17 de out de 2009

CULTURA

Quando escrevi o post aí debaixo, era julho. Eu não tinha visto a "Noviça Rebelde", nem queria ver. Estava caro, era longe e eu não gosto de musicais! Certas coisas estão escritas e podem mudar todo o curso de uma vida. Em outubro, ganhamos 30 ingressos para levar as crianças dos hospitais onde atuamos para ver. Lembramos também das crianças da Casa Ronald, mas como tudo estava muito em cima da hora, elas já tinham outros planos para o Dia da Criança, embora este fosse o mais interessante, poisa não é todo dia que crianças sem saúde e muitas vezes com pais sem grana (uma coisa normalmente leva a outra) podem ir a um teatro estalando de novo, ver uma super produção que atravessa os tempos totalmente indiferente a qualquer linguagem moderninha.
Assim, juntei as crianças possíveis e lá fomos ver a "Noviça" que se recusa a envelhecer mantendo-se rebelde, que eu tinha na minha memória como Julie Andrews na sessão da tarde, da tv da minha antiga casa com uma imagem pequena e desbotada. Então, acontece um espetáculo dentro de outro, na porta a expectativa de receber crianças que chegam com olhos acesos,ávidas pela novidade, dar prazer, levar alegria é realmente tão gratificante quanto ter quem nos faça feliz. No teatro, o milagre 2, achei a peça divertida, muito superior ao filme e as crianças estavam em êxtase. Muitos pais ainda mais maravilhados do que os filhos. Você sabia que tem pessoas com mais de 20,30 anos que nunca pisaram num teatro? Pensar nisso dói. Coisas que não se faz por gosto, coisas que não se faz por total impossibilidade, mas se não tiver a chama transmitida de um olhar pra outro, a alma permanece às escuras. De certa forma essas crianças que tiveram um programa, terão mais sede e poderão buscar oportunidades para chegar em lugares que até então não sabiam existir, mas antes elas precisam sobreviver à doença e as condições adversas que embaçam as possiblidades de cura... E depois combater a ignorância dos que querendo acertar, acabam por errar, por nunca terem tido não sabem o quanto podem fazer falta...
Cultura é assim: Perceber que o que está flutuando inquieto dentro de você está sendo realizado por alguem em algum lugar. Só é bom quando podemos participar, do contrario, invejamos e menosprezamos aquilo poderia nos salvar.

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