25 de jun de 2010

Tudo Pode dar certo






Woody Allen envelheceu ou melhor, continua velho. Existem coisas que só o tempo pode nos dar. A idade nos permite certas regalias que na juventude são impensáveis. Woody Allen é assim, parece que nasceu velho e por isso critica com o desprendimento de quem não pertence a raça humana. É certo que aquela criatura rabugenta que descrê de Deus e de si mesmo é o próprio Woody. O filme  “Tudo pode Dar Certo” foi escrito há 30 anos, logo Woody há 3 décadas, já era “deus”, dono de uma rabugice bem humorada e não acreditava mais na humanidade. Ele ostenta um invejável currículo com 44 filmes, invejáveis elogios e também invejáveis críticas, afinal quem com a crítica fere, com ela será criticado. O que filme tem um título otimista de mais diante do original Whatever Works” é uma aula de deboches e sarcasmos de, boas atuações e ótimas piadas.
Boris quando não está reclamando da vida e conclamando os amigos a entender que tudo está errado e que a vida não presta ou atormentando e torturando os seus alunos de xadrez, dá-se a chance de amar, uma criaturinha estúpida cuja beleza ele vai percebendo no dia-a-dia. No início do filme ele termina um casamento  desgastado pelo excesso de possibilidades de dar certo, plausível então, tentar o relacionamento com aquela que teoricamente não oferece a menor possibilidade.

Tem a mulher interiorana (Patrícia Clarkson)  de meia-idade repressora e reprimida, exercitando os anos 70, que ao descobrir-se artista passa a viver de arte e conviver num casamento triplo. Tem a constatação que muitos são religiosos e membros do clube do rifle, no filme representados por (Ed Begley) por pura falta de coragem de buscar coisas melhores para fazer.
Sim, existe possibilidade de felicidade no mundo, numa grande cidade, o que não existe são cérebros inteligentes com funcionamento perfeito, pois isso é prerrogativa exclusiva do bom e velho Boris que ainda assim, ao final do filme questiona se ainda haveriam espectadores na platéia a assisti-lo. Sim, Boris ficamos aqui, afinal nunca a infidelidade, e morte, a dor e transtornos psíquicos foram tão divertidos.
Se eu tivesse que dar nota para este filme, daria 8 pelo conjunto da obra, mas pelos risos que me provocou, certamente  seria 10... É bom poder rir daquilo que jamais deveríamos ser.
A grande pergunta que me faço: teria Woody Allen, algum dia lido Machado de Assis?

Título original: Whatever Works
Gênero: Comédia, Romance
Direção e Roteiro: 
Woody AllenElenco:Larry David (Boris Yellnikoff), Evan Rachel Wood (Melodie Celestine), Patricia  Clarkson (Marietta), Henry Cavill (Randy James





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