11 de jul de 2008



Assim como um som nos transporta, uma palavra nos leva - a arte nos conduz, ela tem este poder.A arte nos condiz, temos esse dever. Assim, um filme pode nos direcionar, nos mostrar um caminho, nos trazer o que nunca poderíamos antes supor.

Dentro de um trajeto eu fiz uma viagem (característica psiciana) levada pelo som, pela palavra, por um título e, estacionei num filme, que não me importa o que possam dizer, foi de certo modo definitivo pra mim.

Há tempos, todos os dias pela manhã eu descia a Niemeyer. Num dia desses que não marcamos no calendário, era uma manhã acesa daquelas de verão que nos prometia um dia claro, iluminado, abrasador. Para ir ao trabalho eu, com muito orgulho, passava por vários cartões postais. Sempre achei que nada pudesse resistir ao visual Jacarepaguá-Barra-Orla-Aterro-Marina-da-Glória num dia que prometesse sol!

Nessa manhã eu sonhava e nem acreditava que aquela paisagem era minha e ali, descendo a Niemeyer mar de um lado mato do outro, ouvi pela primeira vez a música "Futuros Amantes". Amei tudo porque amo tudo que Chico Buarque pensa em fazer. Mas o que me impressionou foi encontrar na letra as palavras "os escafandristas" com artigo definido e tudo. Sim, como alguem consegue colocar tal palavra dentro de um música tão suave? E de tantas outras composições essa tornou-se a minha preferida.

Isso já faz tempo. Muito tempo e paisagens depois, vejo o título "O Escafandro e a Borboleta". E fiquei imaginando, escafandro, aquela coisa feia, que nos empresta um ar alienígena. Uma forma de respirar, de sobreviver, de assistir imóvel as cenas molhadas de um fundo de oceano. Ou paralisa-se e respira-se ou liberta-se e afoga-se e borboleta, ah todo mundo sabe o que é uma borboleta e todo mundo sabe que existem caçadores de borboletas! Mas ainda assim, borboleta é leve, é vôo é beleza. Esse era o filme, essa era a minha cabeça ao ver o filme.

Nada mais quis saber a respeito, nem quando me disseram que o filme era pesado, denso e tenso nem quando me disseram que era ótimo. Algumas vezes só o nosso olhar pode definir, concluir, saber.

E por ver, concluí, que a simplicidade pode ser a salvação. Ter rotina pode ser bom. Ser disciplinado faz bem. Hoje, não tenho mais tantas paisagens, não consigo ser fiel a um planejamento,minhas agendas só têm anotações até o mes de março. Não sou o que possa se chamar de irresponsável, muito pelo contrário, mas alguma coisa em mim resite ao pré estabelecido... Mas eu sei que todas essas caretices, podem (e devem) ser úteis e representar a salvação.

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