15/03/2012

NIVER 20101

"FAÇO MENOS PLANOS E CULTIVO MENOS RECORDAÇÕES.
NÃO GUARDO MUITOS PAPÉIS, NEM ADIANTO MUITO O SERVIÇO.
MOVIMENTO-ME NUM ESPAÇO CUJO TAMANHO ME SERVE,
ALCANÇO SEUS LIMITES COM AS MÃOS, É NELE QUE ME INSTALO
E VIVO COM A INTEGRIDADE POSSÍVEL.
CANSO MENOS, ME DIVIRTO MAIS
E NÃO PERCO A FÉ POR CONSTATAR O ÓBVIO:
TUDO É PROVISÓRIO, INCLUSIVE NÓS".


08/03/2012

Niver 2012

Eu quero agradecer a todos os cumprimentos que vieram e, antecipadamente aos que virão. Até agradeço pelos que não acontecerão. Viver é uma arte e somos sempre aprendizes de artistas e nossas obras jamais estarão completas. Por sorte temos artistas verdadeiros por aí, que nos ensinam aquilo que jamais poderemos executar, mas nos trarão o modo certo de exercer nossa arte, grandiosamente medíocre e no entanto rara por sermos nós os únicos capazes de executá-las.


Eu vivo assim com o coração aos pulos a alma em sobressaltos. Já escorreguei, já caí para cima e para baixo também.

Já fiquei sem entender, já entendi mais do que queria, no entanto nunca aprendi como deveria.

O curioso do viver é aprendemos quando erramos.
Aprendemos sem saber, vivemos sem perceber. 

Tudo o que me veio sem querer me deu mais felicidade que aquilo que enfeitei com expectativas. Nenhum erro da minha vida deu errado - deu sim, trabalho para perceber que se não foi é porque jamais poderia ter sido.

Percebi que a minha coragem foi muito maior nos momentos que desisti, fui muito mais forte para fugir.

Descobri que o que poderia me enfraquecer era a vaidade, o que me fez crescer foi um tantinho de curiosidade, mas o fermento da minha vida sempre foi o querer. Querer estar de pé, querer fazer, querer que acontecesse.

Demorei anos para perceber qual importância de se ter um objetivo. 

Tive que esquecer muitas lições erradas que diziam que o meu sonho não me levaria a nada.  O sonho me faz plantar, mas é a necessidade que me incentiva a cultivar.

Tudo o que é necessário, acaba dando trabalho, foi isso que implantamos no mundo... Não há como ser feliz sem se movimentar. Não há como viver sem se posicionar. Não há como aprender sem crescer e felicidade é questão grande ...

A Terra é redonda, gira em círculos, por mais que as linhas sejam retas, elas são feitas de pontos e pontos não são quadrados. Por isso na vida há que se limar as arestas, para girar e girando iremos sempre nos encontrar e nos deparar com aquilo que deixamos, um dia atrás de nós.



Hoje eu olho no espelho e não vejo uma mulher com tantos anos quanto somam meus documentos oficiais, eu me vejo do jeitinho que era há tempos atrás. 
Eu ainda acredito na humanidade, ainda que tenha precisado desacreditar de algumas pessoas, mas pode-se sorrir sem falsidade mesmo para aquilo que não se acredita.
Às vezes é preciso esquecer um ontem para termos direito a um amanhã. 
Aos 49 anos eu sei: Não mudarei o mundo, mas posso continuar mudando a mim mesma e, isso, muda o universo inteiro.


Agradeço demais aos amigos que me apoiam, peço que jamais me neguem o colo porque são não-amigos que me fazem largar as muletas.


Agradeço a vida que me dá motivos pra sorrir, mas foi vendo a adversidade que eu percebi que se nada de bom acontecesse mais comigo eu ainda teria motivos suficientes para uma vida inteira de risos.


Eu acredito no amor, acredito  na paz, não acredito nos políticos brasileiros que me fazem temer pelo meu país.


Eu fico triste ao ver que a maioria acha que ser patriota é torcer pela seleção, enquanto que a outra maioria acha que patriotismo é coisa de filme americano. 


Eu me preocupo quando um brasileiro fala da falta de educação do povo, da deselegância do povo, sem incluir-se  e sem incluir. Viver é uma contínua atitude de coragem até mesmo para se desistir, talvez por isso o mundo esteja cheio de gente que não tenta e que se diverte vendo a tentativa alheia... 


Entre o palhaço e o domador eu sempre curti o trapezista. Levo o circo a sério, a vida é um espetáculo e se o ingresso é caro, daremos, pois a volta no bilheteiro! Passemos por baixo da lona, porque na vida a entrada é franca e todo dia é dia de ticket to ride... Nem todos os passeios são agradáveis, mas com certeza valerão a pena.

Pagamos quando chegamos e a qualidade de nós artistas só será percebida no dia que ao terminar nossa cena outros atores por instantes queiram parar de atuar.

É isso! decidimos a vida num segundo e por mais que passemos tempo planejando é o improviso que atrai as palmas!






 

03/03/2012

ALBERT NOBBS

Baseado em um conto do escritor George Moore

“A vida sem decência é insuportável”

Sabe aquela opinião recorrente de que todo filme, baseado numa obra literária, fica sempre devendo? 
Só por isso jamais  pensarei em ler o conto  de George Moore...  Albert Nobbs,  eis um filme que se fosse livro me levaria para a terapia. Nâo que eu acredite nesse  clichê de livro bom = filme no máximo razoável, mas vai que seja verdade, já que  “o  povo aumenta mas não inventa”? 
Saí da sessão visivelmente abatida e as boas companhias me livraram da depressão. Permaneci fustigada por uma curiosidade imensa: afinal o que vão as pessoas  buscar nas telonas? 
Diversão, não creio que apenas isso, há filmes impossíveis de divertir. 
Distração? Talvez, mas como fugir de um filme que insista em  fazer pensar? 
Bem, vá lá, pensar distrai!!! Os comentários sobre este filme estão tão técnicos, frios, não dão conta  que encontra-se muito mais que a inexistente surpresa  de  se tratar de uma personagem travestida.  E como a surpresa não mais existe e como todos já falaram bastante sobre o filme, sobra-me comentar sobre o filme que talvez só eu tenha visto...
                      
  
O Filme:
Albert Nobbs é uma mulher que desde a adolescência se veste de homem para conseguir trabalho, no contexto do filme ,  século XIX, cidade de Dublin, Irlanda trabalho não era sinônimo de emprego, mas de sobrevivência e dificuldades em  tempos para lá de bicudos mesmo para os homens.
O filme tem um andamento lento e é pontuado por silêncios no entanto, não há desperdícios de cenas todas são indispensáveis. As personagens são muito bem delineadas e podem nos trazer lembranças de algum conhecido real, daqueles que com certeza não gostaríamos de lembrar,  como o namorado explorador,  a “piriguete dissimulada”, a patroa  simpática e exploradora,  o homem desiludido, colegas de trabalhos bem intencionados e fofoqueiros...  

Passado numa época antiga, tem questões atuais. Com um pouquinho de atenção percebe-se  que a expectativa feminina não mudou muita coisa – um bom partido, precisa ter  “pegada”.  Logo no início tem uma cena que achei bem bacana, onde os hóspedes  do hotel chegando se organizando  lembram as cortes reais. 


Albert é uma figura entre curiosa, elegante, esquisita. Ele  é  um tímido e sua timidez uma arma, afinal, é preciso manter as pessoas  distantes e preservar o seu segredo. Aquela vidinha dele lembrou-me  a música do Belchior, “pequeno perfil de um cidadão comum”. Uma vida triste, um passado amargo e perturbador. Não fosse isso ele seria uma pessoa mais aberta, tagarela e atirada como Hubert Page (Janet McTeer), também mulher, travestida pela mesma questão da violência social de uma época em que as mulheres  eram um nada.
Hubert Page (Janet McTeer)
Janet McTeer com seu Hubert Page aparece praticamente de cara lavada, gestos amplos, muita roupa, seu rosto não exibe traços tão femininos  mas não me apareceu homem em nenhum momento. Glen Close, no seu disfarce, é o  total desprendimento da vaidade e Albert é  é o oposto de Hubert que descobre o seu segredo e que na união  pela desgraça, lhe desvia do estoicismo que até então lhe garantia a sobrevivência.

Albert Nobbs  sobrevive uma vida na qual espera a oportunidade de viver. 
Trabalha, dorme acorda, como o perfeito serviçal, doce mas sem sentimentos aparentes. Conhecer Hubert, o pintor de paredes contratado para um serviço no hotel onde mora e trabalha, foi uma  restiazinha de luz naquela alma solitária.

Fico a me perguntar se teria a mesma percepção do filme se não o assistisse no mês de comemoração e homenagens ás mulheres. 
A história deixa nas entrelinhas um ensinamento rudimentar: 
a sexualidade não tem tanto a ver com o modo como se vive ou se veste, mas a ausência dela sim. 
A esperança de felicidade, a luta por um objetivo que se acredita, trará felicidade traz consolo enquanto este sonho não é partilhado. 
É possível conviver com a melancolia, em paz com a timidez desde que não se conheça o amor. 
Sim,  o amor pode ser um tormento.
Glen Close e Mia Wasikowska  (Helen)
Albert vivia sonhando em ser feliz e para ter direito a este sonho, não precisava viver muitas coisas, conseguia economizar todos os seus centavos. 
Era pontual e focado. Até que um dia comeu do fruto do conhecimento, aquele mesmo que a serpente ofereceu ao casal, nossos ancestrais, primeiros habitantes do paraíso. E o moço que só tinha direito a um sonho futuro descobriu  algo que se chamou de amor e perdeu o sossego, aliás muito mais do que isso. 
E o querer era tanto que ele não mais via ou ouvia. 
Sua vestimenta e comportamentos masculinos, até então , ferramentas para a sobrevivência, poderiam ser até mesmo um caminho para uma felicidade romântica. 
Foi assim para Hubert, que abandonou o marido levando suas roupas (dele), cansada de tanto apanhar diariamente. Porque não seria para Albert, que escondeu sua feminilidade após ter sido violentada por vários “vizinhos” moradores de rua? Considerei emblemática a cena do passeio que o garçon e o pintor fazem na paria usando os vestidos Cathleen, quando Albert se reencontra com o lado feminino que escondeu durante mais de 30 anos. 
Aaron Johnson como Joe


 Uma grande questão da vida é se a felicidade sonhada será redenção, elevação ao paraíso ou a queda aos abismos do inferno. Como saber, se não vivendo, tentando, experimentando, arriscando? Não viemos à vida senão para nos expor aos riscos de viver.  

Glen Close carrega o filme, porque desperta em nós uma ternura que só os seres infelizes e inconscientes da sua infelicidade podem despertar. Nunca antes eu havia vistos os olhos da atriz tão comunicativos nos sorrisos que os lábios omitiam. Albert Nobbs me trouxe uma confirmação: “A VIDA SEM DECÊNCIA É INSUPORTÁVEL” e uma informação sobre cinema:  não basta um desempenho brilhante, é preciso uma personagem que brilhe e que na escassez de sorrisos, possa se expandir. Toda a dura e primorosa construção corporal para este Albert é em direção à contenção e silêncio e,  jamais um simples e tímido cidadão de Dublin poderia realmente vencer a imponente Dama de Ferro, emprestando uma exuberância à uma direção inexpressiva.

25/02/2012

Classificação do Grupo Especial 2012 Rio de Janeiro:


Grupo Especial é o grupo dito de elite das escolas de samba do Rio de Janeiro, isto para efeito de posicionamento dos turistas e foliões, porque quem é do samba sabe que o samba é uma elite por si só. 
  • São 12 escolas e o desfile é dividido em 2 dias, no domingo e na segunda-feira do carnaval. A a ordem de apresentação é designada por sorteio, com duas exceções: A Escola que subiu no ano anterior do Grupo de Acesso A, abre o desfile de domingo e última classificada (que obteve menos pontos no último concurso) abre o desfile da segunda-feira.
  • Neste ano de 2012, foram 13 escolas a desfilar, isto porque devido ao incêndio ocorrido nos barracões da Cidade do Samba bem perto do carnaval do ano passado, foi decidido que nenhuma escola desceria para o Grupo de Acesso A e apenas uma subiria para o Grupo Especial. Quem subiu no Carnaval 2011 foi a Renascer de Jacarepaguá e quem obteve menos pontos foi a São Clemente.
Classificação final do Grupo Especial:
1 – Unidos da Tijuca
2 – Salgueiro
3 – Vila Isabel
4 – Beija-Flor
5 – Grande Rio
6 – Portela
7 – Mangueira
8 – União da Ilha
9 – Mocidade
10 - Imperatriz
11 – São Clemente
  • 12 – Porto da Pedra
  • 13 – Renascer de Jacarepaguá
    Essas  duas  últimas escola desfilaram no Grupo de Acesso A em 2013
Blá Blá Blá de Samba
A Cidade do Samba é um complexo de barracões (galpões), com uma estrutura bem bacana, onde as escolas de samba do Grupo Especial constroem seu carnaval. Também tem arena  para shows que aconntecem durante o ano todo. Construção nova, oferece conforto para o trabalho das equipes de profissionais do carnaval, fica mais próximo ao sambódromo carioca que os antigos barracões para os quais o nome barracão era realmente mais apropriado no sentido literal da palavra.Quando uma escola desce para o grupo de Acesso A, ela precisa deixar este local para a escola que subiu, isso faz com que manter-se no grupo especial seja fundamental para o desfile do ano seguinte.Blá-blá de samba (só meu pitaco) :
  • Fiquei triste com a queda da renascer de Jacarepaguá para o Grupo de Acesso, por mim duas outras escolas mereciam mais este desprivilégio, mas também acho que não é nenhum drama, eu disse que mereciam mais, o que significa que disse  Renascer mereceria menos e não disse que não merecesse.
  • Não é segredo pra ninguém (até porque, quem se importaria?) que quando o Império Serrano não está no Grupo Especial minha torcida vai para a Portela e Salgueiro, ainda que esteja consciente que ultimamente a Portela não tenha apresentado desfile para o 1º lugar (daí o Salgueiro).  Uma coisa é gostar, e querer a outra é ter olhos para ver o desfile com fleuma...
  • Eu tenho escolas que me são extremamente queridas, não tenho grande antipatia por nenhuma, eu gosto de samba, gosto da vida com a galera do samba. Também não carrego preconceito, embora muitos digam que não, eu acho que rola um olhinho virado para as co-irmãs de outros municípios...
  • A Portela, este ano "vei que veio, véio! Mas comparativamente, para primeiro lugar,  tinha o espírito + garra + samba-enredo,  na parte material faltou umas coisinhas, né?
  • Outro ponto de blá-blá-blá foi a super-paradona  da super-campeã Mangueira...              Gosto da Mangueira,  porque gosto de samba. Gosto de Cartola, Cavaquinho, amo Beth Carvalho e gosto dos tons verde e rosa, embora não goste da cor verde...  Mas aí, se sou jurado, não acrescentaria nem uma fração de décimo por este recurso da paradona do Ivo Meirelles, por uma razão muito simples, se está definido que a bateria é a sustentação da escola, privar a escola dessa sustentação por tanto tempo, no meu tosco modo de ver,   equivale ao  retirar-se  as muletas de um deficiente físico pelo mesmo período de tempo. Claro,  que ao se manter de pé sem as muletas o aclamariam, mas o ato não deixaria de ser uma temeridade.
  • Criticam tanto o Paulo Barros por suas inovações... "samba não é teatro"...  E bateria toca,  bate, não é silêncio. Mestre André com a "paradinha" nos áureos tempos da Mocidade inovou e todo mundo achou bacana, já vios verdadeiras disputas entre as escolas nessas inserções (novidades) rítmicas - paradinha do funk etc e tal...  Qual é a diferença?
  • Em termos de rítmo o samba-enredo vem mudando tanto ou mais aceleradamente. Os versos diminuíram, os temas por algumas que$tões mudaram. Iih, e como mudaram! Coitado do Paulo Barros! Aliás, coitado, não, bem feito! Quem manda ser genial? Ou menos, ter esse bicho carpinteiro da novidade e da inovação? Às vezes me passa pela cabeça que ele é maior que a escola, no sentido que muita, muita gente quer ver o que ele vai trazer e não necessariamente a escola a desfilar... Quando ele se transferiu de agremiação todo mundo queria ver o que iria resultar e muita, muita gente boa torcia pra ele inventar algo que desse errado. Muitos continuam pensando assim até hoje que bom que estão errados ao torcer contra um talento.
  • Voltando à azul e branco de Madureira, quem faou muito bem foi a Eliane Faria, filha do Paulinho da Viola, nascida criada, respirada no samba ela postou no FB um pensamento muito parecido com o meu. Daí, transcrevo aqui:
" Tenho lido alguns comentários sobre a Portela e tenho pensado muito no assunto "concorrer". Vim no carro da Velha Guarda da Portela, pois já fiz vários shows com ela, já representei a Portela até na Dinamarca. Coisa que não interessa a imprensa. As pessoas têm que saber que Velha Guarda não é só a Show e sim todos que estão há mais 30 anos na Escola e por isso o carro vem com muita gente.
 Penso o quanto temos que amadurecer, evoluir e se atualizar diante do momento em que as outras Escolas evoluíram. Viemos bem, mas não para ganhar e sim para competir entre as seis. Isso foi cumprido. Mas temos que admitir que melhoramos muito e falta ainda muito para chegar lá. Já conquistamos ter um samba muito bom, melhoramos no acabamento, mas nenhum carnavalesco pode fazer mais do que se é mandado. Conheço o trabalho de Paulo Menezes e sei que colocou o máximo do que tinha em mãos.
 Na vida temos que aprender com os erros, se não o que mudará será para pior. Tenho certeza que iremos em 2013 vir para competir o 1° lugar.Sábado virei novamente no carro e feliz, cantando o melhor samba de 2012 e com samba no pé, coisa que pouco vemos na maioria das Escolas".   Eliane Faria -  https://www.facebook.com/eliane.faria1

Classificação do Grupo de Acesso A - 2012 Rio de Janeiro:

Para quem não sabe, grupo de Acesso é a designação do grupo no qual desfilam as escolas que não estão no Grupo Especial. Há algum tempo eram escolas menores, hoje o apuro dos desfiles elevaram tanto o nível do desfile, a disputa é tão acirrada, que temos no grupo de Acesso grandes escolas, em tamanho, tradição e que escreveram a história do nosso carnaval referências do Grupo Especial.

Classificação do Grupo de Acesso A 2012 Rio de Janeiro:
1 - Inocentes de Belford Roxo (299,6)
2 - Império Serrano (298,3)
3 - Império da Tijuca (298,3)
4 - Acadêmicos do Cubango (298)
5 - Unidos do Viradouro (297,8)
6 - Acadêmicos de Santa Cruz (297,3)
7 - Estácio de Sá (297,2)
8 - Acadêmicos da Rocinha (296,1)
*9 - Paraíso do Tuiutí (296)
Em 2013: Paraíso do Tuiuti e Acadêmicos da Rocinha desfilarão no Grupo de Acesso B; Porto da Pedra e Renascer de Jacarepaguá foram rebaixadas e virão para o Grupo de Acesso A . Inocentes de Belford Roxo, sobe para o Grupo Especial

Blá-blá de samba (Fada no Acesso) :

Ainda ferve a polêmica que envolve o resultado deste grupo. Notícias dão conta que notas de dois jurados não foram atribuídas à escola Acadêmicos do Cubango. Fatos como o presidente da escola vencedora ser também presidente da LESGA e de ter havido já no meio do ano passado comentários sobre a vitória certa da agremiação da Baixada, esquentam ainda mais os ânimos.

Os defensores da colocação da Inocentes de Belford Roxo se exaltam denunciando preconceito pela escola ser da Baixada Fluminense, ser uma escola pequena, não ter tradição no samba como Império Serrano, Viradouro e talz... Detratores do resultado apelam para o porte da escola, apontam para um desfile sem emoção... Isso é claro faz parte do processo competitivo e da paixão dos simpatizantes por esta ou aquela escola no entanto, o jornal O Dia noticiou que o rsultado pode ser modificado se comprovada fraude. Já é dito como certo o não cumprimento por parte da LESGA (que raio de nome feio!) do regulamento que previa o rebaixamento das duas últimas escolas na classificação, o que não ocorreu, motivo pelo qual o Município do Rio de Janeiro não reconheceria a vitóra da Inocentes de Belford Roxo. A LESGA foi descredenciada pela RIOTUR como mediadora e administradora do Grupo de Acesso B no dia 23/02/2012.
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Como carnaval e futebol são searas de opinões, a minha é que se não houve respeito  às normas estabelecidas que seja realmente apurado o resultado. Se houve sumiço de notas ou mapa como vem sendo denunciado, a providência cabível é realmente a modificação do resultado. O presidente de LESGA, alega que a entidade não rebaixou as duas últimas colocadas porque a Riotur não teria passado até o momento 10% da verba prometida às escolas. Birga de cachoro grande. Está a todo vapor a central de boatos pós-apuração-carnavalesca. O que eu vi na avenida foi, na minha opinião, 3 escolas que mereceriam as primeiras classificações:
Acadêmicos do Cubango (que é de Niterói), Acadêmicos de Santa Cruz, Império Serrano - não necessariamente nessa ordem.



17/02/2012

O ARTISTA

Não é um filme, é uma viagem. Portanto, prepare-se!
Todos que já fizeram uma viagem algum dia, por mais simples que seja, sabem da necessidade dos preparativos. Roupas, acessórios, utensílios, bagagem! Dicas, informações, roteiro, pesquisa prévia para que se possa aproveitar ao máximo uma estadia que poderá ser mínima. O prazer não é medido em tempo, mas em qualidade e essência. Assim, ao se decidir por assistir ao filme “O Artista”, prepare-se, pois é uma viagem, onde o trajeto não se dissocia da estadia.
Não sou uma pessoa do ramo, não sou crítica de cinema, não posso ser considerada uma cinéfila, sou uma consumidora habitual de cinema e propagadora das obras que assisto e gosto, posso dizer ainda que, qualquer ida a um cinema já é um prazer por si. Qualquer ida a uma sala de projeção com filme que consideremos ruim, é melhor que não ir. Conferir com os próprios olhos, exercer a própria opinião, desfrutar dos prazeres adjacentes do passeio.
Surpresa potencializada:
Vivo no Rio de Janeiro, cidade que há 10 dias já respira confete e serpentina, batucadas, animação, excitação, com extensa programação musical onde confusão, ritmo, batucada e barulho dão o tom acelerado dos nossos dias. Vivemos um mundo tecnológico, plugado de imagens, sons e animação - dados periféricos que podem ter influência neste filme que não se assiste, se degusta! Agregado a isso, não li uma única linha sequer de qualquer resenha sobre o filme, afinal nessas épocas sou uma criatura totalmente submersa no mundo da música. Ver o filme começando, foi como ser içada das profundezas do mundo sonoro e isto a princípio não foi confortável. Ler no cartaz que o filme tem 10 indicações para o Oscar, emprestou-me uma animação que empalideceu, logo ao fim dos créditos iniciais na tela. 


O Cinema:


O primeiro impacto, o rosto extremamente agradável do protagonista, sim ele é lindo, principalmente pela caracterização como astro dos anos 20. Fraque cartola, elegância, bigodinho fininho, cabelo engomadinho tudo impecavelmente asseado, bem passado, lustroso. Depois,  o contato com a maneira como se assistia filmes nessa época tão remota. Orquestra ao vivo, elenco atrás da cortina e sua aparição para saudar o público. Demorou um pouco pra ficha cair e entender esse cinema de época.


O Filme:

Mostrar o contexto da exibição das obras, foi o gancho que me “içou”, trazendo a minha atenção para o que a telona mostrava, muito mais que as expressões exageradas, onde os gestos precisavam mostrar aquilo que o cinema não oferecia: voz.

George Valentin (Jean Dujardin) é “o astro”, que leva milhares de fãs ao cinema, para ver filmes onde divide a cena com a sua esposa e o seu cão. Ele, George, é talentoso, bem humorado, vaidoso, autoconfiante, ególatra, orgulhoso, artista numa época em que os astros, se destacavam do restante da humanidade, ah, e tem as sombrancelhas mais expressivas do planeta! Ele conhece Peppy Miller (Bérénice Bejo), rende-se ao talento da moça e facilita-lhe a oportunidade. Rola um clima, mas ele é casado...  Quando o som começa a chegar ao cinema, ele é um dos que não acreditam na novidade.
A forma como o filme apresenta o paradigma que um ator de filme mudo não poderia adaptar-se à nova forma do cinema é sensível. A nova tecnologia convence ao próprio artista da sua incapacidade de se adaptar, de que ele faz parte de um passado que nem lembranças lhe deixaria. Ele surta quando percebe o esquecimento do público batendo-lhe a porta.


A oposição entre novo e velho, a apresentação do artista como um utensílio descartável dessa forma de arte, baseada no comércio, na industrialização. É realmente o início da cultura onde os estúdios ditam aquilo que o público gostará de ver.
Enquanto isso, Peppy deslancha, contratada pelo mesmo produtor de George,  Al Zimmer (John Goodman) ela tem a sorte de estar sempre no lugar certo, na hora certa. De ser tão nova quanto à novidade. Chega a ser poética a trajetória da estrela que sobe e do astro que decai. Peppy e George estão na mesma pista, em trajetórias opostas e não colidem, se encontram a partir do carinho e  respeito que jovem estrela tem para com o (ex)renomado astro. O filme tem personagens pungentes como o motorista interpretado por James Cromwell e o incrível cãozinho Uggie. Também tem humor e a decadência de George, nos toca mas não prenuncia tragédia. George, certo do seu talento e da inviabilidade dos filmes sonoros, investe pesado numa produção que contra ataque o inimigo novo, é abandonado pela mulher Dóris (Penelope Ann Miller) dona de um ciúme exagerado na mesma medida que as representações da época, é surpreendido pelo Crack da bolsa que deu origem à Depressão de 1929. Mas para não sucumbirmos a esses tantos dramas temos Uggie, o cão e a diversão da mulher de George em enfeiar suas fotos.

14/02/2012

Carnaval em Madureira



Fazia tempo, muito tempo que eu não vivia um carnaval tão de subúrbio, tão alegre que me deixasse tão feliz. Tão feliz fiquei que desisti de curar ressaca no Bloco da Preta. Preta Gil que me perdoe, mas não dava pra tirar a onda azul dos olhos. Passou sim um rio na minha vida!


Eu percebi que tudo ia ser muito bom demais já nos primeiros acordes daquela tarde quando um nome foi anunciado: Hermínio Belo de Carvalho. Logo tomou conta do ar uma música: "Pressentimento" (Hermínio Belo de Carvalho e Elton Medeiros). Pressenti, ali, que aquele momento marcaria minha memória por muito tempo, quem sabe, pra sempre. Esse é o meu samba preferido e que não se ouve pelas ruas nos carnavais. Pelo menos nos que posso lembrar.


Da concentração à dispersão, nenhum motivo pra falação. O Bloco foi irretocável! Tinha meninas bonitas à beça, tinha rapazes sarados aos montes. Tinha tipos folclóricos, tinha irreverência salpicada naquela tarde de tanto calor. Pessoas interessadas nas fotos, posando, pulando, sambando, rostos de todos os tipos dialogando com os meus cliques. Tinha famílias, muitas famílias! Crianças, jovens, idosos. Magros, negros, brancos, barrigudos. Tinha uma infinidade de amigos! Amigos antigos, amigos da hora, amigos de infância que acabara de conhecer. Ah, foi isso que sonharam quando inventaram o carnaval. Hum, é disso que falam quando chamam Madureira de capital do samba! Isso tudo é o que se percebe entre casa uma das letrinhas da palavra subúrbio! Música excelente, muita alegria.


Há poucos dias comentávamos, Ana Costa Bianca e eu que atualmente tínhamos muito bloco e pouco samba... Ali, essa observação cessou. "Monstros" do samba presentes, aqueles que vemos e sabemos, já transcenderam à categoria de pessoas e viraram entidades da nossa cultura, do nosso samba, do nosso carnaval. Monarco, Tia Surica, Marquinhos Sathan, Richah, Pau-li-nho da Vi-o-la e outros que minha mente atônita, agora gagueja pra lembrar.


Pena que foi um dia só e ficamos assim, já com saudade do carnaval antes que ele tenha começado. Todos os bons sambas de muitas boas escolas, sambas de embalo dos blocos de outrora e tudo tão presente que não deu saudade, deu vontade!!
Na praça, de bandana, Sr. Paulo da Portela assistia e também posava para fotos com seus novos jovens fãs.


Não faltou nada, tinha Noel esticado com orgulho na camisa rosa do jovem folião. Tinha frigideira em punho sonorizando a presença de uma imponente camisa da Mocidade.


Agora, tocava um samba do Silas de Oliveira, olhei pra cima e vi a placa emblematicamente nas cores azul, verde e branca que dizia:
Cascadura ->Madureira -> Império Serrano... Sim, não sou tricolor de coração, mas meu sangue se coloriu, minha alma sorriu.
Valeu Timoneiros! Quem me navegou foi esse mar de azul com detalhes em ouro velho.
Timoneiros da Viola em 12/02/2012

04/02/2012

Sirlei, Galdino, Vítor, Kleber, Rafael - Fábulas Urbanas

Tadeu foi localizado e preso na sexta-feira, dia 03/02/012. Rafael Zanini Maiolino, continua foragido

01/02/2012

MERCEDES e SEUS ANJOS

Ilustração de Luis Crepaldi no blog: http://luiscrpaldi.blog.terra.com.br

21/01/2012

A FONTE DAS MULHERES ("La source des femmes") de Radu Mihaileanu

Fui ver “A Fonte das Mulheres” embalada pela expectativa de assistir a uma comédia, no entanto,  é  um filme com momentos de humor e que bom, a abordagem no estilo de fábula agregado ao humor permite que se apreenda a história da comodidade e do machismo humano sem revolta, liberando  nossa capacidade de observação.
 SOCIEDADE                                                                                                                                             A verdade de que a injustiça só é realmente injusta quando nos atinge. O tabu da obrigatoriedade da mulher satisfazer o homem, ainda que ela não tenha orgasmo. A mudança nos papéis sociais que chegam  em caráter de emergência e tornam-se tradições com o respaldo daqueles que passam a se beneficiar. A história leva o nosso olhar para a importância da educação num contexto onde a manutenção da ignorância  de uma parte do povo passa a ser o interesse pela parte dominante, sem que necessariamente  os dominadores deixem de ser ignorantes criando um sistema de  exploração institucionalizada do ser humano, um ciclo que somente a coragem aliada ao preparo,  ao estudo é capaz de romper.
 HISTÓRIA
Então os homens iam às guerras para defender suas famílias, plantações e territórios e  as mulheres assumiram as funções das suas casas e aprenderam a viver sozinhas, executando trabalhos árduos.  Chega o dia em que não há mais inimigos para se combater e os homens cuidam das suas plantações e comércio, até que chega uma seca que se estende por anos, excluindo essas atividades masculinas da suas listas de tarefas, que são substituídas pelo ócio, fofoca, preguiça corrupção e suas necessidades de satisfação sexual.
Para se ter água na aldeia as mulheres sobem a uma distante fonte no alto de uma montanha, sob um sol de mata. Mesmo as grávidas são obrigadas a esta tarefa ainda que pesada, o que causa acidentes levando a ocorrência constante de abortos e claro, às mulheres que não conseguem ter seus filhos é atribuída a fama de incompetentes.  Por tantos afazeres importantes no grupo, é vedado às mulheres o direito de aprender a ler e escrever, elas nessa vida embrutecida com rotina dura, vão por acaso ter tempo de pensar nisso?
Além das atividades de rotina ainda compete a elas divertirem com seus cantos e danças os turistas que trazem divisas para sua cidade, divisas essas consumidas pela corrupção dos governantes que não cuidam da infra-estrutura das cidades para que o progresso não chegue, num raciocínio simples é explicado que tendo luz elétrica a mulher irá querer uma máquina de lavar, o que  acarretará uma conta alta par ao marido pagar e dará a ela tempo livre. Com o tempo livre, a mulher há de querer estudar se instruir e assim não será mais dócil e obediente. Simples assim. Algo de outro mundo? Não. 

FÁBULA:
Leila é estrangeira casada por amor com um professor e tem uma sogra digna das bruxas dos contos de fadas, perde um bebê por causa de um tombo a caminho da fonte e precisa conviver com a felicidade de outra mulher que acaba de dar à luz um filho homem. Diante de tanta opressão e trabalheira, restam a essas mulheres o único poder que lhes resta, o sexo e partem para uma greve de amor. E é de amor que nos fala esse filme, o amor, único instrumento capaz de mudar tradições  impostas justamente por  falta dele. Também fala do quanto mulheres podem ser insensíveis às parceiras de infortúnio, do tabu da virgindade, dos casamentos tratados pelas famílias, das interpretações convenientes dos dogmas religiosos, da influência das autoridades religiosas nas vidas das pessoas e na administração do Estado. Da ausência do poder de decisão das mulheres nas questões intrinsicamente femininas.

O FILME
Rodado no Marrocos, representando uma aldeia  num ponto remoto do  Oriente Médio, é inspirado numa história real acontecida na Turquia em 2001 e faz alusão à peça "Lisístrata", de Aristófanes  que por sua vez inspirou Chico Buarque e Augusto Boal a compor a canção  "Mulheres de Atenas".
Tem um elenco que mistura rostos de atores conhecidos com atores que não conhecemos,  falado em árabe fortalece a carga de drama e empresta textura às piadas nos Sá a sensação de que tudo isso foi há muito tempo, muito tempo num lugar muito distante de nós...

A Fonte das Mulheres vendeu meio milhão de ingressos na França em apenas um mês e foi indicado à Palma de Ouro no último Festival de Cannes, tudo dentro  da trajetória  de sucessos  do diretor, judeu romeno Radu Mihaileanu: "O concerto" (2009) e  "Trem da vida" (1998). É um filme com uma fotografia linda, belezas exóticas, uma trilha sonora usada como recurso a se admirar uma cultura da qual nos mostra aspectos críticos e performances excelentes.

Ficha técnica:

A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes) – 135 min
Bélgica, Itália, França – 2011
Direção: Radu Mihaileanu
Roteiro: Alain-Michel Blanc 
Elenco: Leila Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Saleh Bakri, Sabrina Ouazani, Hiam Abbass, Mohamed Majd
Estreia: 20 de janeiro 

06/01/2012

LENDO MARTHA MEDEIROS - Aristogatos

 Ganhei de presente um livro da Martha Medeiros!As primeiras crônicas não me animaram (que os fanáticos me perdoem a heresia).Abri, então, aleatoriamente o livro e como num passe de mágica, já não era a Martha que estava lá, mas alguém muito parecido comigo (pisei na linha do fantismo, com gosto!)Verdade que sempre amei animais, a vida inteira possuí bichos, ops, amigos de estimação. Gatos eram default na casa que vivi com a família em Jacarepaguá, cachorros eram obrigatórios e até mesmo os opcionais passarinhos cantavam aparentemente felizes nas suas gaiolas que minha avó mudava de local a cada período do dia (sempre achei que os pobrezinhos de penas, choravam e reclamavam naquilo que parecia para nós cantoria, no entanto à aproximação dos gatos a mudança nos seus vibratos me provaram que talvez não fosse bem assim). Enfim, a questão não é a história pessoal da escritora com seus bichanos, mas as conclusões...
                            ARISTOGATOS
          Nunca imaginei ter um bicho de estimação por uma questão de ordem prática: moro em apartamento, sempre morei. E se morasse em casa, escolheria um cachorro. Logo, nunca considerei a hipótese de ter um gato, fosse no térreo ou no décimo andar. Quando me falavam em gato, eu recorria a todos os chavões pra encerrar o assunto: gato é um animal frio, não interage, a troco de quê ter um enfeite de quatro patas circulando pela casa?
         Hoje, dona apaixonada de um gato de 5 meses (e morando no décimo andar), já consigo responder essa pergunta pegando emprestada uma frase de um tal Wesley Bates: "Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato". Boa, Wesley, seja você quem for.Gato é a manifestação soberana da  elegância, é uma obra de arte em movimento. E se levarmos em consideração que a elegância anda perdendo de 10 x 0 para a vulgaridade, está aí um bom motivo para ter um bichano aninhado entre as almofadas.
         Só que encasquetei de buscar argumentos ainda mais conclusivos. Por que, afinal, eu me encantei de tal modo por um felino? Comecei a ler outras frases irônicas e aparentemente pouco elogiosas. Mark Twain disse que gatos são inteligentes: aprendem qualquer crime com facilidade. Francis Galton disse que o gato é antissocial. Rob Kopack disse que se eles pudessem falar, mentiriam para nós. Saki disse que o gato é doméstico só até onde convém aos seus interesses. Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?

         Ser dona de um cachorro deve ser sensacional. Lealdade, companheirismo, reciprocidade, eu sei, eu sei, eu vi o filme do Marley. Cão é boa gente. Só que o meu cachorro preferido no cinema nunca foi da estirpe de um Marley. Era o Vagabundo, sabe aquele do desenho animado? O que reparte com a Dama um fio de macarrão, ambos mastigam, um de cada lado, e mastigam, mastigam até que (suspiro... a emoção impede que eu continue). Eu trocaria todos os príncipes loiros e bem comportados da Branca de Neve e da Cinderela pelo livre e irreverente Vagabundo, que foi o personagem fetiche da minha infância. E lembrando dele agora, consigo entender a razão:aquele malandro tinha alma de gato.

         Imagino que, com essa crônica, eu esteja revelando o lado menos nobre do meu ser. Pareço tão sensata, tão bem resolvida, tão madura - quá! - tenho outra por dentro. Que vergonha.Levei mais de 40 anos para me dar conta de que não faço questão de uma criatura que me siga, que me agrade, que me idolatre, que me atenda imediatamente ao ser chamado, que me convide pra passear com ele todo dia. Sendo charmoso, na dele e possuindo ao menos alguma condescendência comigo, tem jogo.

         Cristo, um simples gato me fez descobrir que sou mulher de bandido.

O Primeiro e o Último ou Faça-me Feliz(Fais-moi plaisir! ) e Dzi Croquettes

Claudio e Leomara - Recordação de
 férias p/ o meu amigo de longe
O último filme que vi em 2011 foi "Faça-me Feliz" ( Fais-moi plaisir! ) do diretor  Emmanuel Mouret,  que também atua e, muitíssimo bem por sinal! Filme leve divertido, ri muita coisa e pelos trailers apresentados nesta sessão,  percebi que o cinema francês está com tudo e que a gente anda muito atrasado, pois  Fais-moi plaisir! esteve na 33ª Mostra Internacional de Cinema - São Paulo International Film Festival (20 out - 05 nov 2009)... Quase 2 anos depois, finalmente fizeram-nos felizes e rimos bastante, isso é o que importa... 
Depois da sessão parada no Odorico completamente lotado e como estávamos felizes, até mesmo o que aborreceria foi motivo de risadas, afinal era dia 29, a última quinta-feira do ano! Odorico é um barzinho bem legal com tempero de restaurante e tem a garçonete mais delicada do mundo!!! Viva a amizade que fazemos nas condições mais improváveis! Bons amigos, boa comida, bom filme, o que mais poderíamos querer???

03/01/2012

Martha Medeiros no Natal


Neste natal ganhei um livro da Martha Medeiros. Um livro para se destacar no meu universo 'marthamedeiriano' de livros de bolso. Um livro tamanho normal (ou seria natural?) que até coube com facilidade na minha bolsa - como se fosse difícil, isso. O tamanho da minha bolsa às vezes me faz crer que caberia até mesmo um  edifício desde que  tivesse  apenas 3 andares....
Louvo o presente, afinal até aqui tenho comprado no jornaleiro sempre a R$10,00. Orgulho-me de conseguir a dez reais coisas que não tem preço... Mas o que nos é caro fica especial quando sabemos, foi mais caro!
Em algum link muito remoto deste blog ainda tem minha história com Martha, não é tão antiga, mas remonta uma época que eu não tinha juízo o suficiente para  deixar de lhe escrever um e-mail feliz por ter descoberto que ela não era a patricinha chatinha que eu supunha mesmo antes de ler seus livros. Foi na aventura da leitura que descobri isso, aliás descobri a vida e até a mim mesma em aventuras similares.
Ler sempre foi minha terapia, embora os livros não fossem meu terapeuta - que isso eu tive a vida inteira,  mas sinceros amigos! Ah, penso eu tenho poucos raros amigos e muitos livros não raros mas não menos amigos!
Voltando ao natal, foi com alegria que recebi este valioso presente, entre feliz e desconcertada pela ruptura da dinastia Fernanda Young e Clarice Lispector.


Confesso que o hábito de ler crônicas, muitas vezes me faz pensar se não é uma certa preguiça de encarar romances, me acalmo com a autojustificativa que crônicas não fazem sofrer  pela ansiedade de deixar as personagens esperando por mim quando a condução chega ao destino, além de ser uma evolução, afinal na adolescência preferia a poesia só porque eram mais curtas... Rio de mim mesma ao lembrar que o costume de ler livros me chegou na infância quando achava que causava uma impressão muito melhor carregando livros do que gibis, consumadora voraz que era de qualquer quadrinho que pudesse conseguir. É fato que o colorido me atraíam mais e os divertidos eram os preferidos. Martha Medeiros ensinou-me a rir de mim mesma e até a gargalhar ao descobrir que eu não seria a única mulher séria capaz de tolices e espantos diante de um mundo que jamais deixa de superar-se na arte de nos deixar boquiabertos. Além do mais, para ser séria não é preciso deixar de sorrir.
Enfim, é um bom livro, maior do que aqueles que costumo portar, tão leve quanto e seu diferencial é ter páginas dóceis que se abrem diretamente nas crônicas que assinalo  como as minhas preferidas. Deve ter algum dispositivo para nos impedir de desistir.

Surpresa: é o seu lançamento mais recente e já está na vigésima primeira edição! Fico feliz quando percebo esses detalhes, afinal sou do tempo em que o Brasil era um país onde ninguém lia. E atualmente vivo de forma que os amigos percebem que passei de Clarice para Martha e o meu telefone ainda toca com pessoas querendo saber se eu li "aquela da Martha que dizia que mulher gosta de cafajeste".
Como sempre digo, ler é viver! E falar de livros é bem melhor do que atender telefonema de amigas curiosas justamente com aquilo que não gostaria de responder...