28 de mai de 2008

O ENCONTRO


Aquele tempo que não existe, que parece tão longo que jamais existirá...
Tenho a sensação de que sempre estive por aqui, que existi a minha vida inteira.Que não passei, que jamais passarei. Às vezes as lembranças de infância são recentes, outras me trazem a surpresa de uma foto antiga encontrada numa dobra da minha alma.
Lembranças são doces quando não mais trazem dor...
Minha mãe, meus cães, meus gatos, todos, tantos que se foram, que partiram como quem vai ali e volta já. Deixando a espera de um encontro pré-agendado, mal marcado...Colegas de escola, profesoras antigas, todos que não envelheceram, ficaram presos na fita da minha vida como personagens num filme que vi e se não lembro sempre, jamais esqueci.
Os quintais e varais, as árvores e as frutas, o caminho da escola, a poeira fina de barro vermelho, o assobio do vento, o cheiro de eucalipto e os pássaros que amanheceram e entardeceram enquanto eu não me via crescer. Cenários que doem porque não existem mais. Como salvaremos a Amazônia se não cuidamos dos nosso quintais? Tudo cenários de um filme antigo com a única cópia a passar na minha lembrança

Eu tive um amigo e ele era virtual. Bonito e alegre vivia a me convidar para passeios, para shows que eu nunca ia, atravessava um longo momento de uma simples situação complicada na minha vida. Ele ia e vinha, jamais deixou de dar notícias.Ríamos dos desencontros e não encontros dos seus motivos e a ausência estreitava os laços entre scraps e e-mails. Eu jamais deixei de pensar que nos encontraríamos um dia quando a soma T+D=OK.
Parecia que ele sempre estaria lá, parecia que eu sempre estaria aqui e um dia estaríamos em algum lugar...
Hoje estive na Igreja de Santo Afonso, na Tijuca, numa missa das 18 horas. Era para aquela alma alegre e delicada. Simples e educada. Creio que dedicada como um pisciano de verdade. Tudo embalado por um rosto que eu via no orkut sempre sorrindo e às vezes enviando e-mail dizendo que estaria off...
Linda homilia pregada por um padre nomeado bispo. Linda igreja, tinha incenso, canções, comunhão mas não foi assim que planejamos. Dessa vez eu estava presente e suponho ele também, mas não era esse exatamente o lugar. Disse o padre que os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Mas e aqueles que não sendo terminam or ser?. Eu estava na missa e procurava por ele nalguma parte e pensei que algumas missas para lgumas pessoas deveriam ser rezadas num bar, relizadas num teatro, comungadas num cinema... Como salvaremos nossas almas, se não preservamos nosso pensamento?

Para Cilmar

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