama. Duração: 119 minutos.

Bem, eu estou indo.
Na verdade devo demorar-me mais um pouco...
É difícil retirar tudo e ir para tão longe...
Mas você conseguiu sim, mostrar o quanto eu preciso partir.

Não, claro que não estou tão triste assim... Talvez, digamos, um pouco chateada.

Sei que eu te mostrei dias melhores, mostrei sua força e medi sua paciência, enquanto você destruía a minha.

Mas é melhor deixar você, seu telefone e os seus amigos. Afinal, na sua vida eles são muito mais importantes do que eu.

Sim, eu levo os sóis e luas que você me deu...
Alguns filmes que eram difíceis de discutir, a impressão de que vamos ao cinema só pra nos divertir...
Ahn, posso levar aqueles que você nunca viu?
Que alugamos e não deu tempo de ver por estarmos enroladas em beijos e abraços.

Lembra que houve um dia em que nos priorizávamos ?
Nós nos mávamos. Não menos que hoje, mas nos conhecíamos pouco. Depois que passamos a nos conhecer mais, coisa incrível, nos deduzimos em demasia e passamos a agir pelo que pensávamos uma da outra...
Mas isso não vem ao caso agora. Porque parece que te atrapalho...

Sim, ainda me demoro um pouco, não é hora de ir de todo, apenas parece que abriu-se o momento em que a cabeça começa a bater em retirada, ela não comporta tantos CDs acumulados e tantas roupas no armário...
Eu sou chata e pesada e talvez leve a sério demais coisas tantas. Por isso não valorizo coisas de suma importância como o meu excesso de papéis e essa minha mania de não guardar o que estou usando. Pode te parecer estranho, mas não consigo guardar em lugar difícil, os meus óculos para perto. Nem o relógio, nem o livro que estou lendo.Eu não quero brigar por aquilo que deixei fora de lugar, nem pela sua insistência em mencionar o que já foi guardado do jeito que você queria. Não não convém logo agora, brigar pelo o que eu fiz mesmo sem querer fazer. Não fiz para te agradar, fiz para melhor conviver. Vive melhor quem convive melhor. Vive mehor quem convive com o melhor. Também não quero ver você sorrindo pros amigos enquanto rosna pra mim...

Sinto muito o meu excesso de arquivos no seu PC, sinto muito ter trazido trabalho pra casa. Sinto muito ser essa pessoa perfeccionista, espartana que precisa de tão pouco pra viver. Sinto demais não ter rotina, não ter discilplina, ser tão desregrada e pensar que um trabalho bem feito é minha marca registrada...

Lamento não ter compartilhado contigo o mesmo afeto que tem por alguns amigos. A princípio até achei que isso era bom porque te protegia e alertava...
Desculpa talvez eu não tivesse o direito de mudar o seu mundo, alterar as suas arrumações na sua casa que é um espelho de você... E por mais que eu more nela, ela jamais será minha como é seu tudo o que tenho, mas vou te contar só um segredo: Eu jamais quis uma casa, mas eu sempre quis ter você e isso mudou a minha vida, a minha ótica e a minha ética permanece, pois que é ela que te prende a mim...

Ontem na festa, eu te achei tão bonita, com um sorriso tão aceso que me atrevi a pensar que nós estaríamos bem. Petulância a minha, achar que o melhor de você é pra mim.
Não, você continuará linda como sempre foi e mesmo que fique triste, ninguém nunca vai saber se fui importante ou se apenas somente mais uma das suas experiências.
Eu não me importo, se são as experiências tudo o que de verdade acumulamos durante a vida, é isso que quero do viver: ser experiência, ser experiente, experimentar cada coisa com a mesma expectativa de quem prova o primeiro drink...

Você vai por tudo o que fui na sua estante, o meu carinho vai rechear uma ou outra pelúcia que tenha ficado a testemunhar. Ninguém no seu reino pode ser um enfeite fora do lugar...
210408

18/10/2009

HERBERT DE PERTO - Documentário


Herbert de Perto” é um documentário que traz Herbert e seus sucessos paralâmicos para muito perto. Da musicalmente criticada década de 80 o filme foca o que ela teve de melhor.

Com depoimentos sérios, cravejados de sinceridade, traz à tona a honestidade do seu personagem central. O Herbert, um adolescente frustrado por não ter conseguido ser piloto de aviões, seguindo os passos profissionais do seu pai, um irmão emocionado que deixa transparecer nitidamente a admiração pelo irmão mais novo.

O Herbert ainda muito criança que pediu ao Papai Noel que trocasse o seu pedido de uma bicicleta por um violão que ele cortou fazendo pontilhados com um parafuso, serrou e adaptou com papelão e fita, já em busca de novas sonoridades.

Paralamas do Sucesso_discografiaO Herbert dono de tanta musicalidade, que ao estudar o instrumento com um amigo logo estava muito à frente do seu irmão e dando dicas para o professor. Várias cidades o viram crescer, quando morou em Brasília teve contato com aqueles que o acompanhariam vida a fora. Da sua vivência em Brasília diz algo difícil de esquecer, de como a vida naquela cidade para aqueles jovens, filhos de pessoas importantes dava a eles o sentimento de impunidade. Embora Brasília tenha sido apresentada ao Brasil como berço dos Paralamas, o pai de Herbert afirma que a banda nasceu no Rio de Janeiro, porque só aqui nessa cidade eles se estruturaram e foi o Circo Voador o primeiro sonho.

Do Herbert pai, marido e viúvo não há o que tecer comentários, seria antecipar a emoção, de um documentário que fala do acidente de uma maneira real, direta e digna, muito longe de drama, sem a menor pieguice, apenas um libelo do que é capaz a união dos amigos, o afeto da família. Eu vi um Herbert emocionante, sincero a ponto de dizer que não tem grandes habilidades a não ser trabalhar e trabalhar. Eu vi um Herbert que emociona, pois o filme nos dá a sensação de surpresa, a mesma que ele tem ao ver junto com a gente suas antigas imagens gravadas.

Os cortes são tão precisos que não percebemos a viagem no tempo, só nos damos conta quando vemos a imagem dos meninos dos anos 80 já barbudos, carecas mais gordinhos. A banda com um vigor que o tempo acrescentou maturidade, tranqüilidade, harmonia.

Herbert de Perto_02Assista, não tem tristeza nem depressão, é certo que algumas horas os olhos marejam, ver Dado Villa Lobos aperta de saudade o coração de quem viveu aquela época, rir com a mãe de Herbert responsável pela demissão do baterista Vital, que saiu da banda para compor sua história.

Herbert agora numa cadeira de rodas não é amargo nem triste, é um homem capaz de criar em equipe, recordando-se ainda do seu passado, apreciando o lugar privilegiado que tem nos seus próprio shows de onde pode observar tudo o que não foi possível observar quando se exercitava, dançava e corria pelo palco. Uma história real de um homem que na ausência dos seus planos construiu novos sonhos, cresceu num palco e continua sonhando com tudo o que se pode ter de melhor.

Por: Rozzi Brasil. Ong Casa da Vida.

Herbert de Perto. 2009. Brasil. Direção: Roberto Berliner e Pedro Bronz. Elenco: Herbert Viana, João Barone, Bi Ribeiro, Hermano Vianna (irmão), Hermano Vianna (pai), Tereza Vianna, Dado Villa-Lobos, Pedro Ribeiro, Maurício Valladares, Zé Fortes, Paulo Niemeyer, Gilberto Gil, Lúcia Willadino. Gênero: Documentário. Duração: 97 minutos.

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Uv33s5ltn-Y

16/10/2009

ROENDO UNHA

Uma dor fina,
funda doída...
Faz tempo!
Quem rói unhas sabe,
que é um prazer bobo,
sabe que só faz mal...
Sabe que sangra e dói.
Há coisas que são:
Há coisas que sangram
É caminho para dor,
e não tiramos o pé.
Não mudamos a rota.
Não diminuímos o passo.
O abismo,como a altura, atraí.
O único medo que não seduz
é o medo de ter medo.

À DERIVA - direção e roteiro de Heitor Dhalia

À Deriva tem uma riqueza de detalhes digna de uma reconstituição arqueológica e também escarafuncha nossa alma através do drama alheio, ao nos colocar frente à uma realidade que de uma forma ou de outra conhecemos, seja por termos vivido, seja por termos ouvido em comentários ou em tom de desabafo de algum amigo e por que não, amiguinha de infância?
O filme nos remete a vários pensamentos e passa de uma forma se não contundente muito tocante, a mensagem de que não devemos julgar com precipitação, pois nem tudo o que nos parece é. Tudo isso embalado por belas imagens, fotografia linda, ângulos bonitos e uma trilha sonora eficiente. O filme se passa numa casa de praia, com uma família atpé então prefeita em temporada de férias. Mostra uma grande turma de adolescentes e suas descobertas, mas tem cenas internas escuras e algumas tomadas da praia tem um contraste do cinza dos rochedos e um certo tom pastel como que a mostrar que nem tudo é alegria nos momentos que deveriam ser felizes felizes.
O bacana desse filme é que vamos descobrindo todas as coisas junto com as personagens. É surpreendente, por isso não dá pra achar chato, como alguns que o viram antes de mim comentaram. Podemos nos questionar com relação até que ponto somos responsáveis pelo que nossas atitudes vão gerar em nossos filhos.
Qual o limite das coisas que devemos dividir com eles.
O quanto eles podem saber sobre nós sem que percebamos e o quanto eles idealizam sobre nós sem que saibamos.
Crescer dói e a história universalíssima deste filme nos informa que chega um momento na nossa vida que não dá para nos recusarmos a crescer e este processo uma vez iniciado, não terá fim jamais e nós, por mais que tenhamos uma idéia do que queremos ou de para onde desejamos ir, estaremos sempre à deriva. À Deriva é um filme emocionante, por ser verdadeiro.
Filipa ( Laura Neiva, em seu primeiro trabalho - descoberta pelo diretor através do Orkut, flerta feroz e displicentemente com a câmera que ora mostra uma menina, ora mostra uma quase-mulher, sempre um rosto anguloso gostoso de ver) está se descobrindo como mulher. E nós sabemos que isso significa querer ao mesmo tempo que não se quer. Querer para não saber o que fazer quando conseguimos. Ela exercita seu poder e influência, sobre Arthur ainda que não saiba exatamente o tamanho da sua “autoridade”. Filipa julga seus pais a partir das suas descobertas, segue investiga, observa e se no início aparece apegadíssima ao pai, para o qual parece dirigir um olhar ligeiramente incestuoso, pouco depois “compra o barulho” da sua mãe até perceber que precisa ter seus próprios problemas, até ouvir o chamado da sua própria vida. Não sei se intencionalmente, mas este filme pareceu-me dizer que existe mais de uma forma de ouvirmos este chamado.
A mãe de Filipa, Clarice - na interpretação equilibradíssima de Débora Bloch afoga as mágoas em duas pedras de gelo e muitos dedos de whisky chegando a comover pela insanidade em que se move, apesar do mau exemplo que dá aos filhos. Ela tem a árdua tarefa de definir uma situação difícil por natureza, reveladora de sua natureza e que acaba por decidir sem raciocínio, sem se reconhecer na decisão. Clarice está à deriva boiando à superfície dos seus sentimentos seus e na expectativa de outros sentimentos não seus. O irmão mais novo de Filipa faz um contraponto que mostra a total inexistência ou inutilidade de um filho do meio, neste filme uma filha.Seu pai, Mathias (Vincent Cassel), um escritor francês nos aponta os caminhos do nosso pragmatismo, do quanto podemos estar errados ao julgar a partir do que vemos. Do quanto a nossa cultura nos leva a preconceber julgamentos que jamais se concretizarão dentro de uma razoável razão. É ele quem vai nos mostrar o quanto podemos ser capaz de nos renovar mediante certas situações e o quanto isso pode ser inútil e quanto o aceitar uma opção na qual não estamos incluídos pode nos fazer mudar nossos conceitos. É diante do inevitável fato consumado que Mathias entende o pensamento prático de Clarice vendendo os direitos do seu livro para um diretor de TV que não admira. A separação tem disso: Nos mostra uma força que não sabíamos que tínhamos e uma coragem que não sabemos de onde veio. Algumas descobertas levam alguns pelo caminho mais egoísta e tornam outros mais ternos.

Esse filme tem as tintas exatas de todo um cenário de revolução de sentimentos, desejos, interesses e costumes de uma época e de algumas fases que passamos ou poderemos passar. Tem um clima de mistério de quem está descobrindo o mundo, a vida, a morte, a violência, o corpo, amor. Com muitas cenas aquáticas, sempre temos a impressão de que algo de grave virá após tantos mergulhos e bater de pés. Tem figurinos perfeitos, muito bronze, cenários paradisíacos e atores excepcionalmente bem escolhidos. Dá pra ver se não a nossa vida, nossos medos passando na tela, de uma forma que deixamos de dar importância à gaveta revirada e arma desaparecida, afinal Mathias, está tão ausente da família exatamente por estar inteiramente submerso e flutuando nela.

CLARICES

Eu leio desde menina coisas que me impressionam profundamente.
Eu escrevo desde menina por ser uma pessoa que se impressiona profundamente, contudo, não sou um ser impressionável, simplesmente por não ser facilmente impressionável, mas impressiono-me profundamente. Há um abismo tão gigantesco entre o fácil e o profundo que eles são quase antagonistas de uma mesma ficção.

Impressiona-me a vertiginosidade de alguns autores e como alguns textos escritos por pessoas tão culturalmente diferentes de nós podem ser parecidos conosco.
Impressiona-me a minha timidez em declarar coisas como se eu fosse provida de uma modéstia falsa, pois que tratando-se de modéstia tanto a falsa quanto a verdadeira, são incômodas. Porém a falsa modéstia é útil e a verdadeira é um traste inútil, inutilizante. E aí se dá a magia de pensar e analisar sem se comparar. A consciência de sermos plenamente únicos e por isso plenamente solitários sem no entanto precisarmos ser ridículos! Impressiona-me o despudor de Clarice Lispector que se delclara desapegada da intelectualidade, escolhendo a vaidade. Como é lindo ver uma mulher linda, realizada como escritora, feliz como mãe preferir uma boa foto a um grande elogio! Uma feminilidade que transcende à uma sensualidade sofisticada. Uma firmeza repleta de delicadezas, como se ser mulher não fosse nada demais!
Impressiona-me ouvir da própria Clarice que ela é simples! Como se ser Clarice Lispector fosse a coisa mais fácil do mundo!
Na nossa pobreza reinante onde cada vez mais recorremos aos arquivos, onde as coisas já nascem velhas ou cansadas, ou gastas ou duplicadas. Pergunto-me o que seria de Clarice Lispector nesse século aparentemente XXI?
Ela seu cigarro e seus textos que não eram para ninguém.
Meu filho lerá Clarice Lispector um dia? E se ler, entenderá? E se entender, gostará?
A gente anda tão empacotado, corrido, proibido. As doenças do corpo passaram a vir da alma mas continuamos indo ao clínico nos tratar e quando essas idéias assombrosas me assaltam, eu respiro aliviada de jamais encontrar o Jardim Botânico vazio! Esqueço um pouco o cenário absurdo onde personagens infantis tiveram que crescer e já não sei se é para levar nossas crianças a ler, se é para ajudar a vender ou porque simplesmente não há tanto assim de novo por nascer...
Hoje, ano 2009, teriam crescido as personagens infantis de Lispector? Gosto de pensar que não. Já é por demais traumatizante crescer, gosto de pensar que serei igual aos meus sonhos e eles não precisarão ser como eu... E fico impressionada ao ver aqueles que se movimentam com tanta elegância por entre minas e a despeito das explosões mantem-se inteiros!
A vida até hoje impressiona-me sobremaneira! Não a vida não me fascina. Nem por ela sou apaixonada, embora eu viva de forma apaixonada e seja passional de perdersenso e juízo. A vida me impressiona e seus mistérios sim, me fascinam, de tal maneira que não vivo a desvendá-los. Convivo com eles como parceiros que me acompanham na tarefa de viver. Viver é antes de tudo uma tarefa exercida por órgãos, pelos, músculos e espírito, componentes que vivem a se repor, que vivem para se desgastarem e se auto substituirem. E nós vivemos numa eterna contra-mão, porque se materialmente buscamos substituir o antigo pelo novo, a vida é o misterioso escambo do novo pelo antigo. Ela se se renova nas experiências onde um cérebro a cada dia mais velho lida com fatos novos a casa segundo. Uma verdadeira arte de sobreviver às perdas, onde o que não mais é assimilado pelo corpo passa a ser depreendido pela alma!

Somos navios soltos ao mar, resistindo às intempéries! Pequenos navios, pesados que crescem e quanto maiores mais difícil de flutuar... Há que ter habilidade para romper o desgaste físico e substituí-lo pela destreza de navegar...

Ler, Escrever e Pensar

Essa imagem me lembra a Leticia sabatela depois da cena com a Cristine Torlone...

São 4:18 da manhã de segunda-feira. Eu não consigo dormir. Depois de passar uma semana em casa numa quarentena de 10 dias recomendada pelo médico, meu fuso horário está mais do que invertido e desalinhado por pura falta de parâmetro com qualquer trópico que seja...

Andei sim a dormir durante o dia, coisa que me deixa de mau humor. Comendo tarde e sei que serei o ser mais improdutivo profissionalmente falando.
Bem feito!
Eu poderia estar trabalhando gora, isso foi o que smepre quis pra mim, trabalhar enquanto todos dormem sem ser guarda-noturno.

Sempre funcionei melhor durante a noite. Provavelmente porque somente nesse horário tenho paz pra fazer o que mais gosto: ler, escrever e tentar pensar. E de tão poucas noites disponíveis para estes 3 atos sagrados, eis que jamais consegui exercer com propriedade qualquer um deles. Escrevo mal, leio pela metade e não penso porque não dá tempo.

Vivo a digerir coisas que não comi ou que se pudesse escolher não comeria. Não nasci para o sucesso. Nenmhum ser humano carioca que torça pelo Botafogo e Império Serrano está fadado ao sucesso!
Ninguém que em sã consciência tenha um blog com esse nome cafona e escreva um post desses almeja na verdade a fama. Quisesse a fama e escreveria "Beber, Cair e Levantar"...

Mas a vulgaridade assim como a genialidade não são para os que querem.
Pior é não ser vulgar e não chegar a ser um gênio! Para estes foram criadas as madrugadas e blogs com nomes cafonas...

(A Vida não é só feita de Vida)


Somos cheios de movimentos por dentro,
internos, interinos, constantes.
A gente não pára.
Coração, fígado,glândulas,
tudo mexendo,batendo
unhas, líquidos,cabelos,
Crescendo o tempo todo
Nos mantendo vivos e nos envelhecendo.
Funcionam à exaustão até nos levarem à falência
múltipla ou única, sempre de órgãos,
em verdade morremos porque algo deixou de funcionar.
Os órgãos, o organismo, a mente, a intuição, o reflexo...
Na verdade morremos de tanto que vivemos
Ou morremos porque vivemos...

PEDACINHOS














A felicidade nunca é completa, mas ainda bem que podemos sentir os pedacinhos de dias felizes que acontecem.
Eu sei que não teremos tudo jamais, mas algumas coisas quero, quis tanto que que é um pedaço enorme de se feliz, ainda que todo o restante me falte...

Eu ando apreensiva e com medo do futuro, mas se esse é o preço quero mais ainda tanto medo
*
2 COMENTÁRIOS:

Victor disse...
Achei seu blog falando do Escafandro e a Borboleta. Você escreveu sobre esse filme no ano passado.
Aí acabei vendo o que vc escreve e... gostei.

2 DE JULHO DE 2009 21:52
Rozzi Brasil disse...
Victor, feliz por você ter gostado. Muito feliz mesmo. bj

3 DE JULHO DE 2009 20:05

Fênomeno Impera. Ora, bolas!


A vida anda meio corrida, ainda não o suficiente para cansar e confesso que me vejo às vezes economizando pernas, tal qual se faz quando queremos que um doce dure mais e vamos comendo-o aos pedacinhos e sugando seu sabor. É, no geral eu gosto de criar expectativas para mim mesma. Acho que deixar o que mais gosto para o final é uma forma de prolongar o prazer. Sim, eu sei que é também um risco, mas isto complementa!

Dessa forma, penso N coisas que gostaria de clocar aqui no blog e dividir com os poucos que o lêem (esse acento caiu, não?) Mas "o dia amanhece e eu esqueço"... Uma coisa porém, me ficou na memória. Descia aqui a minha sagrada ladeira de Fátima onde mantenho, custe o que custar, meu ritual de ler a primeira página de todos os jornais e comprar um que só vou ler tarde da noite, completamente demantelado depois de ter passado pelas mãos de toda a equipe de trabalho e, claro, depois de saber das mesmas notícias via comentários, TV e net-cada louco com a sua mania e esta é uma das minhas! É ritual e ritos não se discute!

Eu lembro que já há muitos dias vi o nosso Imperador Adriano, com a camisa rubronegra se apresentando pra "nação". Neste dia a banca de jornal tinha fila ao seu redor. Algumas pessoas saíam da leitura sem o jornal mas com olhos faiscantes de orgulho outros com um brilhozinho de inveja. Comentário geral ao longo dos dias que se seguiram que o jogador errara ao "vender" a idéia da aposentadoria e tão rapidamente ter mudado de opinião. Sinceramente, isso é o mais plausível de toda a história, porque de idéias podemos mudar a todo segundo. Uma olhada, um cheiro, um átimo e estamos lá passíveis de idéias diferentes. Bem, que ele tenha ou deveria ter uma assessoria a gerenciar a comunicação das suas idéias já é um mérito no qual não entro. Respeito o grande Imperador como um ser humano que tem direito de mudar suas idéias, ir e vir como qualquer cidadão deveria ter o direito e a grana para tal., com exceção dos que se casaram, é claro... Mas isto já é outro assunto.

O que senti e que nunca mais deixei de sentir foi uma estranha sensação de que o Adriano não daria à torcida rubronegra tantas alegrias quanto o Fenômeno presenteia a torcida corintiana. Por que? Vai lá saber! Uma idéia, um sentimento tão pertinente quanto a vontade de se aposentador do moço!

Eu admiro Ronaldo, tanto, tanto que discordo de tanta feiúra que dizem, ele tem. Sério! Não o acho tão feio assim. Prefiro sua careca a esta cabeleira cultivada atualmente e acho que a ligeira correção nos dentões o deixou muito bem e poderia ter continuado até colocar todos eles no lugar. Mas nada disso é mais importante e forte do que a determinação deste rapaz. Com certeza é o seu amor pela bola e o agradecimento que ele tem a Deus pelo dom recebido que o faz marchar em frente a despeito de de toda e qualquer adversidade, seja ela fatalidade ou sequencias de um deslize. Ronaldo não é o menino certinho e modelo de virtude como Kaká, nem o eterno menino como vemos o Robinho. Ronaldo é um cara que gosta de cerveja,comida, noite, farra.

Li há bastante tempo em algum lugar que ele ao ir para o PSV, submeteu-se a um tratamento muscular tão intenso que teria desenvolvido mais massa muscular que seus tendões poderiam aguentar. Penso nisso quando o vejo falar sobre seu percentual de gordura em baixa e a silhueta roliça que serve de gozação para os especialistas em futebol. Eu sinceramente, entendo pouco tanto de uma coisa quanto de outra. Mas prefiro acreditar no Fenômeno do que em qualquer um que venha ridicularizá-lo. Com exceção do Bussunda (que Deus o tenha) acho que ninguem mais tem o direito de fazer isto!

Ronaldo é um cara que gosta da vida e dos seus prazeres, que afia a língua defendendo o seu direito de ter vida privada, que demonstra muita e, acredito genuína, humildade. Talvez por isso ele vença cada desafio que lhe é proposto e se saia bem de cada encrenca na qual se mete. Não dá pra ter muita disciplina sem uma boa dose de humildade e pitadas generosas de amor ao um trabalho que exige abrir mão de tanto do que se gosta. Ronaldo é talento e superação. Coisas que vão muito além dse sucesso e salário. Um adolescente engraçado e sem jeito que vira deus no gramado gordo ou magro. E eu não consigo ver o Imperador da mesma forma. Adriano é bonito e tem um sorriso lindo e um olhar safadinho. (Não sei porque nenhum cronista de futebol fez este comentário...) Quis se aposentar da Europa porque da bola ele até gosta, mas me pareceu que gosta de outras coisas tanto ou quanto. Havendo dificuldades não sei se daria uma arrancada fenomenal em prol do seu manto sagrado...

Ronaldo treinava no Flamengo, deu mole para o clube, não deixou de declarar seu amor pelo time e seu desejo de ali encerrar sua carreira. Mas o Flamengo deve ser manhoso e acostumado que está a seduzir, não foi rápido o suficiente na conquista. O bom e véio Curintias, leva o fenômenos debaixo de apupos, promessas de vinganças, ofensas e xingamentos rubronegros. Todos diziam que por ser uma contratação promocional, ele jamais jogaria de novo e que se jogasse jamais se veria fenômeno algum de novo... Não se deve subestimar um suburbano, jamais! Prinicpalmente se ele ama o que faz e ja não depende de provar mais nada a ninguém. Assim, espero que Adriano por seu sorriso,sua careca, seu brinco e olhar safadinho, não decepcione aqueles que esperam tanto dele e que eu esteja errada, como não estive quando nnuma roda de colegas rubronegros apostei que Ronaldo arrebentaria e arrebataria no Corintians e que estava feliz por ele mais uma vez ter mostrado personalidade, obstinação e muito amor a bola, ao futebol e aqueles que realmente o valorizam. É falei, sim que todos os comentários e provocações não passavam de um tremenda dor de corno de quem só deu valor quando não tinha mais.
Bem pessoal, é isso. Falei os dois grandes e bons mas tão diferentes meninos de subúrbio. Dois assuntos que não comentei mas que me atormentavam... Afinal, tô treinando trilhar um caminho de maldita e diz a lenda que mulher e futebol nada a ver...
*
2 COMENTÁRIOS:

lella disse...
Vi ler enquanto almoço...

Menina! Escreve muito bem!

Embora longe desse tema - Futebol -, mas mais próxima do outro - superação. Assim, após ver, e sentir com ele aquela dor em pleno gramado... onde tudo parecia ter terminado... ele, o Fenômeno, está ai, com a alegria de uma criança, em campo de novo. Merece todos os aplausos!

Também, a você, os merecidos aplausos!
Beijão,

p.s: bem que poderia posta o texto no Harém.

28 DE MAIO DE 2009 11:38

Milk A Voz da Igualdade: Pouco Barulho para Tanto


“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” e felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiros não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção. Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.
Até ver o filme eu não tinha a mais vaga idéia sobre quem era Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em “armários” ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.
Milk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região na qual vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora a responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que um hétero…Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.
Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt ( James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível!
Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não gostar de carnaval... Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.
No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.
Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho - e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!
Em suas panfletagens, conhece Cleve Jones (Emile Hirsch). Ele não está interessado em política, não quer saber de ativismo, está com dinheiro no bolso indo para a Espanha. Sou obrigada a concluir que grandes ou pequenas causas não movem um cidadão comum, enquanto elas não lhe arranham a própria pele. Gay ou não, somos individualistas e ponto. Cleve Jones, irá reaparecer no filme, após ter “quebrado a cara” com o seu “amor espanhol” e terá uma participação de destaque na história.
Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média.
Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade, utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!


Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade.
O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008, nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.”
A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

Vários Poderes

Fatos vindos da superfície desencadeando coisas secretas no meu reino secreto. Tenho tido grandes lições sobre pequenos espíritos. Gente míope golpeando à distância aquilo que já estaria tão perto.
Perco o sono e já não me sinto tão feliz. O idealismo não salva o mundo, apenas serve para entristecer nosso coração diante da realidade do que deixamos de ser, acovardados diante da saudade da juventudo que deixou escrito em algum canto tudo o que planejamos sem coragem de ser. O idealismo que não salva o mundo, nos entristece diante d arealidade que é a fidelidade aos nossos ideais que alimenta os facínoras do poder... Sua fome, sua ganância, suas vaidades e seu sadismo de ver sucumbir diante das suas incapacidades a pureza de um sonho que era para mais que um...

CRUEL

Eu queria dizer que te amo
e não dá tempo.
Eu queria te fazer um poema
e perdi o talento.
Eu me tornei guardiã do que você tem,
do que você me traz.
Agora vejo de longe o sonho de felicidade,
é pra longe que o sonho vai,
depois de tornar-se real.
O que fica é o de fato e o direito
e as coisas concretas são tão chatas!
Nada pode ser mais cruel
do que aquilo que podemos tocar.

Made in China

O natal passou... Graças a Deus! Não aguentaria tantas tarefas e compromissos que essa data me impõe!
Quem aguentaria mais de uma vez no ano as musiquinhas infernais que tocam os papais noéis da China? e aquelas lampadinhas que devem ser de lá também!
Depois que o mundo passou a ser fabricado na China, tudo me parece tão igual, banal e barato! Fizeram aquela abertura de olimpíada monumental e mandam pra cá essas coisinhas irritantes que se quebram só com o olhar!

Que venha o carnaval, que um dia foi nacional e agora é pra gringos e endinheirados! Eu fico com o samba, torcendo para que a China não comece a fabricá-lo também...
*
lella disse...
O pior das bugigangas made in China é saber que os preços são tão baixos por explorarem a mão-de-obra do povo de lá.

27 DE DEZEMBRO DE 2008 03:18
Rozzi Brasil disse...
E oferecem a ilusão de crescimento, siguerindo aos outros paises que o façam também...

28 DE DEZEMBRO DE 2008 20:37

sem titulo

Ai, cadê o meu lado engraçado?
Ficou a vista alheia e escondeu-se de mim...

Felicidade

O segredo da felicidade está em sabermos quando estamos felizes, o que nos faz felizes. Encontrar a felicidade não é uma questão de busca, é uma questão de encontro, um encontro que não marcamos. Justamente a expectativa de encontrar é o que nos torna felizes. Felicidade procurada é prenúncio de ansiedade e certexa de tédio futuro. Está feliz quem se considera feliz. Pessoas são felizes por não saberem.

1 COMENTÁRIOS:
Sara disse...
Eu acho que a felicidade está dentro de nós, mas nós estamos tão obcecados em encontrá-la que nem procuramos no lugar mais óbvio: nós.
Não sabemos procurar. Em vez de querermos bens materiais, porque é que não procuramos nos nossos sentimentos? Às vezes olho à minha volto e penso " sou feliz, não sou rica, não sou famosa, não sou um génio intelectual, mas sou feliz". Eu tenho sonhos, e normalmente isso basta para me fazer sorrir e deixar de me considerar uma infeliz. Odeio ser uma coitada.

9 DE FEVEREIRO DE 2009 07:51

Lemon Tree

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Um filme sensível, de belíssima fotografia com excelente e linda atriz. Beleza a despeito da idade ou justamente por causa dela, me pareceu uma perfeita palestina retratando a Palestina. Salma Zidane (Hiam Abass), numa primeira cena aparece cortando limões e fazendo compotas. Vê-se em suas mão a habilidade de quem breve terá um limão não azedo mas muito amargo para cortar...
O filme recheado de muitas sutilezas, delineados por clarezas deixou-me ligeiramente deprimida por sua carga de injustiças e dominações daquelas que nada podemos fazer a respeito até que percebemos que por maior que seja o oponente e por menor que seja o oprimido, notamos o quanto de covardia pode haver nesse clichê “o que eu posso fazer?

Vive Salma com seus mais de 40 anos, a plantar seus limões, a cuidar do seu pomar, plantado há mais de 50 anos por seu pai. O maior adubo das árvores são com certeza, história e lembranças, e seus frutos transformam-se em limonadas que nenhuma personagem deixou de exclamar como deliciosa.

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Entre muita solidão e algumas lembranças, Salma vai levando a vida, viúva, com filhos criados vivendo distante, até o dia em que ganha um vizinho, de nome Israel, ministro da defesa do Estado homônimo. Um chefe do Serviço Secreto supõe que o pomar de Salma seria o um caminho estratégico para terroristas que quisessem atentar conta a segurança do ministro. Ela recebe uma carta comunicando o fim do seu pomar e que seria indenizada por isso. Começa aí, um pesadelo temperado por esperança e perseverança. O primeiro passo é traduzir a carta escrita em hebraico. O segundo buscar ajuda. O filho que mora nos EUA, não pode sequer terminar com tranqüilidade o telefonema; a filha casada e com 2 ou 3 filhos e marido é mais comovida com sua própria penúria que pelo drama da mãe e, no local onde estão apenas homens onde ela consegue de um “amigo” a tradução da carta. Tudo o que ela consegue saber além do conteúdo, é que nada pode ser feito, arbitrariedade similar já ocorrera com todos por ali e ela, palestina, não pode aceitar nenhum dinheiro israelense... O egoísmo que sacode por lá é o mesmo que paira por cá...

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Salma Zidane contrata um advogado (Ali Suliman), indicado pelo genro. Eles vão à corte onde sequer conseguem falar. Ela decide recorrer a Suprema Corte. A partir daí, sentimentos desdobram-se diante de atos e fatos. É sutil e delicado porém perceptível o envolvimento e quase sedução madura de quem não pretende uma entrega mas compreende o direito feminino de mostrar-se bela: Numa cena onde ao atender o advogado que bate à porta, ela decide não usar seu hijab; nas cenas onde ela passa o seu baton e naquela, em que ela tira o mesmo baton para atender alguém que chega e que não é o advogado. A delicadeza com que o medo é mostrado é a mesma que mostra o modo das personagem ir em frente.
É clara a solidão de Salma quando ela conta que quando não há uivos de lobos, ela se sente só e quando eles uivam ela se sente uivando com eles. É claro a sua obstinação quando ela em uma única frase resume a espinha dorsal de todo o filme: “eu já sofri demais” (e por isso exatamente por isso, ela vai à luta e não entrega sem resistência tudo aquilo que ainda possui e que lhe traz paz de espírito, sua casa, seu pomar, suas lembranças, suas tradições culturais. Não importa o preço ela paga!)

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Lemon Tree,é um filme tocante que mostra a intolerância daqueles que já acostumamos a ver como vítimas. Mostra a disputa e os poucos lados da única questão que é querer o que é do outro. Tomar posse simplesmente por achar que se tem direito por ser o mais forte, o detentor do poder, da autoridade. É o que demonstra a visita de um provavelmente parente do finado marido, a dizer que mantenha limpa a memória do falecido. Não importa de que lado esteja a força, ela estará forçando sempre o mais indefeso... Assim, a atitude ou falta dela com a qual se responde ou se corresponde às situações nas quais o uso arbitrário da força nos coloca.
Esse filme é baseado numa história real e, talvez por isso mexa na ferida que é a impotência consentida ou não e seus descaminhos.

Mira (Rona Lipaz-Michael) surge no filme, numa situação de felicidade e futilidade. Ela é a feliz dona de casa judia, casada com o ministro da defesa de Estado de Israel. Durante os preparativos para a festa de inauguração da casa, eles têm uma conversa que demonstra que se ela faz algumas concessões, não significa que seja desatenta ou que ignore os fatos. O nível de tolerância do ministro é claramente demonstrado quando Mira sugere iguarias árabes e o marido, depois de breve rodeio bate o martelo escolhendo o cozinheiro e que este faça apenas comidas kosher...

Mira, se envolve na causa da sua vizinha árabe, através de olhares e atitudes que irão perdendo a timidez ao longo do filme. Esse filme é um grande filme muito mais por aquilo que induz do que pelo que mostra. Muito mais do que a disputa entre palestinos e israelenses, mas por mostrar a forma como cada uma dessas culturas tratam suas mulheres, semelhantes e rivais. Espera-se um comportamento respeitoso sem que nada se faça para realmente o obter, nisso em que eles são diferentes dessa nossa cultura tão ocidental e moderna?

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Exceção a essa regra, é o misto de empregado, pai de criação e melhor-amigo- que- parece- não- dar- muita- confiança, o bom velhinho que recusa convite pra almoçar mas se interessa em saber sobre a visita da filha de Salma, o que demonstra que ele percebe a sua solidão mas por motivos culturais, vê esta solidão como algo inerente ao destino de uma mulher viúva e árabe, o que não o impede de ir às “vias de fato” com Ziad. Dessa forma, essa personagem que não sei o nome deste ator que desconheço, é o único que não vai até Salma fazer-lhe cobranças e imposições por seu comportamento, como se um relacionamento, quando precisa ser proibido, fosse de competência única e exclusiva da mulher, afinal ela é o pecado, o homem só erra por ser tentado.... Conhecendo Salma desde criança ele confia nela e só no final do filme entendemos essa forma de relacionamento sem conversa, apenas por atitudes, sim, exatamente da mesma forma como se “comunicam” Salma e Mia...

Em filmes que falam pela ausência de palavras um quadro na parede pode dizer muito de uma produção, tanto quanto o casaco que uma personagem veste. Reparem além da foto do marido de Salma na parede, a foto do craque Zidane no quarto de hóspede e o agasalho verde e amarelo de Ziad.

lemon-tree

O par da nossa heroína, Ziad Daud deixa claro que há os que se acomodam sem motivos para mais uma luta, pois desistiram, porém tendo uma boa causa, se empenham e se aplicam em vencê-la, o que não significa que seus horizontes se expandirão muito além dos seus interesses pessoais. Outra lição que o nosso advogado nos passa é que nem sempre o melhor aliado para uma luta seria melhor companheiro para nossa vida...




3_escrever

Agora, uma anotação muito pessoal:

Eu que cresci vendo nos telejornais essa loucura palestino-judaico (ou seria vice-e-versa?) sem nunca ter compreendido muito bem, ao que um dia um professor me disse que “se fosse fácil eles já teriam se entendido e nós simplesmente estudaríamos história”, óbvio que tomei o caminho mais fácil de não buscar entender nada tão complicado. No entanto, por influência da 2ª guerra, tenho como muitos da minha geração, o vício ou tendência de ver os judeus como vítimas eternas. Este filme me sinalizou que já passou da momento de rever vários dos meus conceitos. O mundo é muito mais do que nos diz as fantasias americanas.

Por: Rozzi Brasil. Blog: Crônicas Urbanas.

Lemon Tree (Etz Limon). 2008. Israel. Direção: Eran Riklis. Elenco: Hiam Abbass (Salma Zidane), Doron Tavory (Defense Minister Israel Navon), Ali Suliman (Ziad Daud), Rona Lipaz-Michael (Mira Navon), Tarik Kopty (Abu Hussam). Gênero: Drama. Duração: 106 minutos.
*
lella disse...
Grata por compartilhar tão belo texto!
E adorei o novo layout do O Reino Secreto!
Beijo grande,
*
27 DE DEZEMBRO DE 2008 03:13
Rozzi Brasil disse...
Nossa! Coisa boa receber a sua visita aqui no meu obscuro reino!
Fiquei feliz pela visita e por ter gostado da carinha 2009 no Reino.
Obrigada Val!
28 DE DEZEMBRO DE 2008 20:39

QUEIME DEPOIS DE LER

burn-after-reading

Queime depois e ler, é uma piada, que fará rir quanto mais despretensiosamente for assistido. Lava a alma de quem já cansou de ver americano salvar o mundo ou apenas um homem americano acabar sozinho com a banda podre do mundo.
Ver a liberdade sexual e o divórcio virar brincadeirinhas de pessoas depressivas, fúteis e entediadas em vez de a salvação afetiva que o mundo precisaria aprender com a América.
Ver o quanto uma americana acima de 40 valoriza a amizade e sua necessidade vital de fazer cirurgias estéticas.

É isso, um agente da CIA é demitido ou levado a demitir-se, quer virar consultor e escrever suas memórias e sua mulher grava em CD esse arquivo que é levado paras as mãos erradas pela gorducha secretária que malha numa academia onde se encontram tipos hilários e improváveis...

"Queime Depois de ler", achincalha o poder. O poder da mulher empregada em detrimento do marido que pede demissão por motivo de orgulho profissional.
O poder da Inteligência Americana e sua relação com os crimes ocorridos em função dos seus próprio erros.


O filme começa com uma tomada de imagem via satélite muito legal e com uma música que sinceramente, gostei. A imagem "invade" o prédio da CIA e mostra a demissão arbitrária de um agente nível 3. Ligeiramente deprimido ele vai pra casa e não consegue contar à mulher da demissão, pois ela está ocupada com os preparativos para receber visitas, um casal amigo que o marido detesta, aliás eles se detestam mutuamente. Tem o agente que em 20 anos de serviço nunca usou a arma e os caras da CIA que há tempo no poder nada fazem de sério, relevante ou coerente. Enfim, o filme vai brincando com tudo aquilo que os americanos levam a sério e que nós nos acostumamos a acreditar.
A noção exata de que se trata de uma comédia chega com Brad Pitt dando uma de detetive, vigiando a casa de um suposto espião, dono do CD com uma inimaginável dancinha de braços, simplesmente impagável! A cena do armário, achei excelente! Nunca achei tão divertido ver alguém morrer, então o filme tem um humor negro funcional.
Excelentes atuações porque comédia, afinal, não é pra qualquer um.


queime-depois-de-lerUma comédia sobre falsos espertos querendo faturar uma grana e sobre todos tentando se livrar uns dos outros. Enfim, é um filme que não vai deixar lembrança, vai te dar umas breves oportunidades de riso e talvez satisfaça aquele lado todo-americano-é-ridículo.
O que aprendemos com o filme? Que não se escolhe filmes pelo trailer, nem pelos atores bonitões; que depois de pago um ingresso ele até pode pode valer a pena, se a sua alma não for pequena...


Por: Rozzi Brasil. Blog: Casa das Fadas.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen. Elenco: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt. Gênero: Comédia, Crime. Duração: 95 minutos.

DOmingo 7 de dezembro de 2008

Vivo um momento em que grande percentual dos meus amigos são vascaínos.
Não sei como isso se deu. Mas por um motiVo também inexplicável, considerando que no termo "amigos", incluo os conhecidos, colegas de trabalho e os de relacionamentos eventuais como clientes, estou muito mais feliz com estes amigos do que estava com os amigos que tinha antes, na sua maioria torcedores do Flamengo... Por que? Não faço a menor idéia, mas esses meus amigos atuais são mais leves, menos passionais, diferentemente dos donos do mundo, eles têm uma cota menor de propriedade dele. Emba que na sua configuração de felicidade os resultados do time tenham influência

Assim, fiquei triste com a saída temporária do Vasco, da chamada elite do futebol brasileiro.Pensei em cada uma dessas pessoas e assistindo ao jogo torci embora já saiba que quando além do nosso próprio esforço dependemos do resultado de outros, o ato de torcer é um paliativo para algo iminente que ainda não estamos preparados pra aceitar de prima...

Sobre Morte

Sobre a minha morte, não ligo a mínima.
A morte dos outros é que me incomoda,
dói e me inconforma.

Caraca, ter uma saudade que nunca mais vai passar.
Ver coisas que deveríamos ter feito
e não poderemos mais fazer por aquela pessoa ou com ela...
A morte com o seu "nunca mais" é uma barra pesada sem fim.
A gente até parece que esquece, mas não passa, não.

Depois de ter perdido grande parte da família eu tento viver de modo a fazer todo o possivel e que esse possivel,não tire a parte impossivel que tenho que fazer por mim.

Na teoria funciona,
na prática,
o mundo é louco,
o tempo é pouco,
muitos não me dão oportunidade
de alguns com certeza esqueço,
e no final amadureço...

Medo de morrer não tenho, nenhum tiquinho...
Mas eu queria deixar o mundo salvo antes de partir.
Não queria ir sem ver algumas doenças curadas,
alguns politicos presos.
alguns amigos lentosos fazendo sucesso...
Pra isso me indicam a reencarnação,
mas no momento não sei...

CULTURA

Quando escrevi o post aí debaixo, era julho. Eu não tinha visto a "Noviça Rebelde", nem queria ver. Estava caro, era longe e eu não gosto de musicais! Certas coisas estão escritas e podem mudar todo o curso de uma vida. Em outubro, ganhamos 30 ingressos para levar as crianças dos hospitais onde atuamos para ver. Lembramos também das crianças da Casa Ronald, mas como tudo estava muito em cima da hora, elas já tinham outros planos para o Dia da Criança, embora este fosse o mais interessante, poisa não é todo dia que crianças sem saúde e muitas vezes com pais sem grana (uma coisa normalmente leva a outra) podem ir a um teatro estalando de novo, ver uma super produção que atravessa os tempos totalmente indiferente a qualquer linguagem moderninha.
Assim, juntei as crianças possíveis e lá fomos ver a "Noviça" que se recusa a envelhecer mantendo-se rebelde, que eu tinha na minha memória como Julie Andrews na sessão da tarde, da tv da minha antiga casa com uma imagem pequena e desbotada. Então, acontece um espetáculo dentro de outro, na porta a expectativa de receber crianças que chegam com olhos acesos,ávidas pela novidade, dar prazer, levar alegria é realmente tão gratificante quanto ter quem nos faça feliz. No teatro, o milagre 2, achei a peça divertida, muito superior ao filme e as crianças estavam em êxtase. Muitos pais ainda mais maravilhados do que os filhos. Você sabia que tem pessoas com mais de 20,30 anos que nunca pisaram num teatro? Pensar nisso dói. Coisas que não se faz por gosto, coisas que não se faz por total impossibilidade, mas se não tiver a chama transmitida de um olhar pra outro, a alma permanece às escuras. De certa forma essas crianças que tiveram um programa, terão mais sede e poderão buscar oportunidades para chegar em lugares que até então não sabiam existir, mas antes elas precisam sobreviver à doença e as condições adversas que embaçam as possiblidades de cura... E depois combater a ignorância dos que querendo acertar, acabam por errar, por nunca terem tido não sabem o quanto podem fazer falta...
Cultura é assim: Perceber que o que está flutuando inquieto dentro de você está sendo realizado por alguem em algum lugar. Só é bom quando podemos participar, do contrario, invejamos e menosprezamos aquilo poderia nos salvar.

Balanço do1º Semestre


julho 2008.
Mais de 6 meses do último reveillon e acho que Papai Noel já botou s renas a caminho. Logo depois do Dia da Criança ja vai ter cheiro de neve falsa no shopping. Neve falsa, dinheiro de plástico, cheques voadores, promoções inverídicas e sabe-se lá mais o que o nosso consumismo é capaz de provocar na imaginação dos empresarios...

Não sou o que se chama de pessoa endinheirada, muito pelo contrário. Não sou uma intelectual, apenas gosto de ler na praia, na condução, no trabalho porque em casa teno mais o que fazer ou me dão muito o que fazer, gosto de alguns filmes absurdos, que intercalo com filmes possíveis porque não tem graça ir ao cinema e não ter com quem comentar...

Eu vi Batman, na primeira semana. O Escafandro e a Borboleta, Crônicas de Nárnia, Homem de Ferro, Crime e Reparação, Piaff,Elizabeth, Beijo Roubado e mais de uma dezenas de filmes que não estou lembrando agora.
Fui ao teatro pra ver Otelo, Divina Elizeth, O Diabo Veste Saara, O Processo, e mais umas peças que já tenho dúvidas se pertencem a este semestre ou algum outro do ano passado... Vi coisas boas e ruins, mas continuo achando que o mais importante da cultura e da arte é ter com quem comentar ou debater, interação, pois a arte não pode existir e haver em si mesma, por mais que nasça na solidão ou o artista precise de sossego pra criar, nenhuma arte é completa se não ganhar mundo, olhos e corações. Depois, se tivermos pendores artisticos, localizar portas e chaves por onde se possa evadir nos baço leves e frageis da inspiração, fugir das garras possantes da obrigação!
Por isso eu escrevo, porque estou viva e para manter nessa vida besta alguma sanidade.

Algumas coisas não quis ver como "A Noviça Rebelde". Ah! Chega de cortinas virando roupa de gala! E não gosto de musicais, embora ame música.
Agora começo a achar que faço a linha garota-agora-mulher-deprimida-e-do-contra. Daquela que sobrevive quando todos pensam que ela vai se jogar da ponte; se esconde quando todos vão procurá-la na festa e quando deveria estar estar no fundo do poço, aos prantos, ela sorri!

Posso dizer que parei de fumar. Não aguento o olhar delator dos em volta quando pego o isqueiro. Ah, Se eu tivesse dinamite em vez de cigarros para acender com ele... Estaria fazendo com os não fumantes o que eles já fizeram comigo inúmeras vezes! E olhe que nunca fumei em lugares fechados.

Comentário: Batman

Se vc é do RJ, a melhor opção é mesmo os cinemas do Centro nos fins de semana (pref.domingo). Tem um movimento anormal para findi, mas não é nada tão complicado. No Palácio colocam umas senhorinhas, only duas, na bilheteria e elas já esqueceram que jovem tem pressa e o filme tem hora pra começar, são muito leeeeeeeeeeeeennnnnnnnnnnntaaaaashshshshs (entende?) A sala tem 229 lugares e havia uns poucos lugares vazios, ou seja, é muito mais problema adm do que excesso de platéia. E depois, minha querida, aquele café impagável no Odeon com pão de queijo pra comentar o filme na esquina, huummmm! O chope acho caro. Se vc for de chope corra pra Cinelandia, o debate esquenta e dá pra falar alto….

BATMAN


Domingo, Cine Palácio, Rio de Janeiro. Não consigo de imediato saber se a fila para a compra de ingressos está maior que a fila para entrar na sala e a fila da pipoca não fica muito distante em tamanho também. Bastante gente, vozerio, confusão. Pela primeira vez deixei de assistir a um filme do Batman na estréia. Estrategicamente, abandonei os shopping e deixei pra vir no domingo, que segundo dica de amigos, os cinemas no Centro estão vazios. Meus amigos devem ser muito tagarelas, pois, inteligentemente todo mundo traçou a mesma estratégia, e lá estava eu enfiada no meio de uma bem comportada multidão (ainda assim multidão) e sem o ar condicionado do shopping o que me fez pensar se não havia traçado uma estratégia suicida… But, no stress, o morcego merece!

Não me preparei para ver esse filme, apenas me concentrei para o baque triste que seria ver o Heath Ledger. Não li nenhuma crítica e não perguntei a ninguém. Ao ‘Batman Begin’, assisti 4 vezes, a este precisarei multiplicar esta quantidade em função de tanta qualidade, porque é um BAT FILME! O filme é sobre o Duas Caras, tem um Coringa que será inigualável (entendo que nunca é tempo demais, no entanto mantenho: inigualável = jamais será igualado.), tem metáfora da vida de como o homem perfeito deixa de sê-lo, tem diálogos muito legais pra um filme de ação. Ação? Não só, mas também. Batman é um filme com bastante ação, muito suspense, algum drama, uma pitada de romance, que desencadeia tudo o que acontece no filme e ainda mostra que para grandes atores não existe participação discreta, leia-se, Michael Caine e Morgan Freeman. Duas horas e trinta e cinco minutos e achei pouco.

Acontecendo quase que totalmente à noite, todas as cenas são bem visíveis, inclua-se aí as de lutas, totalmente superiores às dos outros filmes. Batman se torna mais um personagem no meio de tantas excelentes atuações, mas retoma a sua veia de detetive, mostra toda a sua inteligência e mostra que não é tão dependente da criatividade genial e conhecimento tecnológico do Lucius Fox (Morgan Freeman).

Creio que seja a melhor história que já vi em filmes de super-heróis. E aí todo mundo já sabe a resenha sobre Gothan. Na cidade tomada pela corrupção e outros crimes, Batman ganha o reforço do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), o “Cavaleiro Branco” legítimo representante do povo, que luta sem máscara e sem medo de colocar a “bagaceira” do crime atrás das grades. Com quase toda a máfia na cadeia, os remanescentes em liberdade aceitam uma proposta de um louco corajoso e anarquista que não quer o poder, quer instaurar o caos na cidade, quer levar as pessoas ao seu limite.

Sim, o Coringa de Ledger é o mensageiro do caos, aquele que quer mostrar que todos tem um lado oposto ao lado bom e que, bem manipulado vem à tona e prevalece. É como se ele soubesse a moeda de troca de cada um, ele sabe os valores de cada uma daquelas boas pessoas e faz o que precisa fazer pra ver esses valores ruirem.

Estranhei dessa vez a voz de Bale, acredito que seja porque neste filme, Batman fala muito mais que no anterior, onde só falava frases curtinhas. Mas se em Begins víamos um Batman que sabia se controlar, nesse Cavaleiro das Trevas o bicho pega! O Coringa tira realmente esse Batman do sério. Na cena do interrogatório na delegacia, vemos o nível da loucura desse Coringa que me pareceu um endemoinhado com alguns trejeitos de Jack Sparrow à beira de uma crise manicomial, histriônico, absurdo, assustador e pasmem: engraçado. Nesta cena, o maluco parecia agregar à sua loucura o efeito de qualquer droga que tenha adormecido o seu couro. Tudo para o descontrole do nosso herói! E se numa cena anterior Batman repreende o promotor de que não era certo trucidar um capanga debilóide do Coringa, à frente do palhaço ele se esquece disso e “manda ver” até perceber que ele não assusta o palhaço malvado.

É realmente um grande filme, uma grande história, uma grande direção e como se não bastasse, recheado de grandes interpretações. Umas poucas bobagens passam pela nossa cabeça quando por exemplo, tentamos entender como o Coringa consegue plantar tantas bombas em tantos lugares sem que ninguém veja e como fica no hospital um paciente tão importante, mas essas questões são expulsas da nossa mente mediante o que vemos na tela.

Eu particularmente fiquei com uma sensação de que o meu herói perdeu e perdeu feio. Sossego, amor, amizade e um tanto do juízo. E não é pra menos, afinal, testemunhei como um cidadão do bem, parceiro de luta pela justiça pode transformar-se num vilão depois de perder o que mais significava pra ele, deixando-se naufragar no ódio e na vingança. Senti uma certa mensagem de desesperança, amargura nesse nascimento do Duas Caras. Ver o promotor acima de qualquer suspeita, transformar-se num feio e deformado me pareceu uma metáfora do que acontece quando perdemos o controle e nosso emocional vai para onde não consegue mais voltar. Mas que maquiagem! Só acho que ele falou bem demais, Se o Coringa queria mostrar que a verdadeira face de Harvey Dent não era a que todos viam, consegue. Aliás, neste filme, Coringa consegue quase tudo, só não consegue matar o eterno morcego e é neste filme que se conhece em profundidade a BAT ALMA do morcegão.
Em tempo: Não vi o Heath Ledger, só o Coringa estava lá…
em 24 de julho de 2008. No blog Cinema é a Minha praia

Deusa Urbana disse...
E o Palácio vai acabar...
Que tristeza!
Não se pode gsar de nada quenão seja kinoplex!

1 DE DEZEMBRO DE 2008 20:09

Coments: Closer Perto Demais


Foi nesse filme que me apaixonei pelo Clive Owen.
É um filme para se rever a cada momento da vida em que não tenhamos desistido da aventura que é conviver, amar, o que acaba por muitas vezes a nos levar frente ao nosso reflexo no espelho do outro…

“Muito louco” esse filme, que pode nos trazer a reflexão que ali ninguém amava ninguém, mas todos se amavam muito…
Tal qual na vida real… Quando colocamos no amor a expectativa das carências atendidas; que no amor está implícito receber; a troca que no cotidiano acaba por tornar-se barganha e, muitas vezes, o que chamamos de amor e felicidade é o prazer não só do sexo, mas da conquista que segue como posse…

O meu mundo é lotado de de Annas, pessoas que não ficam sozinhas, precisam de um par constante mesmo que tenham que trocá-los constantemente (o filme começa com ela recém-separada, permitindo-se ser atraída pelo Dan e logo depois casada co Larry).

Conheço muitos Larrys, capazes de relacionamentos superficiais on line, que arriscam por trazê-los pro mundo físico (quando ele encontra a Anna, supreende-se que ela seja tão bonita).

A porção Dan é a que está mais presente no nosso mundo, aquela coisa de testar o sex apeal, de insistir numa paquera, o “não” parece estimulá-lo enquanto ele não adquiriu seu objeto de desejo. Ao meu ver ele é a versão masculina da Anna, começa tendo uma namorada de nome Ruth, vai morar com Alice, se apropria da sua vida escrevendo um livro baseado nela e enquanto isso mantém um caso com Anna, que por sua vez, sabendo-o comprometido, sapeca-lhe um beijo, seduz como se fosse apenas seduzida e segue casando-se com Larry.
Entendo, às vezes é difícil escolher, às vezes o atendimento às nossas necessidades está diluído em pessoas diferentes…

Da 1ª vez que vi este filme, não tinha percebido que Alice era a grande invejada da trama, embora não tenha sido a escolhida. Dessa vez a vi como aquelas personagens dos contos de fadas que esperam pelo príncipe encantado, ainda que não espere sentada, ativamente ela espera.

Ela poderia amar Dan por toda a vida, se ele soubesse ou tivesse aprendido conhecê-la, entender que ela realmente o amava, que muitas vezes estar fisicamente com alguém, não significa estar amando alguém, alguém que pense assim pode ser striper sem trauma, sem culpa e sem traumatizar. Alice não tinha culpa e vivia bem com isso. Dan poderia ter percebido que a única ambição de Alice/Jane era ser amada com carinho e verdade. Ela nunca trazia bagagem e acostumada que era a separar razões e emoções, desta vez não traz sequer um nome. E se Dan viveu com ela tanto tempo sem sequer descobrir seu verdadeiro nome, como poderia conhecer sobre o seu amor? Interessado que estava em ter exclusividade sexual, entretido na competição com Larry, ele não olhava para nada que não fosse ele mesmo que se refletia em… Anna(?)

Sim, Dan ama Anna que o ama também! Mas este é um filme sobre as contradições que nós criamos, sobre as dificuldades que sobrepomos ao que já não é tão fácil, ainda que seja simples. Sobre a nossa falta de coragem de encarar nossas fragilidades, defeitos e dificuldades de escolha (e quem sabe, por que não, buscar terapia?).
É ai que Larry deita e rola, ou melhor, deita e dorme.
***
Larry merecia um “capítulo” à parte.
Qual a mulher que nunca trombou com um homem desses ditos experientes, que seduz, conquista, briga por sua posse, joga com a sua culpa (pra ele mulher boa é a culpada que enquanto remói as culpas não sai de casa) pra dormir no final?
Sem falar que, ele pecebendo a natureza depressiva da pobre coitada, acha que fazer feliz é fazer com que ela permaneça infeliz (assim é se lhe parece?). Repito “muito louco”, tipo o masoquista implorando ao sádico que pare de torturá-lo….
Grande filme, agendei pra rever ano que vem.
***
Esse blog me faz feliz demais! Onde poderia escrever essas coisas, que pasme, penso?

Em: 28 dejulho de2008 - no blog Cinema é aMinha Praia

Coments: Um Beijo Roubado


Esse filme me prendeu já nos primeiros diálogos, tipo uma identificação imediata. Muito fofo!
Achei que a Elisabeth, aceitou provar a torta blueberry porque ela iria para o lixo sem nunca ter sido tocada. Bem legal essa colocação de que não há nada de errado com aquilo que não é escolhido, como muitas vezes o que é escolhido não tem nada demais. Mas bem que pensei, nunca na minha vida quero ser a torta não escolhida, embora, prefira sempre eu mesma escolher…

Achei um pouqunho arrastadinho em alguns momentos, mas não gostei menos por isso. Gostei muito desse filme que a mim pareceu falar da necessidade que temos de nos perder de nós, para nos achar.
Do quanto é difúicil nos desapegarmos daquilo que imaginamos ser nossa, vida, nossa salvação, nosso amor. Muito tocante a situação de um casal quando o amor acaba de um lado, sendo substituido por um outro sentimento que a parte abandonada não entende, não respeita, não aceita. Mesmo as boas criaturas são capazes de atrocidades amorosas.
Mas o que me enterneceu foi perceber que mesmo alguem sensível, observador e com uma cabeça eternamente em movimento pode ser sossegado e permanecer o mesmo e no memso lugar. Eu que sempre associei conhecimentos assimilados com inquietação e mudança. E a constatação do Jeremy de que não se pode mais fumar em lugar algum…

Lella:

"Oi Rozzi!
Além da torta ir parar no lixo, creio que também ela sentia ‘fome’. O filme para mim evoca o alimentar uma relação. Mas ai, depende do que? Como na canção: Você tem fome de que?

Mas também uma relação não deve ser uma via de mão única. É preciso que ambos estejam motivados para que ela prossiga. Ceder, sempre, só de um lado, em algum ponto vai haver cobranças. E muitas das vezes, pesadas.

O Jeremy não é um cara ambicioso. Seu Café, já dava a ele chance de mostrar o seu talento"

Rozzi:
Sim! Mas a inquietação que eu falo traz a ambição que ele tinha, uma sede de evolução, um amadurecimento. O que quis dizer que sou uma pessoa que se mudo me mudo e achava uma coisa inerente a outra e percebi que não necessariamente…. Entendeu?
Talvez esse seja o grande lance do filme… Conhecer as diferenças do outro, entendê-las, sem necessariamente praticá-las embora de certa forma delas participemos…

Veja: O Jeremy, queria ser atleta, viajar, quebrar recordes,ganhar premios. Acabou por criar raizes, fixou-se e a principio parecia parado no tempo, um guardião de chaves (e chaves eram dores, desiluões, fim de romances) inclusive a dele próprio.

No entanto, era um cara que sabia se mobilizar pelo que queria. Capaz de roubar um beijo, de enrolar um cigarro e tê-lo sempre à espera, de procurar por telefone todas Elizabetes em restaurantes de Detroit(? esqueci… mas não importa).
Mas é a partir desse beijo roubado que ele se movimenta, então, desde o ultimo “toco”, nada de interessante acontecia na sua vida, nada que valesse a pena algum esforço, a não ser a rotina dos sabores (isso é nome de poema rsrssr).

Ele tinha um interior em movimento, observando, vendo, vivendo, só o seu externo parecia estar parado, como constatou a ex namorada que o visitou durante a viagem da Liz e depois dessa visita as chaves desaparecem, ele muda, esconde a fita e refaz o filme desta vez consentidamente (viagem minha, ok?)

No diálogo final com a Liz, por sinal eu achei primoroso! Leslie diz que ela precisa aprender não confiar e Liz responde que Leslie precisa aprender a confiar.

Não são atitudes, posturas, pareceres, diferentes que separam… Diante de uma desilusão amorosa, Liz viaja e Jeremy fica, cada um a seu modo conseguindo limpar sua área, juntar seus cacos pra um recomeço. Isso é divinoooooo!

Eu achei esse filme de uma riqueza esculachante! Vou ver de novo sim. Até pq pretendo montar um almanaque de desilusão amorosa com arranhões reduzidos…

Qto ao talento do Jeremy, do jeito que é fofo nem precisava saber cozinhar…E ainda beija bem!

Em 22 de julho de 2008 - Comentarios no bog Cinema é a Minha Praia

Coments: O Escafandro e a Borboleta



Vi na quarta-feira o “Escafandro e a Borboleta”. Aqui no Rio, no Odeon. Não há multiplex que me tire o prazer de ir ao um “cine rua”. Ir ao Odeon, é fazer parte do nosso próprio filme. Estou meio zonza, ainda.

Não sei exatamente o que lhe dizer. Não assisto filmes com olhos críticos, eu sou uma pessoa que acha que “cinema é a melhor diversão”. Não dispenso o papo com os amigos depois da sessão e regamos os comentarios e opiniões com um chopinho…

Diferentemente do que eu imaginei, não chorei nem me comiserei. Digo que sufoquei no ângulo restrito do olho esquerdo de Bauby. Me angustiei com a vista embaçada e a escolha de cada letra de cada palavra.
Estou mais pro negão voluntário, sem nenhum jeito pra coisa.
Não deu pra comparar com outros filmes com temas similares, esse cara era um cara que queria viver.
Fomos ao extremos de uma situação pra perceber que a vida é feita de poucas coisas pequenas que valem realmente a pena e não a vemos enquanto tempos tantas outras coisas importantes pra fazer. A 1ª comemoração do dia dos pais…
E tudo começou quando ele decidiu deixar de ter pena de si mesmo. Simplesmente foi em frente, fazendo o que tinha pra fazer, da maneira como poderia ser feito. Não se abrigou em nenhuma religião e achei interessante isso, ele segue vida em frente, passando pelos obstáculos, cumprindo tarefas. Continuou simplesmente sendo a mesma pessoa, porque talvez, o que sempre o sustentara e ele não percebia era a porção sonho e imaginação que ele tinha… Criatividade, bom humor.
Uma tragédia e ele fala com tanta simplicidade, as randes descobertas que elvaram a humanidade foram simples: Uma roda, uma fogueira e agora piscadelas

Em:11 de julho de 2008 - cmentpario no blog Cinema é a Minha Praia

E POR FALAR em VIVER

O Chico escreveu e cantou
"tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu"...
Eu não queria ser assim
essa pessoa do jeito que sou
assim... Entende?
Tão educadinha.
Como eu queria
saber mandar o mundo se danar!
Eu não ficaria assim, desse jeito assim entende?
Rindo por fora, triste por dentro
Sofrendo no meio
Como um bolo,
um pão, um recheio...
----------------------------
Acho chato saber tudo
Então digo que não sei
Sai no prejuízo quem entende tudo
Então finjo que não entendo
Não sei contrariar
Então não argumento...
-----------------------------
As pessoas falam
Mas não é pra ouvir sua opinião
É so pra serem ouvidas
Então eu só escuto...

Se não quer saber o que pensa
Não me pergunte
pois, eu também não pergunto

Chico, não parti, nem morri
Reparti e vivi
Tempo demais pra chorar
Tempo de menos pra tudo que ainda tenho
que vivir...

E por falar em vivir
Tenho saudade da minha amiga espanhola
Espanha não fica na Europa?
Por que ela não parece européia?

COMENTÁRIO

Difícil manter a assiduidade e terminar a estoria afinal!
Só vou poder postar outra vez na quarta... Se até eu não esquecer a estoria que estava contando...rsrsrsr

Pros amigos de fora:
Tá um sol de rachar! Parece que Deus resolveu fazer as pazes com quem trabalha em escritório (fez um puta sol no findi depois de vários findis mormacentos com cara de finados) e com quem vende cerveja na praia... Agora só falta o Lula tbm liberar um aumento pros pensionistas comprarem seus remedinhos na santa paz!

Em 04/12/2006 from Net Log

AMADEUS

Eu revi Amadeus, o filme de Millos Forman. E foi como se tivesse sido pela primeira vez... Depois da sessão de cinema da tarde de ontem não consegui mais ficar feliz... Estou incomodada, apreensiva. Não se trata apenas dos ecos que porventura despertam no nosso coração a maldade, a inveja, o orgulho e conseguintemente o egoísmo. Não! Algo mais simples e complicado está naquele filme, naquela vida daquele gênio...

Fazemos sessões de cinema eventuais, como é um programa de quando a grana acaba, esse even tual está cada vez mais frequente. Comentamos depois, discutimos, não raro discordamos principalemnte eu, que sempre vejo o que não está na fita... Edepois deste antigo e premiado Amadeus não fui capaz de articular palavra porque a cabeça estava cheia de pensamentos que não se traduziam na forma como tinha visto o DVD, mas em algo que de repente pesou-me no coração...
Mais que a frieza nas articulações de Salieri, mas que seu egoísmo, inveja e equívoco religioso ao fazer o pacto com o Deus dele... Mas o que me espetou? A ingenuidade de Wolfie.
A abstração a qual a musica o levava que o incapacitava de ver qualquer sentimento que não fosse puro, bonito, só a beleza, a alegria de viver/ver a vida eram válidas.
O pai que Salzburgo usufruia da grana que ele pudesse ganhar, a mulher dependia desta mesma grana, grana essa que nunca aparecia, porque ele era genio e na ânsia de ser amado,dissipava em festas, roupas e alegria o que sabia, queriam dele...

from net log em Segunda, 22 Janeiro 2007 às 13:37

NOITE BRANCA 1

Noites, Erros, Acertos

Noite quente, sangue quente! É bem verdade que muitas coisas estiveram dando errado por aqueles dias. Fiel assídua da Oração de São Jorge, leitora eventual do Evangelho Segundo o Espíritsmo, frequentadora do Culto do Evangelho no Lar, no início da semana deparei-me com uma leitura que dizia sobre oferecer a outra face... Magina!
No entanto, nunca havia pensado que calar diante de alguma contrariedade pudesse realmente ter um resultado digamos, interessante. Vamos pegar leve que não sou tão religiosa quanto possa parecer... Mas algumas coisas dão muito errado porque sou vaidosa, muitas vezes quero ter razão e nem sei se tenho realmente...Eu tenho a pior das vaidades, a vaidadede dizer que não sou vaidosa... A vaidade de nos momentos de acerto, ser a verdade absoluta, essa coisa pisciana de humilde com muito orgulho!Naquele dia resolvi calar. Não era justo, não estava certo mas de vez em quando, mostrar nossa contrariedade e insatisfação exige uma decisão e certas decisões não sabemos se são acertadas até que a tomemos. Assim, cansada e pouco a fim de argumentar fiquei calada, deixei pra lá.
E foi indo. Deixamos as diferenças de lado e partimos pros eventos culturais. O ambiente mágico do CCB, o chazinho, o bolinho, o croissant... Conjecturas e imaginação solta sobre o Antonio Francisco Lisboa, ar condicionado e depois a Casa França Brasil com seu calor tão isuportável quanto excitante, música negra, figurinos exóticos. Na Cinelândia, já noite, ainda montavam a estrutura dos próximos eventos, um grupo mostrava o hip-hop mas não era bem aquilo e não dava pra esperar o que mais viria...

Papo leve, esquecemos das coisas que não valem a pena, que o dia-a-dia nos traz como a correnteza de um rio que deposita em suas margens galhos folhas secas, lixos...

Então tá! Morar no Centro tem uma coisa boa, você pode decidir não ir pra casa mesmo de pois de estar em casa...

NOITE BRANCA

Dia especial!
CCBB e depois Casa França Brasil. Estava ainda meio tonta com o Aleijadinho... Pensando tanta coisa... Exposição linda e agente fica imaginando que Deus é realmente misterioso e deixa sinais por todos os cantos. Não há como não se impressionar com essa figura. Não a figura de Deus que já é por demais impressionante, mas a do Aleijadinho. De repente me via querendo saber se ele havia estudado arquitetura, porque não tinha casado, minha companheira de aventura me responde que era devido as suas deformidades, aí respondo que ele só as adquiriu aos 40 anos e naquele tempo todo mundo casava cedo... Não vi na exposição nada que matasse essas cruéis e vis curiosidades mesmo depois de ter assistido aos 2 documentários. Decido que ele não casou porque trabalhou o tempo todo! Surpreendo-me com o fato de ele ter projetado igrejas - ora, eu achava que ele era apenas escultor! Descubro que ele tinha uma equipe, nunca parei para pensar que ele não poderia ter feito tanta coisa sozinho...
Nunca vi os 12 profetas "pessoalmente" e fiquei pasma ao perceber que eles tinham deformidades como o seu criador! Ora, devo ter dormido na aula ou o mestre nunca me falou de uma fato tão relevante! Afinal, conheci Francisco Lisboa na 5ª série e mais me impressionou na ocasião o fato de ele ter trabalhado com as ferramentas atadas às mãos... Feri o pulso com um cinzel naquela tarde tentando esculpir um pedaço de madeira!(eu só tiha 11 anos)
Deus, aquele homem acreditava em Ti, e tinha certeza de que iria para o paraíso e não deixou nada pra depois, trabalhou com amor e revolta, criou aqui na terra o paraíso no qual estive ontem na Noite Branca e outro nome não seria mais apropriado... Viajante pelos ouros de Minas e entalhes barrocos, compreendendo ou tentando entender aquilo que a escola falhou ao ensinar, boquiaberta diante da fibra daquele homem, fui abordada por uma senhora que nos convidou a ir à Casa França Brasil assistir BAMAKO, uma exposição de fotos de autoria de profissionais da África e da Diáspora africana com música afro e um desfile de modas idem.
Do conforto do CCBB para a simpatia e calor alucinate da Casa França Brasil. Mas um fim de tarde primoroso! A Candelária contra as luzes avermelhadas do poente! O DJ negro e lindo, a música maravilhosa que deu vontade de esperar o desfile!
Ambiente quente, tema quente e meu sangue fervia! Era bom estar ali e na Noite Branca rever meus ancestrais em versão techno, com mix...
Depois conto mais
Em 26/11/2006

AMIGOS (?)

Ser famoso é bom! E não tem tanto a ver com a vaidade, pelo menos no seu lado mais conhecido. O reconhecimento espontâneo e verddeiro irriga a alma e dá corda à vontade e imaginação.
Algumas coisas são belas porque são geniais, no entanto precisamos privar-nos de dizê-las, mas ter orgulho de um trabalho bem feito é bom, mas sentir orgulho de um reconhecimento bem aplicado e maravilhoso e quem vai entender isso?
Melhor não comentar, o nosso sucesso incomoda muito mais a uma certa gama de amigos que à faixa de inimigos... Não podemos dizer que são amigos falsos, são amigos de determinados momentos e estes sempre dizem o que gostamos de ouvir, daí são promovidos a categoria de amigos quando sabemos e não queremos saber o que realmente são. São aqueles que agora estão pensando se a minha conta bancária aumentou e esperam eu passar de carro pra averiguar qual a marca e modelo e mediante isto me dirão: "parabéns!"
*
1 COMENTÁRIOS:
lella disse...
Disse tudo!
E a delícia de se ter um amigo de verdade, é poder dizer tudo. Sem ter que pisar em ovos.
Eu ganhei um presente ao conhecer você. E logo, logo vamos poder se olhar nos olhos, selando de vez a amizade que nasceu na net.
Prometo que não vou chorar :D
Ah! Já notou o quanto sou desligada, né :D descobri há pouco mais esse.
Beijão,
1 DE DEZEMBRO DE 2008 16:39

EM FRENTE

Então foi um tremendo sucesso. Um sucesso que não deu pra curtir. Eu acho que não sei exatamente o que estou fazendo quando me lanço nas coisas impensáveis. Uma única pessoa tocando uma produção cheia de gente, num teatro daquele tamanho. Eu confio no destino, entrego minha vida nas mãos do destino e o que diz respeito a trabalhar, eu caio dentro, não penso, não vacilo, vou ter toda uma eternidade pra descansar, já fiz tanta coisa que não gostava, porque querer folga agora quando faço o que amo?
A diferença começa a existir enquanto os outros dormem eu trabalho. Enquanto os outros passeiam e só penso... Mas teve gente que dormiu e acordou a tempo de subir ao palco e tentar tirar uma casquinha. Fiquei triste, deprimida e chateada. Fico pensando, como um ser humano pode ser tão cara de pau... E como eu pude ser tão ingenua d acreditar Enfim já foi.Fcou a festa, a semente e experiência. Na hora certa as pessoas certs se mobilizam e as erradas também.Mas há sempre alguma coisa que podemos fazer e a coisa mais certa que faço é seguir em frente.

15 de SETEMBRO

Amanhã é o grande dia do meu primeiro grande show. Acordei com um frio na barriga...
Estou tremendo desde cedo. Por mais que se providencie tantas coisas, muitas atrasam. Um monte de coisa dá errado. Está frio e chuvoso o tempo na Cidade Maravilhosa e penso que isso pode impedir que alguns de ultima hora saiam para ir ao teatro, por isso mesmo eles deixaram para ultima ahora... Não enfrentam adversidade e poupam seu dinheiro...
Que pena eles não sabem que num tipo de show como este nada é perdido...
Adversidade é ter uma doença que nada fizemos para que a tivéssemos...

Um amigo militante da causa gay falava sobre a facilidade ou dificuldade de conseguir conscientizar as pessoas para as precauções a fim de evitar-se o virus do HIV(ou talvez devesse eu, dizer soropositividade...).
Falei para ele que era muito bom ter recursos para se impedir uma doença, o que não acontece com câncer, que independe de tudo... Um traço tragico que acolhe pessoas de todas as idades, raças... Uma coisa ruim que gruda em crianças que nada fizeram
Não há como impedir, não temos como evitar, não sabemos ao certo de onde vem e soubéssemos de que adiantaria?

Somente a solidariedade para aliviar a dor de quem está nos braços de uma doença com a qual não se envolveu...

Amanhã é dia de show, boa sorte e longa vida a todos que lá irão!
Boa sorte e longa vida aos muitos que compraram entradas e não comparecerão, é uma pena, é gostoso estar junto sempre...
Tudo de bom e obrigada a todos que de uma forma ou de outra participaram ajudando a divulgar, até mesmo se preocupando e torcendo.
CADA INGRESSO, MUITAS VIDAS. COLABORE COM ALEGRIA!
SALVAR UMA VIDA NÃO TEM PREÇO.
SER SOLIDÁRIO É UM RMÉDIO PARA CÂNCER DO EGOÍSMO.
RECLAMAR DE BRAÇOS CRUZADOS, NÃO VAI ADIANTAR NADINHA...
A morte por bala perdida é a mesma que ronda os leitos dos doentes. A diferença é a mídia...

VEM! PRA ESSE SAMBA, VEM!

SEM TÍITULO

Tenho vontade de morrer.
Não vejo mais o que eu possa fazer por aqui...
E se eu doar o que tenho para os pobres,
não creio que algum deles irá querer.

Cansei dessa situação de problemas se repetindo ad infitum

CRESCER

Quando ele fez 15 anos eu senti como se estivesse num aeroporto aguardando um vôo que no meu pensamento aterissaria mas no meu sentimento decolaria. Chorei várias vezes durante o dia, sem saber exatamente porque. De certa forma era como se estivesse havendo uma despedida. Sentia os meus 15 anos tão próximos, que poderia contar tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Foi assim, a minha infância me visitou, inteira, toda de uma única vez.

De repente era uma saudade de algo que não perdi, mas sabia, estava prestes a perder. Aquele menino não viria mais correndo até mim. Ele nunca mais me pediria mingau na hora da novela, ele nunca mais veria novela... Talvez ele dispensasse os passeios que sempre fizera questão. Talvez eu não pudesse mais lhe fazer algum convite interessante. Ele não era mais um pequeno ligeiramente desajustado que não conseguia fazer amigos. Ele hoje tem muitos amigos. Finalmente, foi apagada aquela festa da casa de praia!Ele é tão melhor hoje do que há tempos, mas não é mais meu bebe... Ao mesmo tempo uma alegria por tudo o que ele tem pela frente, orgulho pelas conquistas e descobertas mesmo que elas não fossem mais divididas comigo. Pensar não ser mais necessária doeu mais que ter de decidir coisas difíceis.

Parecia que tudo seria pela última vez e dava medo a sensação de todas as primeiras vezes que viriam. Aquele rosto infantil criando barba, engrossando a pele. Aquela voz estridente desaparecendo no ar, como alguém que embarca pra não voltar mais. Exagero, eu sei, mas senti. E todos aqueles dias que a gente viveu sem pensar e sem avaliar cobravam agora suas notas. Sempre tem algo que poderiamos ter feito melhor. Porque no fundo por mais que tenhamos nos esforçado, sentimos um dia a sensação de que não foi o suficiente ou que poderia ser melhor? Meu pensamento me responde que nos aprimoramos a cada dia, aprendemos com os minutos que passam por mais que não tenhamos nos dado conta disso, as manhãs nunca nos encontram no mesmo lugar, nem do mesmo tamanho, o sol nos modifica como muda as cor das árvores, das flores e amadurece os grãos.

PEQUENOS PECADOS


Essa coisa de pôr o talento a serviço da grana do sem imaginação mas com talento pra ganhar dinheiro é dose!
Tem gente que é bom pra caramba no que faz e tem gente que além de ser bom dá uma sorte danada!
Esse é o crivo do destino que abençoa aqueles que terão sucesso.
Eu nunca acreditei em sorte, eu achava que bastava ter talento, trabalhar muito e o resultado positivo, em sucesso, fama ou grana seria conseqüência.
Engane-me!
Percebi isso depois que vi o filme Match Point.
Vc viu esse filme? Veja.
Basta um segundo de sorte pra catapultar qualquer FDP ao sucesso e, abre parênteses, tem gente que é FDP mas cria oportunidades ou seria exatamente por isso que são uns FDP?
Não sei. Veja o filme assim que der. Tá na locadora, tá na net pra baixar. Eu só baixo filme estrangeiro, mas sou obrigada a confessar que comprei o Tropa de Elite Pirata e quer saber? Não me arrependo e ainda vou ver no cinema.
Pequeno pecado como voto na eleição, o meu foi apenas um, mas meus amigos me culpam até hoje pelas barbaridades gramaticais e sem-noção do Lula... Quer saber? Ultimamente me culpo também, porque foi um erro pela insistência e na ocasião eu nem percebi que se eu não tivesse votado nele, nada aconteceria de diferente. Uma gota no oceano polui o continente? Polui, sim... Então não importa a quantos filmes nacionais eu vi, nem quantos amigos arrastei para o cinema, importa que eu comprei uma mídia pirata de um filme roubado de um estúdio de dublagem e declarei que votaria no Lula. Poderia ter feito, só não deveria ter contado... Isso já deu filme também, chama Pecados íntimos. Muito bom, tanto o filme quanto pecar...
E o que você tem a ver com isso?
Fico imaginando uma pessoa e seu trabalho com duração prevista de 30 dias, sem pode enrolar, fugir tomar um café porque tem prazo para entregar. Penso que "apanho" para conviver com os prazos.
Tenho alma de artista e artista tinha que ser intuitivo, sem compromisso nos moldes antigos daqueles que morriam de tuberculose como os poetas , loucos como Van Gogh ou os dois como Mozart.
Acho que essa vida de artista regrada e tecnológica é um saco!
Hoje não vou trabalhar, vou pra praia e amanhã tudo vai sair como mágica do meu desktop...
19, setembro 2007

MEU TIO

Meu tio foi a prmeira pessoa totalmente negra que tenho lembrança de ter visto. Ele era bonito e tinha coisas diferentes de toda a família, como por exemplo, gostar de ler. É certo que ele lia umas coisas esquistias Pequenos livros de bolso, recheados de páginas de papel que me parecia pior que jornal e com tantas letras que por mais que buscasse uma figura, gravura, desenho, não encontrava.

Vinha na hora do almoço. Almoçava, deitava na cama da minha avó lendo os livros que nunca sabia quando eram substituídos por todos me parecerem tçao iguais. Eram histórias de 'westerns' que, a princípio não conseguia saber se eram boas ou não, os livros serviam-lhe para cobrir seus olhos quando dormia sem que ninguém percebesse. Após esse ritual, ele ia embora, no início levando uma carrocinha de madeira que ele puxava carregando suas ferrametas de trabalho: uma vassoura enorme e uma pá de metal. Depois ele montava na sua bicicleta e suas ferramentas de trabalho passaram a ser uma prancheta, planilha e caneta.

Ele andava o bairro todo de bicicleta, tinha um defeito físico que só percebi de crescida, assim como demorei um pouco a perceber que os seus livros eram bons de se ler, embora eu ainda preferisse, livros com folhas brancas e lisas, fontes grandes e desenhos ou fotos, ainda que não gostasse tanto de revistas e apreciasse fotonovelas. Mas estas quem trouxe para o meu universo foi minha mãe.

Meu tio era uma figura inominável. Os comenários eram de que ele na juventude era extremamente vaidoso, vestia com muito apuro um terno branco de linho e eu ficava a imaginar aquele negro tão bonito e magrinho, de terno branco ecepcionalmente bme passado e me vinha à mente, hoje, só hoje eu sei, uma imagem dessas que estamos acotumados a ver de malandro que smboliza a Lapa.

Ele tinha uma voz muito bonita, muito mais bonita que a do Nélson Gonçalves. Cantava seresta. Tinha muitos anos de casado e mais de 10 filhos. Morava numa casa de madeira que a gente tinha um certo receio de denominar como barraco. Um quintal com umas 3 casas e aquele barraco e muita criança correndo. Todos decerto modo, parecidos. Morenos de cabelos negros e olhos mais negros ainda, Todos tão felizes quanto mal arrumados e esbranquiçados de tanta brincadeira e correria. Na cozinha a louça sem lavar empilhava-se. Pela sala e quarto as roupas se espelhavam como num cenário de novela, de livro naturalista. Mas eu via como aqueles primos eram felizes! Eles tinha liberdade e faziam coisas que eu jamais poderia sonhar.

Eram raras as vzitas, mas quando aconteciam eram inesquecíveis, no entanto esses primos eram muito melhores como visitas do que como anfitriões. Com excessão de um deles, que tinha o cabelo mais liso e era o mais levado e nos visitava com mais frequencia por ser afilhado da minha mãe. Menino engraçado! Ma deixa estar os primos para lá. Lamento, mas não tenho saudades, saudade tenho do meu tio. Com tantas crianças em casa a mim não parecia que fosse um adulto vidrado em crianças e suas artes...Seria overdose

SOLIDÃO


Há uns momentos de solidão por mais pessoas que estejam a minha volta. Como se fosse estrangeira,como se viesse de um país distante, como se falasse uma língua estranha. Ouvem-me e não me entendem...

Há momentos que me sinto fora do tempo, deslocada de uma vida que construí e conheço inteira. Dá um medo de abrir a boca! Encaro os olhos que estão pela frente e são tão indiferentes...

Há momentos que lembranças me assombram, invadem o meu presente e me surgem calafrios... Um desconforto em estar vivo, um preguiça de me mover. Deve ser assim que alguns enlouquecem deve ser por isso que muitos se esquecem e vivem assim, esquecidos de si, projetando-se em outros, falando pra outros que deveriam falar a si próprios, falando de outros o que deveriam falar sobre si mesmos. Esquecer-se, uma outra forma socialmente aceitável de enlouquecer. Esquecer-se num casamento, numa família, numa igreja, num trabalho em tudo que poderia ser uma outra coisa qualquer.

Eu queria ser aquela pessoa simples que vende tapioca, aquele ambulante que faz piada debaixo do sol pra todos que passam. Eu queria ser uma linha reta, contínua sem aclive nem declive, eu queria acordar todo dia igual (não importando se no fundo, lá no ouvido da alma soasse aquele apito que nas UTIs informa o fim das atividades vitais).Esperar ansiosamente o fim de semana e sair por aí vivendo um dia depois do outro como se nada tivesse acontecido. Ignorando fatos, aguardando o próximo capítulo da novela. Sem dúvidas entre Flora e Donatela.

E se eu cantasse, seria só MPB, eu não queria ter essa alma que grita rouca roquenrou, nem imaginar o pensamento do outro, nem duvidar que tenho sorte, nem ansiar por um rosto mais bonito, desejar uma alma sem dor, sem ferida, sem partida. Trocar essa alma velha que me acompanha por mais que eu troque de corpo e mude de par e fale aos amigos...

REVENDO o VÍDEO


2006
A mão que se arrebentou tocando violão agora se estraçalha no teclado sem compor uma única nota a não ser tec-sherec-tec-tec-tec...

Nunca se sabe ao certo quando deixamos dormir a arte nas nossas vidas...
Não sei quando decidi não mais ser artista... Se é que desisti(há decisões que a vida toma por nós). Acreditei nas palavras da família careta, da mãe repressora que acreditava que cantar num bar não era o início de uma carreira saudável, mas uma queda para um abismo de coisas que na época eu nem sabia que existiam... Verdade que hoje, esses abismos elevam, dão um ibope danado com as meninas... Verdade que tendemos temer o que não conhecemos, acreditamos porque nos convem, logo se nos plantam na alma o medo jamais acreditaremos em nós.

Muitos anos depois, descobri que toda a criança faz um microfone do fio da enceradeira, do cabo da vassoura do frasco de desodorante...
É engraçado, talvez. Mas desisitr dos sonhos é ridículo!
Pergunto-me às vezes, o que se lucra seguindo as normas, acreditando nos pais, crendo no país. Muitos podem não lembrar mas esse já foi o "país que vai pra frente"... Não foi e eu também não. Somos pacífico demais, achamos que política é complicado demais, que política é pra políticos e não vemos que os políticos são interessados demais neles mesmos para se sentirem parte de um contexto onde nós estamos incluídos...

Deixamos a política para eles e nos interessamos mais pela diversão e achamos que o trabalho é a saída... Falando com sinceridade: não consegui nada trabalhando e ainda fui trabalhar no que não gostava porque todos riam quando dizia que meu sonho era cantar Rock. E riam mais ainda quando mudei de idéia e percebi que escrever era mais fácil do que cantar, porque pode-se escrever solitariamente...

Um dia eu descobri não ter perfil para o palco...
Logo depois descobri que todos me assistiam... Acompanhavam-me como se eu fosse uma novela. Era mais fácil do que gerenciar suas próprias frustrações... No entanto bato palmas tão bem e com tanto gosto! Para mim, poltrona o lugar mais confortável de qualquer sla de entretenimentos seja ao vivo seja em celulose ou DVD. Enganam-se os que pensam que decoro o texto, que faço pose. No máximo, o que acontece é que o meu corpo chega a qualquer muito antes da minha alma. Minha alma se atrasa e só chega depois que os olhos fez todo o seu trabalho, encontrando um local para me esconder ou alguém pra me amparar.

Eu sou um vídeo de mim mesma, com um roteiro que comecei a escrever tarde demais e o maior problema é a direção...

IMPÉRIO


21/11/2006
Fui assistir como um presente do destino.
Estava programada pra tantas coisas, mas a minha agenda modificou-se repentinamente.
Ia à uma festa no Méier que na última hora transferiu-se para a Barra e passou a ser no mesmo dia da peça. Na dúvida ia aos dois programas, mas a peça era mais longa do que eu imaginei e ir pra Barra não era nenhum problema até que pensei num pequeno detale a volta... Deu uma preguiça... Já estava tão tarde... E depois daquele teatro, não queria outras músicas mais na minha cabeça. Queria ficar assim pensando na beleza daquelas vozes, na delícia daquelas melodias.
Império é uma peça que aborda assuntos irritantes e revoltantes de um modo que não dói. É divertida e rechada de muitos talentos. Não vi nada que não fosse bom, a não ser o lugar que sentei... Mas disso não posso reclamar, afinal 200 pessoas voltaram do teatro para casa, pois o Carlos Gomes não cabia mais ninguém!
Achei viagem o figurino, jeans estonados com aplicações de strass e galões dourados na corte portuguesa! Um tremendo bom gosto.
E as deliciosas brincadeiras com o nosso passado de corrupções, tramóias, soluções coronelescas para assuntos governamentais e td que até hoje estampam nossos noticiários
O Brasil não mudou tanto assim, mas hoje é mais divertido e nada teria sido o mesmo para nossa cidade não tivéssermos sido refúgio e "degredo" da família imperial portuguesa.
Uma detalhe que achei demais: Qdo a corte portuguesa decide retornar a Portugal, tds aparecem com mantos e capuzes negros e velas na mão dando um efeito muito bonito, mostrando um certo luto para a cidade que perderia o glamour. Quando a cena retorna com todos idos e somento D.Pedro I e a Imperatriz, a cena é clara e todos aparecem de branco, a liberdade e um regente que gostava da colônia que ele amava como a um país parecia estar ali representada.
Eu não sabia ou pelo menos não me lembro que DPedro I tinha um irmão, nem que ele por ciúmes/inveja queria ser rei. Preciso rever a história do Brasil...
Era Carlota Joaquina uma astronauta?

Obrigada meninas pelo maravilhoso presente!
A festa na Barra?
Vai ter de novo e vou bem mais culta...
Na vida nada se perde, com tudo se aprende e apreende.
Se for com Fallabela, vive-se!
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rbrasil (Quinta, 11 Janeiro 2007 às 00:26)
HOJE, OU MELHOR ONTEM O FALABELLA RESPONDEU POR E-MAIL ESTE POST DELICADEZA PURA! ELE MERECE TODO O SUCESSO QUE TEM!

O BALCÃO

(foto do blog terça parte)

Lia uma crônica do Arthur da Távola.
-Caninha da Roça!
-Não tem.
-Qual?
-Caninha da Cidade.
-Cidade...
Baconista de má vontade. A crônica colada numa folha de fichário é colocada num canto do balcão.
-Põe um pouquinho pra provar.
Um olhar de suplício, de condenado ao patíbulo. Então tem que provar uma cachaça genérica, clone da famosa...
Então não eram todas as cahaças extamente iguais? Elas acendiam o fogo da churrasqueira tão bem quanto um pouco de álcool puro... E qual é o bêbado bebe pelo sabor?!
O negro alto e forte, bigode arrepiado, dois dentes faltando, um ar de sommelier, altivo, orgulhoso enquanto o líquido claro caía no copo de vidro exalando-se.
-Mais um pouco!
Torcia boca e bigode. Os dentes ausentes, faziam anunciar que a qualquer momento a língua se estalaria num sonoro aaahh indecentemente vago na expressão do eterno bebedor de cana que jamais saberemos se é dor ou prazer.

A jovem no balcão, leitura interrompida, sonhos interrompidos, lia o fracasso desenhado naqueles rótulos coloridos daquelas garrafas que viravam sempre de cabeça para baixo, derramando-se como quem derrama lágrimas sem motivo aparente. Havia melancolia nos seus olhos e o desejo de levar à forca qualquer um que interrompesse o único prazer que ainda se dava ao luxo de ter.

25/07/1992 * 03/10/1992 * 05/03/2008

A ZONA do CRIME



Ontem fui ao cinema...
Eu juro que queria ver "Homem de Ferro" ou Speed Racer", talvez eu esteja num "Eterno Retorno"(Friedrich Nietzsche)vai saber...
O fato é que me vi assistindo "Zona do Crime"...
Não vou negar que Carlos Bardem me atraiu.
Afirmo que outra atração é o filme estar ali pertinho e ser uma produção latina que acompanho e em algum canto da minha cabeça comparo, sem me dar conta, com os nossos nacionais.
Sim, eu sei que somos latinos a despeito da língua, até gostaria de ser um pouco mais andina, mas percebo que ninguém faz filmes como fazemos-isso, nem no bom nem no mal sentido, apenas no sentido que brasileiro tem jeito único de imprimir a película e gravar vídeos...
Tenho sempre a sensação de estar diante de uma doce e maravilhosa irresponsabilidade quando vejo moverem-se nas telas as nossas carinhas tão conhecidas e as que não são acabam por assim ficar. Mas a grande responsabilidade do meu ingresso computar para o histórico de audiência do filme é das malditas resenhas!

"Zona do Crime" (La Zona), o filme é bom, é ótimo. Mas dói. Era um filme mexicano e logo na 1ª cena que lembro, vejo... Cercada de um muro presidial dotado de concertina e tudo, uma favela...
E eu lembrei de um certo nosso ex-prefeito cujo sobrenome era um título de nobreza que aventou a possibilidade de aqui no RJ, contruir-se muros que separassem as favelas dos condomínios.Você lê Allan Kardec? Pois é. Imagina a cara que fiquei no escurinho do cinema.
Fala-se tanto de tanta coisa que me pareceu perceber em mim de repente que favela é um produto made in brazil... Como que naquele filme mexicanos tinha uma favela???!!!!

PAUSA PARA O TRABALHO - DEPOIS EU CONTINUO

O cenário me pareceu por demais familiar. Surpresas e choques não param aí. De um lado do muro e concertinas um condomínio de casas de luxo. Daquelas que só vemos na Barra ou (Malibu?).
Um assalto frustrado por uma velhinha aparentemente miliciana deságua em vários crimes de morte porque os outros crimes vão se sucedendo ao longo do filme que leva nossa emoção por uma montanha-russa.

Tem morte acidental com direito a arrependimento, tem morte proposital, suborno emocional, mãe da favela querendo o corpo do filho, despertar de consciência, adolescente babaca, diferença social entre adolescentes,truculência,questionamento a respeito de se armar cidadãos,indecisão, decisão,orgulho, vexame, amizade, senso de justiça e muita, muita sensação de impotência.
Correria, mentira, arrogância, manipulação política, desconfiança, autocracia, espancamento de mulheres e um linchamento.

Os seres em grupo protegem a si, ao seu status quo, seu espaço e seu orgulho. Existe uma polícia interna, particular do condomínio,seria de bom tom não confundi-la com milícia e não é apenas uma guarda particular. E para que um homem idoso que, num ato de legítima defesa mata um policial não seja punido e, mais que isso para que a polícia não "interfira" no bom funcionamento da ZONA (como é chamado o condomínio)corpos são ensacados, jogados no lixo, a viúva enganada e pressionada a mentir.

Enfim, o filme tem tudo que os jornais trazem para o nosso café da manhã, aquilo que quando não lemos, não conseguimos nos furtar de ouvir nos ônibus ou na pausa do café, só que organizado, numa ordem a dizer que cada um tem um lado seu para defender e e quem está do lado mais confortável vai fazer o que estiver ao seu alcance para defendê-lo ainda mais.
O filme levanta questões se você for questionador, se você é pessimista a mensagem que ele deixa vai te satisfazer. Se você é otimista, precisará vê-lo mais de uma vez e usar a imaginação para fazer o filme que diretor e roteirista não fizeram.BR>Eu que só queria um filme que me distraisse os neurônios, tive que ir pro boteco.

Poderia dizer que qualquer semelhança com fatos e locais brasileiros é mera coincidência, não fosse o poder do dinheiro, a ineficiência das armas, a humilhação da pobreza exatamente as mesmas coisas em qualquer parte.
Poderia dizer que aquelas pessoas são apenas personagens, não reconhecesse neles alguns daqueles que transitam muito perto e uns tantos que freqüentam minha TV.
Não percebesse tão familiarmente o egosísmo do "isso não tem nada a ver comigo" e a idéia que certas coisas só acontecem com outros.
Poderia dizer que há saída...Assim, por ter esperança que fosse apenas um filme, torci o tempo todo pelo pequeno, frágil, magro e assustado herói.Num dado momento da narrativa percebi que só um milagre poderia salvá-lo, mas sei que milagres ocorrem em superproduções de superpaíses, nunca num filme mexicano...

Valores como amizade lavam nossa alma em determinado momento.
A inocência do jovem que crê na justiça e sua tentativa desesperada de salvar um novo e coitado amigo que culmina com a sua morte bárbara, nas mãos de pessoas cuja a ganância de manter o que têm a despeito do que são e o que fizeram não permite que percebam que se trta de uma criança e, assustada.
Eles precisam de um culpado mesmo que este seja inocente...
Decepções da descoberta que o pai não é herói, muito pelo contrário e amargura com que um jovem pode enxergar suas oportunidades não são maiores que sua ética, seu brio, sua sensibilidade, sua solidariedade e uma correção que confirmam que o homem é fruto do meio, pero no mucho...
PAUSA PARA DORMIR - NÃO SEI SE CONTINUO...

FRAGMENTOS de CLARICE



O meu sobrinho me mandou um trecho de texto atribuído a Clarice Lispector.
Digo atribuído porque, ponto número um, meu sobrinho jamais foi um leitor de livros. Acho que não foi tão bom aluno porque o extra-classe sempre é muito mais interessante que qualquer conteúdo curricular.
Ele se tornou um leitor depois de ter descoberto o Orkut, mais precisamente, após descobrir o envio de scraps e, para ter mais objetividade, ele passou a ler de verdade, depois dos programas que enviam scraps... Então, ele precisou pesquisar bons ou belos textos para enviar às pessoas e impressioná-las.

São assim quase todos os oriundos de Jacarepaguá da safra - 60/70 - que iam à escola felizes porque, afinal ela era a melhor diversão do bairro. Ponto de encontro dos colegas, a escola era o local de diversão obrigatório enquanto que a igreja era a diversão espontânea porque possível. Fiquei católica porque na igreja podia aprender a tocar violão de graça e de quebra ter parceiros para as composições.... Escola era o local de combinar as brincadeiras e conhecer os pais e avós dos amiguinhos e aí a gente descobre que em assuntos escolares como na vida social, não basta saber, precisa apenas conhecer....

Interessante observar que hoje em dia o "conhecer" tem um status superior ao "saber". No meu tempo (rsrsrsrsr) saber era mais que conhecer. Quando o conhecimento é muito se faz necessária a ajuda poderosa do advérbio de intensidade: "conhece profundamente", "conhece superficialmente" ou "vagamente", ou conhece "pouco" ou "muito pouco" ou "quase nada" . No entanto, "quem sabe, sabe e quem não sabe bate palmas"... E aí entra o ponto número 2:
Na internet atribui-se a autoria e nem sempre essa atribuição é confiável.
Já vi trechos de Drummond atribuídos a Mário Quintana e trechos de Quintana assinados por Fernando Pessoa. Talvez pesquise-se tanto em busca do texto ideal que os caçadores de textos on line acabem por ficarem confusos, do mesmo jeito que ficamos ao misturarmos tudo nas aulas de literatura...
Literatura é chato para quem não consegue perceber que com ela se pode ter 98% de sucesso na paquera.
Hoje percebe-se que uma boa conversa, mesmo que não seja originalmente nossa, possa render uma namorada e tanto, mantendo algumas tantas na fila... O que não percebemos é que essa aliada poderosa na conquista através do intelecto sensível e uso de palavras é Literatura!

Um dia ouvi alguém reclamando muito de um outro alguém que não largava a internet e o pobre do reclamado na verdade estava lendo um noticiário num site de esportes.
Pergunto a você que é minha amiga e suponho ser tão inteligente quanto eu imagino que seja: Ler jornal é bacana, ler livros é tudo! Discutir literatura/obra literária/ autor literário ou simplesmente o assunto abordado que se leu, é o máximo! É o supra-sumo da cultura, um livro debaixo do braço dentro do ônibus ou metrô.
Então, qual é o problema de se ler na internet?

A pessoa que enfiava a cara num livro e só tirava quando chegava na última página, não faz exatamente o mesmo que alguém que navega de site em site?
O menino que ontem comprava revista de "mulher pelada" escondido, é o mesmo que navega pelos sites de "mulher pelada"?
Eu, particularmente, talvez por birra quem sabe devido a idade ou por simples questão de gosto e história, prefiro pegar no papel, amo cheiro de livros novos e jornais frescos. Gosto de ter que lavar as mãos depois de uma boa leitura, e me apoiar na pia e olhar minha cara no espelho e conversar comigo mesma sobre o que eu li. Além do mais, meus olhos ficam cansados de ver a tela iluminada e eu gosto de levar o texto pra onde quer que eu vá.
Gosto de me deitar lendo e uma vez na cama, virar-me pra lá e prá cá buscando preservar o livro, buscando a maneira mais confortável de ler.
O ritual de acender a luminária de cabeceira e baixar o livro da frente do rosto quando alguém me chama faz com que me sinta gente e importante ! A nete deve ter lá seu charme além da funcionalidade, por enquanto penso ser muito mais glamuroso ir à livraria, à banca e nos tempos bicudos dar uma fugidinha e sentar nas livrarias cheias de charme que disponibilizam sofás e chás. Internet com Literatura? no máximo para saber sobre os novos lançamentos, seus preços e ouvir alguns poetas declamando-se no You Tube.

Passei uma fração bem grande da minha adolescência indo pro BarraShopping filar uma leitura na Saraiva ainda não Mega Store.
Ficava também pela pracinha do shopping (uma que tinha uns feijões gigantes) lendo algum livro de alguma obscura biblioteca municipal ou estadual.

Eu morava em Jacarepaguá e isso pressupunha preguiça de ir ao Centro do Rio que tinha bibliotecas iradas, tinha preguiça de um monte de coisa. Jacarepaguá tem a natureza de município e seus habitantes têm a consciência de que se trata de um país, talvez um mundo, talvez um sonho...

O cidadão Jacarepaguense (?) não é um ser humano igual a nenhum outro de qualquer outro lugar do planeta e ele não tem lá muito o hábito de freqüentar por aí bairros estranhos, distantes, cheios de violência...
Quem morava por lá na nessa época queria sossego, churrasco, feira e finais de semana com família e amigos regados a cerveja e vinho da Adega do Ramos. Portanto, biblioteca para teen, era a da rua Dr. Bernardino, ali na Praça Seca, que apesar de ser no mesmo bairro, incluía pegar um ônibus e andar nele 20 minutos. Já era um passeio, mesmo que a biblioteca não fosse nenhuma maravilha... Esse é o problema ou quem sabe a solução: Pode-se fazer de tudo em Jacarepaguá, viver, casar-se e morrer sem jamais tirar os pés do bairro-cidade que sempre fez limite com ele mesmo até o dia em que a Barra deixou de ser a praia particular dos seus moradores. Sim, a Barra sempre foi nossa! Como os filhos que são nossos até acharem que cresceram, que são independentes e que não precisam mais da família original...

Então que eu tenho este histórico perversamente provinciano e você não tem, como minha amiga recente o direito de perguntar como que com essa lírica formação eu me tornei esse tipo de pessoa de língua ferina e dedos ágeis que hoje sou. Até porque quando você for minha amiga de anos (pré-requisito seu,você entenderá perfeitamente bem sem que eu precise me explicar...

É fato que vizinha à biblioteca citada existia a "Play House" e na entrada do "bairro município", precisamente na descida da Grajaú-Jacarepaguá, dando boas vindas aos tolos e teens havia a "Café Creme Discoteque", não vem ao caso explicar porque a minha preferência pela literatura à farra, se hoje sou um ser notívago e isso não surge em ninguém de uma para outra. Não cabe nesse mail, já que depois de tantas voltas o que quero é te repassar o fragmento de Clarice ou de quem quer que ele seja. Você além de me parecer uma conhecedora de Clarice muito mais genuína do que eu, o texto tem muito a ver contigo.
Tem a ver com o que você ultimamente não tem sido ou fundamentalmente com o que você é e guardou para não mais ser.
Tem a ver com o que percebo que os últimos fatos das nossas vida te chamam a ser e, você, vagarosa, lentamente com uma preguiça jacarepaguense, insiste em nâo ver ou em adiar e pedir tempo pra pensar e analisar....

O meu sobrinho de Jacarepaguá, zero em literatura, cujo último livro lido deve ser aquele da série "Para Gostar de Ler" dos anos 70,porém com mais horas de cama do que urubu tem de vôo (e acho que ele só perde em milhagem de cama para o tempo consumido, gasto ou ganho diante do micro) eis que surge com essa pérola de texto, filosofia e verdade.
Parece em princípio receita de bolo ou dica do Paulo Coelho, mas essa é uma característica do novo milênio: deixar tudo meio igual e reduzir o percentual de valor de todas as coisas...
Esse mundo atual fragmenta a gente, segmenta tudo e nomeia o que vê pela frente, deve ser pra facilitar a indexização, otimizando a busca no Google...

Tudo na vida tem um preço. Eu não gostava de me ver transformada em número em algumas ocasiões, como por exemplo na locadora... Mas aprendi a reclamar menos e aproveitar mais. Motivo pelo qual te encaminho o texto que recebi como scrap no orkut e não te repassei por lá por motivos óbvios.
Precisava te encher a paciência com tanto texto, histórias ridículas a fim de alimentar essa amizade improvável e hipotética apesar de a cada dia mais real.
Eu preciso cuidar do patrimônio que será localizado um dia pelos arqueólogos do futuro quando vasculharem as ruínas da internet 2.0...
Eu preciso regar o sonho da minha porção Van Gogh. Já que não fui o poeta romântico e não morri romanticamente de tuberculose, nem fiz sucesso, nem publiquei livro, tenho que ter algum tipo de musa e dar algum tabalho pros pesquisadores do futuro.
Será que não vai haver uma saturação da Web de tanta coisa não acabada trafegando por aí?
No mais, vc é única pessoa que entende essa minha veia.

Você sabe que se eu tivesse tido filhos de verdade não teria essa inquietação, mas precisa haver no mundo aqueles com tempo de para pensar, filosofar ainda enquanto jovens com todo o teor de inquietação, explosão e falta de medo de encarar a vida.
As pessoas crescem depois dos filhos, amadurecem trocando fraldas e preocupando-se com a cria.
Os estéreis e inúteis precisam deixar algo para a posteridade, nem que seja o recalque de não ter cumprido com a real obrigação dos mortais, seguindo as ordens de Deus: "Crescei e multiplicai-vos "...
Ah, eu não vou deixar nenhum ser com os meus traços e não haverá fiapo do meu DNA por aí.
Nada de covinhas e carinhas de bolacha tentando entrar de graça em alguma festa ou show de música.
Nem olhos grandes e escuros se admirando com Robson Crusóe e franzindo testa com Machado de Assis...

O mundo vai ficar mais chato sem a minha presença e um pouco mais vazio sem a minha influência e certamente mais pobre de espírito sem os traços da minha humorística modéstia... O meu humor negro não será transmitido a ninguém a menos que eu consiga gravá-lo em algum lugar para que seja descoberto um dia, quando o país esteja tão perdido em desgraça que valha a pena comprar um texto meu. Será que ainda serei a salvação nacional?

Ainda bem que você parece ter colocado gente decente no mundo enquanto isso, cuido de dar consistência ao meu legado daí, você pode viver as palavras de Clarice, pois que a sua tarefa agora anda por si mesmo e você apenas gerencia a paz do seu lar.

E depois de ler tanta loucura, respire fundo, leia Clarice logo abaixo e me diga se o texto é genuinamente de sua autoria, como um quadro perdido no tempo que só especialistas podem comprovar sua autenticidade.
Feito isso, releia o texto e pense: poderemos ser colegas de classe na faculdade de Filosofia, daqui a 5 anos.
A essa altura do campeonato, estou mais pra Van Gogh que para Gougin, mas não se preocupe, pretendo manter-me distantes das lâminas e armas de fogo e muito perto do tipo de literatura que ninguém ousa fazer. Atrás de um descompromisso porque ja cansei de me comprometer.

Beijo grande, Sucesso Sempre

Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas."

(CLARICE LISPECTOR)

DESCOBRINDO O CINEMA



Fui ao cinema, até aí, novidade nenhuma, vou toda semana...
A 1ª vez que fui ao cinema vi "Meu Pé de Laranja Lima" no Cine Regência em pleno Largo de Cascadura. Um cinemaço, foi o que me pareceu naquela idade. E o filme que filmaço! Saí de lá entre o encanto e a perplexidade, apoplética!

O ator era um menino loiro e lindo, mas tinha uma vilã que nenhuma criança gostaria de ter por perto, era Jandira, vivida por Eva Wilma. Do outro lado do time, uma atriz de rosto doce vivia uma personagem igualmente doce e boa mas não forte suficiente para evitar as maldades da Jandira. Lembro ainda do Aurélio Teixeira que fazia um tipo a princípio mal-humorado que se transforma em amigo do guri loiro,o Zezé, que fugia de uma realidade dura e incompreensível ao montar num galho de um certo pé de laranja, este era o seu cavalo que o levava daquele lugar triste onde os bons não tinham defesa...

Não lembro quantos anos eu tinha...
Não lembro ao certo o nome da personagem boazinha, recordo vagamente que era um nome esquisito...
Mas lembro do pé de laranja lima, lembro do desfecho cruel do filme, Da morte do portuga mal-humorado bem quando ele se torna bonzinho e faz o Zezé feliz.
Lembro da vilã com nome e tudo e recordo ainda que a minha afinidade veio imediata, substituindo o pé de laranja por um cachorro chamado Big. Era o Big que me levava para longe das enormes torturas de, como menina, já ter que aprender a lavar louça, "passar uma vassoura na casa" e o pior de tudo: estudar Matemática!
É, minha infância não foi mole não!
A casa da minha infância também tinha o time dos bons e maus e assim sendo, era o Big que tinha o dom de me transformar em herói. Ele ouvia meus problemas e sinalizava com cabeça mansamente esquerda/direita com um olhar que dizia:
-"calma! Isso passa. Eu entendo. Mas você vai crescer logo..."
Bem, depois deste cinema muitos e muitos vieram, aqui e em outros países. Entrava nos cinemas mesmo sem ter legenda em português, porque cinema é muito mais que um filme... Ate porque, em certas situações não basta entender o vocabulário para compreender... Terminada a sessão as pessoas saíam com opiniões totalmente diferentes sobre o único filme exibido e a minha era mais uma, independentemente de ter entendido o idioma, compreendido o filme ou não...
A gente vive assim, todos olham os mesmos fatos mas uma vez ultrapassadas nossas retinas, a história muda.Vemos todos coisas mesmas que nunca são iguais...

PAUSA PARA O TRABALHO - CONTINUO DEPOIS

HEGEL & LIA


" O botão desaparece na flor que desabrocha,como se ela o negasse;da mesma forma, o fruto coloca-se em lugar dela como se a existência da flor fosse falsa. Essas formas não apenas diferem, mas rejeitam-se como incompatíveis. Porém não só se contradizem, como uma é tão necessária quanto a outra, e significa a vida do todo."
HEGEL

(...)É preciso não sucumbir quando naufragam.
Que mão nos segura à margem? Talvez a crença de que tudo faz parte do mesmo fluir: amor e solidão, nascimento e morte, entrega e decepção. De que algum sentido existe - o essencial, que nossa inquietação procura."


(...)"O artista guarda a visão mágica da infância quando o real e o imaginado convivem sem problemas. As entrelinhas - mais importantes do que as linhas - espelham essa dança de máscaras e desvendamentos.

Criar personagens trágicos não significa que o autor seja pessimista: muitos humoristas são calados e deprimidos. Nem sempre a filosofia de meus personagens tem muito a ver com a minha, nem vivo suas trajetórias. Mas sou mãe desses que dormem dentro de mim como filhos possíveis, sementes com sono do fruto.

(...) algum sentido existe - o essencial, que nossa inquietação procura."

LIA LUFTY em O Rio do Meio

DESCOBRINDO OS LIVROS


Acho que sempre fui uma boa criança. Me contentava fácil com qualquer coisa. Mas os adultos são insaciáveis e viviam reclamando do meu humor mutante, do meu "bico" quase constante. Não importava o quanto eu ficasse quieta, postura boa para eles era eu estar com a cara enfiada nos livros, de escola, note-se bem! E como eu amava o meu livro de português da 4ª série recheado de crônicas de Rubem Braga e Fernando Sabino! Poemas de Drummond e Cecília, umas pitadas de Bandeira! Mas o auge foi quando me apresentaram Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães.

Eu era capaz de passar um dia inteirinho lendo. Comprar livros não era muito fácil, diria que era impossível. Mas eu conseguia muitos "no lixo" dos patrões do meu irmão que embora não lesse muito ou talvez nada, sempre que via um livro para ser descartado levava pra casa. Depois tornei-me sócia de uma biblioteca do bairro e guardava em segredo a minha expectativa de ir um dia à Biblioteca Nacional - Céus! Eu tinha uma foto da BN recortada da revista! Guardava escondida como se fosse a foto da minha namorada e eu, um soldado no front; ou como uma recém-casada que perde o noivo para a guerra na noite de núpcias e admira-lhe o retrato com desejo e sem saber o certo quando o amor se consumará. Era uma estrutura inimaginável, um templo, ao meus olhos de menina perdida numa varanda improvável de um bairro complicado e distante. Acho que as pirâmides egípcias não me fascinavam tanto quanto a fachada da Biblioteca Nacional que eu namorava naquela foto recortada de revista.... Não tinha menor idéia de como chegar naquele templo e mesmo depois que aprendi, faltaria ainda muito para que eu pisasse lá pela 1ª vez, posso, adiantar que ate hoje isso ainda não aconteceu...
O fato é que lia tudo o que me caísse às mãos e quando nada caía nelas, lia os verbetes do dicionário do MEC, o único livro respeitado naquela casa.
E quando na escola conheci o Simbolismo, alguma coisa mudou e eu nunca soube o que exatamente. Percebi que o poema era especial quando fruto de inspiração, porém saber fazer um poema era demonstrativo de competência, capacidade, fazia o poeta verdadeiro ser um poeta de verdade. Juntando-se a leitura ao conhecimento de estilos e técnicas literárias, surge algo que desafia a nossa alma a repetir a viagem que os antigos fizeram. E se eu não admirava Olavo Bilac, exceto o poema "Ouvir Estrelas", cmecei a ver sentido em "limar o poema" até que se tornasse simbolista, "engastando-lhe o precioso rubim"- Uma coisa boa na escola que só entendemos quando passa é justamente a obrigatoriedade conhecer também aquilo que não gostamos... Eu me via na torre de Ismália. E comecei a sentir-me simbolista no alto da minha torre de marfim! Claro que os temas se misturaram, mas nunca esqueci o meus exercícios para chegar à aliteração perfeita. E de poeta transloucada, incendiária, implicante, explosiva, passei a estudante de rimas, métricas e palavras, admito que amava muito mais a métrica que as rimas as quais vejo com reservas até hoje (pra rimar tem que ter um talento de Vinicius). Nada me soava mais modernos do que Drummond e sua simplicidade refinada a falar de tudo e emitir opiniões,ele abusava da rima e da ausência dela e era o tempo todo, genial! Um espelho tão grande pra alguém tão pequeno... Sozinha, sem incentivo, nesta ocasião eu tinha a minha intuição, um livro de literatura e o gosto pelos dicionários, não sonhava ser escritora e ninguém vira poeta, um poeta se reconhece na primeira torcida de nariz que o mundo lhe dá.Nascemos poetas, como nascemos seres humanos e nem uma coisa nem outra nos isenta de crescer pelo contrário, são pré-requisitos do gênero... No entanto o que o meu poema perdeu de selvageria, ganhou em poesia propriamente dita. Deixei de discursos poéticos, prosas disfarçadas em textos de linhas quebradas pra aprender com os mestres e hoje sei que aprendi muito pouco. O reinado do poema foi transitório, porém consistente, mas o que sobrou dele foi a emoção de um dia ter tentado sozinha fazer algo de grandioso, mesmo que para ficar oculto no anonimato da minha timidez e nas críticas familiares. Não, a Rosa do "Feijão e o Sonho" não era uma megera, tipo de bruxa dos tempos modernos que Orígenes Lessa criou. Ela estava ali,pertinho, dormindo no quarto ao lado, fazendo comício para que todos me convencessem a estudar cada vez mais matemática...
Antes que me perguntem: Passava de ano por milagre, "puxei"uma única recuperação em toda a minha vida de estudante

DESCOBRINDO O POEMA


Desde menina gostava de escrever, mas só descobri a poesia quando ao fazer um texto enorme em um só fôlego e mostrar a uma pessoa, esta me disse que se tratava de um poema, pois tinha rimas por todos os lados. Então enveredei pelos caminhos da poesia e já naquele tempo tinha traços de uma compulsividade hemorrágica para as palavras. Nunca ficou claro se escrevia porque falava demais ou se falava demais porque não tinha incentivo pra escrever. Sei que fazia os dois muito, demais.

E passei a escrever poemas e me aplicava muito nisso. No início achava que o poema tinha que seguir o caráter caudaloso do meu raciocínio. Cantava loas aos poemas rústicos, naturais que chegavam aos olhos do leitor do jeito que saíam da minha caneta. Dizia que poesia era emoção e como tal deveria surgir em palavras tal qual surgia no nosso físico fosse em forma de lágrimas, fosse como gargalhadas. Eu, na verdade nunca tive um sorriso intermediário entre a minha gargalhada e o meu choro. Numa linha com duas pontas eu não raramente sucumbia à terceira - a revolta. O clamor adolescente, estudantil, operário, o poema crítico e social. Era na ponta da minha caneta que desempenhava meu maior papel, desancava o mundo, sacudia com a instituição familiar dizia o que pensava, xingava meio mundo sem um único palavrão e todos os que liam aplaudiam! O poema me trouxe pela primeira vez o gosto da vaidade, o tesão do c´lelebre mas o que mais me agradava, ali, as pessoas entendiam o que eu falava e paravam para ouvir. Escrevendo eu fazia as pessoas terem tempo pra mim, menos a minha família é claro...

E assim o poema foi eleito o meu estilo. E assim me auto-intitulei poeta e assim pela primeira vez senti que poderia ter algo pra fazer no mundo. Achei um espaço! Eu era feliz quando as pessoas me pediam pra escrever algo pra elas. Eu me realizava fazendo além das minhas próprias redações,as redações pros colegas de colégio. Eu não tinha namorado, nem precisava, conquistava todos com os poemas nos bilhetinhos das amigas. Eu sentia por elas coisas que hoje sei, nem elas mesmas sentiam... Eu fui muito mais feliz que elas, pois todos aqueles garotos eram meus e mais aqueles que quando me procuravam para namorar eu dispensava. Sempre foi mulher de príncipes encantados e estes têm que ter por princípio me conquistar, jamais me solicitar. Ficaria comigo aquele que chegasse no auto da torre, onde eu ´princesa das letras entre parágrafos me escondia para viver melhor o que outros estavam a viver de maneira tão comum e normal... Eu nunca fui muito normal, qual escritor, poeta, artista seria? A missão da sensibilidade é justamente nos alijar da normalidade e reordenar os pensamentos do mudo...

Escrevia escondido da família. Certa vez feliz com um poema, achei tão bonito que mostrei para minha mãe, que me disse que eu deveria estar estudando matemática em vez de "fazendo versos"... O meu dom literário só lhe era benvindo nas ocasiões de escrever cartas para um tio que morava distante e quando fazia os cartões de aniversários de algumas pessoas amigas da família, é claro. No mais escrever bem só era importante, no que dizia respeito à beleza da minha caligrafia, dom apreciadíssimo por minha mãe e os demais, com a ressalva que a letra da minha irmã mais velha era a mais bonita por ser graúda e fácil de se ler, eu, talvez ainda devesse ter um caderno de caligrafia... Levei algum tempo treinando a minha caligrafia até o dia que percebi que não era o mais importante pra mim, somente pra minha mãe. Então...rsrsrsrsr... continuei treinando até que comecei a escrever com letra de forma...

Passava noites em claro, escrevendo no escuro, numa varanda com uma enorme mesa. Era bom, havia a luz da lua, o contorno soturno das árvores, a melodia do vento, a companhia de um certo cão pequinez da minha avó, que era analfabeta e eu nunca entendi como alguém podia passar toda uma vida sem entender o que sgnificavam as letras e palavras... Claro, nas noites de inverno havia o frio, a chuva fina, mas tudo compunha o meu cenário e em delírio escrevia e me via morrendo de turbeculose por uma gripe mal curada adquirida naquela noite essa imaginação tinha dois finais:
1- A minha familia descobria todos os meus manuscritos e com ódio por eles (os manuscritos, é claro) serem os reponsáveis pela minha morte, tocavam-lhe fogo do qual saíam labaredas azuis.
2- A minha familia descobria os textos. Um eles levavam para alguém que levava para uma editora, eles eram publicados e minha mãe receberia uma graninha com a qual ajudaria um orfanato ou um lar para idosos. Porque se ela desse o dinheiro dos meus poemas para qualquer irmão meu, com certeza eu voltaria do túmulo para escrever uma história de terror daquelas jamais lidas na face da Terra!
(ouve-se estrondosa gargalhada da adolescente rouca e louca no além-túmulo HAHAHAHAHAHAAH) A VINGANÇA DO POETA! Hahahahahahahaha!

13/10/2009

Incenso


Feriado cansa.Viver mata.
Eu não queria ser esse contrassenso
Vou comprar inceso e pedir ao céu
que me faça menos pensante.

Quem pensa menos é mais feliz

Feriado cansa. Viver mata
Eu não queria ser esse contrassenso
Vou comprar incenso e pedir ao céu
que me faça mais feliz.

09/10/2009

Perfil de Setembro


A VITÓRIA QUE VENCE O MUNDO É A FÉ,
Você até pode ir contra o mundo, o mundo até pode ser contra você.
Se tivermos fé vamos vencer!
Quando isso acontecer, todos que eram contra, terão prazer em dizer que são nossos amigos, que sempre acreditaram em nós!

Não se importe. Temos temos duas formas de lidar com isso:
Acreditando que temos amigos novos e talvez eles não sejam confiáveis ou crendo que algumas pessoas se “converteram a você”.

Isso não torna o sucesso ruim, mas isso pode tornar você ruim...
Portanto, cuidado, não com o sucesso, mas com o que você pode fazer dele e como você verá as pessoas (que te amam ou não) depois dele... Mantenha sua fé!
MESMO QUE SEJA FÉ NO PRÓPRIO MUNDO.
Acredite de verdade em alguma coisa, qualquer coisa.
Acredite nas coisas e pessoas que somam, agregam e podem multiplicar.
No mais viva somente. Não esqueça de deixar viver!
IMPRESCINDÍVEL QUE SEJA EM NÓS MESMOS.
A fé pode ser nas coisas do mundo, nas coisas do céu, tanto em uma quanto em outra inclua-se.
Coisas boas só acontecem quando nos envolvemos totalmente.
Descubra sua natureza e creia nela.
Não se envergonhe dela!
Podemos acreditar em qualquer coisa, nada será suficientemente bom se não crermos em nós!
A NATUREZA DA IDÉIA NÃO INFLUI
Há idéias ruins fazendo sucesso.
Há idéias ótimas jogadas no limbo ou amargando fracasso.
Tem idéias roubadas, clonadas, plagiadas, xerocadas, mixadas, reproduzidas, bombando por aí e pessoas numa cara de pau absurda tirando onda com a idéia dos outros... Com a sua também!
Não se preocupe, idéias envelhecem, ingênuos amadurecem e fica cada dia mais difícil pro mediocre roubar uma idéia do que pro criativo conceber idéias novas!
TENHA FÉ na SUA IDÉIA! ELA É SUA E NASCEU DE VOCÊ
Não importa se a idéia é boa ou má, a gente tem que ter fé nela para que ela aconteça.

ENTENDA:
O MUNDO É CHEIO DE MEDÍOCRES VENCEDORES PORQUE ELES ACREDITARAM MAIS NA SUA BOA IDÉIA QUE VOCÊ MESMO...
O MUNDO É CHEIO DE BONS QUE FRACASSAM PORQUE ELES SEMPRE ACHAM QUE PRECISAM DE MAIS ALGUMA COISA OU ALGUEM PARA TODOS VEREM O QUANTO SÃO BONS...
TENHA FÉ NO QUE ESTÁ DENTRO DE VOCÊ!!!!

Vestida e armada com as armas de Jorge!!!
EU CREIO,CRIO, EU SOU!

18/09/2009

Vida de Clichê (Eliane Brum)

Humberto Werneck lançou seu O Pai dos Burros – dicionário de lugares-comuns e frases feitas (Arquipélago Editorial, 2009). Dono de um dos grandes textos da imprensa brasileira, ele passou quase 40 anos colecionando os clichês que sujam as páginas de jornais, revistas, livros. Aquelas palavras que, de tanto ouvi-las, são as primeiras a aparecer na nossa cabeça, na ponta dos nossos dedos. É automático. Chegam antes do pensamento. De certo modo, são as palavras que nos libertam para não pensar. Foram ditas muitas vezes antes, não causarão nenhuma reação inesperada. Não provocarão nada, nem de bom, nem de ruim. Tanto faz dizer que "a vida imita a arte" ou que "o futebol é uma caixinha de surpresas". É um dizer que nada muda, é um imenso nada.

Por que então os clichês são tão populares? Porque são seguros, é o que disseram gente brilhante como H.L. Mencken e Hannah Arendt. Ao repetir uma ideia velha, o que foi dito e redito por tantos antes de nós, nada sai do nosso controle. Também nada acontece. Uma nova ideia é sempre um risco, não sabemos aonde ela vai nos levar. E, na falta de ousadia, o que nos sobra é medo.

Escrevi uma pequena matéria sobre o dicionário de clichês na edição impressa desta semana. E li todas as 208 páginas, os 4.640 clichês, para conhecer as palavras das quais deveria fugir. Desde então, adquiri um incômodo que não sai de mim. Ao colecionar lugares-comuns, Werneck espera nos instigar a pensar antes de sair escrevendo – ou falando. Se o jogo de palavras vier muito fácil, é porque já foi dito tantas vezes que abriu um escaninho no nosso cérebro. Basta apertar uma tecla invisível e sai de lá pronto. Não custa nada, nem mesmo um esforço mínimo. "O tempo é o senhor da razão", "a esperança é a última que morre", "nunca antes na história deste país"... os clichês estão sempre sendo produzidos, até mesmo como estratégia de marketing.

Há os clichês coletivos, que estão no dicionário do Werneck, e acredito que cada um de nós tem um repertório próprio. Expressões que repetimos nos nossos textos, nos nossos discursos, na nossa autodefesa permanente – não apenas diante de outros, mas também no banco dos réus do nosso tribunal pessoal. Ideias que já testamos e sabemos que tipo de reação provocam, um repertório confiável de velhos truques.

Criamos nosso próprio mundo de palavras e de pensamentos. Na busca de um lugar seguro, não copiamos apenas os outros, mas a nós mesmos, infinitas vezes. Se é fácil rir das frases feitas a que a maioria se agarra para não mergulhar no desconhecido, também é fácil observar que muitos dos que riem não ousam ir além dos comportamentos clichês em sua própria vida.

Foi seguindo o fio deste raciocício que fui me tornando incomodada e um pouco melancólica. Tento policiar-me para escrever sem usar fórmulas, ainda que minhas. Forçar-me a buscar jeitos novos, ser uma parte diferente de mim em cada texto. Nem sempre consigo. Mas tento me obrigar a tentar. Depois de 21 anos escrevendo na imprensa, é fácil ser uma cópia de mim mesma.

Sei disso e tento manter-me inquieta. Quando vou me tornando um bichinho, enrodilhada em mim mesma, sou também eu que me cutuco com um pedaço de pau para sair da toca. Conforto é bom, mas é também uma não-ação. Sei que apenas chegando cada vez mais perto de mim mesma é que posso alcançar a possibilidade de ser outra. E de fazer do velho em mim algo novo.

Numa entrevista a Clarice Lispector, o psicanalista Hélio Pellegrino disse algo que me cutucou com delicadeza, mas bem fundo. Sempre que leio uma entrevista ou um texto dele, fico pensando como alguém pode dizer algo tão elaborado com tanta simplicidade, numa resposta oral a uma pergunta que não esperava. E com tanta generosidade para aquele que o escuta. Suas palavras não machucam porque não foram pensadas para ferir. Com a ponta dos dedos, elas acariciam. Foram pronunciadas para dar uma chance ao interlocutor, leitor. São como uma mão que alcança – e não um pé que esmaga. Vivemos num mundo em que as pessoas se sentem mais seguras quando se tornam pés que esmagam. A mão que alcança exige mais coragem, porque alcançar é sempre um risco – e esmagar tem um final previsível.

O Hélio disse, lá pelas tantas: "Escrever e criar constituem, para mim, uma experiência radical de nascimento. A gente, no fundo, tem medo de nascer, pois nascer é saber-se vivo – e, como tal, exposto à morte". Lembrei da frase e fui reler essa entrevista por causa dos clichês. Pareceu-me, então, que o esforço do Werneck ganhou um sentido mais amplo. Ele tenta, com seu pequeno dicionário, seu "burrinho", como ele diz, nos chamar a atenção para as inúmeras possibilidades de nascimentos que perdemos quando repetimos um lugar-comum em vez de uma combinação de palavras que só nós podemos fazer.

Não porque somos melhores que os outros, mas porque a singularidade do nosso olhar é só nossa. Como diz o poeta, "se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver". Ou, na frase genial do menino de 8 anos que li na seção "Quem diria" da Revista da Folha do último domingo (23): "Pai, tô em extinção. Só tem um Guilherme Ribeiro Kierpel no mundo". Ele descobria ali, depois de uma aula de ciências, a singularidade do que era. Um dia pode descobrir que, para alcançá-la em sua integridade, precisará de muita coragem. Terá de resistir ao conforto de uma vida de lugar-comum.

Clichês são letra morta. Palavras que nasceram luminosas e morreram pela repetição, já que a morte de uma palavra é o seu esvaziamento de sentido. Agarrar-se aos lugares-comuns para não ousar arriscar-se ao novo é matar a possibilidade antes de ela existir. É matar-se um pouco a cada dia, ao matar nossa expressão no mundo. De homens, nos reduzimos a papagaios. Como naquelas reuniões de empresa em que as pessoas se digladiam numa guerra de jargões coorporativos que nada dizem delas, mas fingem dizer. Acreditam que assim mantêm o emprego, seu diminuto lugar no mundo. Se os clichês forem pronunciados em inglês, mais seguras se sentem.

O mundo das frases feitas serve também para isso, para não deixar o novo entrar. Quem não conhece o manual – e é preciso um certo tempo para descobrir que os jargões só são cascas de palavras e não palavras –, é colocado do lado de fora da linguagem. Exilado, não ameaça ninguém – nem o funcionamento do todo – com as palavras mais subversivas e ameaçadoras para este mundo: as próprias.

Quando nos expressamos por palavras, temos sempre a possibilidade de nascer. E se renunciamos ao nascimento, ao trocar a possibilidade do novo pelos chavões, aceitamos a morte antes de viver? Fiquei pensando nisso. Parece-me que os lugares-comuns vão muito além das palavras. A gente pode transformar nossa vida inteira num clichê. Não basta apenas pensar antes de escrever, na tentativa de criar algo nosso. É preciso pensar para viver algo nosso – antes de repetir a vida de outros.

Do mesmo modo que é mais fácil botar no mundo o primeiro chavão que nos vem à cabeça, também é mais fácil – e mais aceito – viver segundo os clichês da nossa família, sociedade, época. Penso que a maioria de nós vai vivendo e repetindo velhas vidas que aparentemente já deram certo e não incomodam ninguém. O que seria o clichê de uma vida de classe média de um brasileiro de hoje?

Vou arriscar. Estudar num colégio privado desde a creche. Começar a falar inglês ainda bebê. Alguma coisa tipo ballet ou artes marciais ou aulas de circo. Em algum momento do ensino médio ir para a Disney com a turma ou até fazer um intercâmbio para melhorar o inglês. Ingressar na universidade. Antes ou depois da faculdade morar um tempo em Londres. Em algum momento tocar saxofone ou algum outro instrumento que lembra bares boêmios, com atmosfera noir, de uma vida que leu nos livros e/ou viu nos filmes. Produzir alguma coisa de cinema de documentário e/ou criar um blog onde finalmente pode expressar seu verdadeiro eu. Rebelar-se um pouco e enfim trabalhar, reclamar do trabalho e fazer umas baladas com os colegas de trabalho e os velhos amigos da faculdade. Descobrir que ser adulto é aceitar a vida como ela é. Casar, comprar apartamento, ter um ou dois filhos, entender de vinhos e fazer viagens de férias bacanas para a Europa, Estados Unidos ou países exóticos da Ásia e mais recentemente também da África. Não sei bem como continua.

Não é ruim ou errado, não se trata disso. Pode até ser muito rico, se for vivido como algo próprio, segundo a singularidade de quem vive, não segundo a ditadura do clichê do que deve ser uma vida de uma pessoa de classe média do início do terceiro milênio. Parece-me, porém, que não pensamos muito antes de vivermos uma vida lugar-comum. Não pensamos nada quando acordamos pela manhã e seguimos até a noite uma rotina instituída por quem? Ah, sim, por nós.

Não pensamos nem mesmo que nada impede que façamos tudo diferente. Apesar da pilha de empecilhos-clichês que temos na ponta da língua para ocultar nosso medo de arriscar, se formos pensar com a necessária honestidade, a vida está mesmo nas nossas mãos.

Podemos viver um lugar-comum, que nos carrega para a zona de conforto e não ofende nem a família, nem o patrão, nem o Estado. E podemos tentar viver a nossa vida, a vida que só nós podemos viver. A vida que nos transforma desde sempre, como descobriu o menino de 8 anos, em alguém em extinção.

E com isso não falo de uma vida povoada de aventuras grandiosas, falo de pequenas aventuras que podem ser vividas até mesmo no sofá da sala, sem acompanhamento de violinos, sem testemunhas, sem reconhecimento público. A vida que só nós podemos viver, aquela que busca a singularidade do que é nosso, é aquela que passamos a vida buscando.

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É também a vida sujeita ao erro, ao imprevisto, ao descontrole. De novo, a entrevista de Hélio Pellegrino a Clarice Lispector. Ela, ainda bem, não tenta arrancar nada de ninguém. Apenas pergunta, suavemente: "Hélio, é bom viver, não é?". Ele responde, um vento avançando pelas nossas crenças: "Viver, essa difícil alegria. Viver é jogo, é risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos algo extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder, acumula ferrugem nos olhos, e se torna cego – cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom – se torna fascinante. Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. Somos feitos de tempo, e isso significa: somos passagem, somos movimento sem trégua, finitude. A cota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo. É preciso garimpá-la, com incessante coragem, para que o gosto do seu ouro possa fulgir em nosso lábio. Se assim acontece, somos alegres e bons, e a nossa vida tem sentido".

A vida que se vive para longe dos clichês não tem garantias. Tem vida. Tudo o que a vida que se vive para longe dos clichês nos oferece é isso, vida apenas.

Quando eu tinha 13 anos, de repente percebi que a vida que me esperava era um interminável lugar-comum. Terminar o colégio, fazer faculdade etc etc. A revelação teve um enorme impacto sobre mim. Me fechei no quarto, passei um tempo sem falar com minhas amigas, com ninguém. A falta de sentido do sentido da minha vida me esmagava. Decidi então que deixaria o colégio. Pararia tudo. Não pela convicção de que não deveria estudar, mas porque eu precisava fazer algo para interromper o fluxo inexorável rumo a uma vida feita de uma sucessão de frases feitas.

Parar tudo era um ato desesperado. E de uma lucidez assustadora para alguém de 13 anos. Anunciei a decisão aos meus pais. E disse que iria a Campinas falar com o meu irmão sobre o que sentia. Sempre fui enormemente ligada a esse irmão, que foi quem me ensinou a escrever – graças a isso escrevo como canhota, embora seja destra. Na época, ele estudava Física na Unicamp.

Peguei um ônibus em Ijuí, na minha primeira viagem sozinha, e desembarquei em São Paulo. O Zé estava lá, me esperando – e disfarçando bastante bem a enorme encrenca que representava o advento da irmã caçula em sua rotina de estudante pobre. Embarcamos num ônibus para Campinas e eu vivi a sua vida por uns dias. Ele morava numa garagem de carro, nos fundos de uma casa. Em vez do carro, tinha ele. O chão era de terra, sua cama, que passou a ser a minha cama, era um colchão em cima de uns tijolos, suas poucas roupas eram guardadas num caixote de madeira, o único móvel era uma escrivaninha onde ele estudava das 5h de uma madrugada até à 1h da seguinte, com interrupção para as aulas que ele achava que valiam a pena e para eventuais reuniões de política estudantil. A mesma rotina que ele havia iniciado com apenas 15 anos. Naquele tempo, sem saber por onde começar, começou lendo enciclopédias. Mas esta é uma outra história.

Na primeira madrugada que passei na sua garagem-casa, acordei e o vi ali, debruçado sobre os livros, os pés na terra, tudo muito pobre e muito frio. Além do almoço no restaurante universitário, sua dieta se limitava a bananas, pão e leite. Meu coração se apertou de amor pela grandeza daquele pouco mais que um menino, solitário diante do parapeito do mundo. Descobri ali, assistindo àquela cena enquanto fingia dormir, que o Zé estava obcecado em se tornar não apenas o melhor físico que podia ser, mas o melhor homem que podia ser. Estava em busca da vida que só ele poderia criar para si mesmo.

Voltei para casa. E muito aconteceu desde então. Semanas atrás, quando escrevi uma coluna sobre nosso afastamento do universo (O céu nos espera), o Zé me mandou um email sobre sua "visão cosmológica". Escreveu na linguagem informal de um irmão escrevendo um email para a irmã: "Somos um acidente evolutivo, ou melhor, apenas um dos inúmeros (sub-) produtos. A consciência não tem nada de especial (a não ser para nós, é claro). Nossa posição temporal e geográfica no universo é totalmente irrelevante. A contrapartida é que somos capazes de perceber nossa existência (acredito que, em outros níveis, outros animais complexos também conseguem). A partir daí, o mundo, tal qual percebemos, é TUDO o que temos (e teremos!). Portanto, estamos no centro do NOSSO universo. E isso coincide com as nossas adaptações evolutivas. Assim, nossa cosmologia é encontrar um ponto de contato entre essas duas realidades: a externa, de total irrelevância, e a interna, onde somos centrais (tanto que nosso universo desaparece com a nossa morte). Por isso a religião (que resolve esse problema) é – a meu ver – uma evolução natural da nossa cultura, consequência natural da nossa evolução biológica (esse é o pensamento, mais ou menos, entre outros, do Daniel Dennett, em Breaking the Spell). Somos "believers" (crentes). O que eu acho mais interessante no ponto de vista agnóstico (ou ateu) é que, diante dessas percepções, sabemos que somos tudo o que temos (como indivíduo ou como espécie) e, portanto, temos a liberdade e a responsabilidade de definirmos o que queremos ser (como indivíduo e como espécie). A construção do nosso mundo e para onde vamos é nossa responsabilidade. Acho que não pode haver maior riqueza em uma vida do que essa liberdade".

Era um convite para tomarmos um vinho e falarmos sobre a vida. Como conversamos lá atrás, comendo banana com leite. Agora, nós dois podemos pagar por um vinho que não dê dor de cabeça no dia seguinte. E temos um tapete para pisar. Mas nossa inquietação segue latejando, às vezes doendo muito – e nos carregando para vários lugares. Sempre em busca. E sempre usando qualquer pretexto para buscar: uma palavra, um livro, um filme, uma pessoa, uma traição, um esquecimento, uma solidão. Qualquer pedaço de madeira em que possamos nos agarrar para não sermos afogados pelo oceano de comportamentos clichês, para que nossa ânsia de vida nos leve sempre a viver. Com todas as dores, as fomes, as perdas e também os ganhos que fazem parte de uma vida não escrita. Nenhum de nós quer ser reduzido a um personagem de si mesmo, ainda que seja um bom personagem.

Foi até aqui que o dicionário de clichês do Humberto Werneck me levou. Não sei se faz sentido para mais alguém além de mim, mas no fundo sempre escrevemos para nós mesmos. Para, como disse Hélio Pellegrino, poder nascer. E descobrir-se vivo, radicalmente vivo.

Revista Época on line
24/08/2009 09:25
Vida de clichê
Quando nos resignamos a uma existência lugar-comum