4 de jan de 2012

Martha Medeiros no Natal


Neste natal ganhei um livro da Martha Medeiros. Um livro para se destacar no meu universo 'marthamedeiriano' de livros de bolso. Um livro tamanho normal (ou seria natural?) que até coube com facilidade na minha bolsa - como se fosse difícil, isso. O tamanho da minha bolsa às vezes me faz crer que caberia até mesmo um  edifício desde que  tivesse  apenas 3 andares....
Louvo o presente, afinal até aqui tenho comprado no jornaleiro sempre a R$10,00. Orgulho-me de conseguir a dez reais coisas que não tem preço... Mas o que nos é caro fica especial quando sabemos, foi mais caro!
Em algum link muito remoto deste blog ainda tem minha história com Martha, não é tão antiga, mas remonta uma época que eu não tinha juízo o suficiente para  deixar de lhe escrever um e-mail feliz por ter descoberto que ela não era a patricinha chatinha que eu supunha mesmo antes de ler seus livros. Foi na aventura da leitura que descobri isso, aliás descobri a vida e até a mim mesma em aventuras similares.
Ler sempre foi minha terapia, embora os livros não fossem meu terapeuta - que isso eu tive a vida inteira,  mas sinceros amigos! Ah, penso eu tenho poucos raros amigos e muitos livros não raros mas não menos amigos!
Voltando ao natal, foi com alegria que recebi este valioso presente, entre feliz e desconcertada pela ruptura da dinastia Fernanda Young e Clarice Lispector.


Confesso que o hábito de ler crônicas, muitas vezes me faz pensar se não é uma certa preguiça de encarar romances, me acalmo com a autojustificativa que crônicas não fazem sofrer  pela ansiedade de deixar as personagens esperando por mim quando a condução chega ao destino, além de ser uma evolução, afinal na adolescência preferia a poesia só porque eram mais curtas... Rio de mim mesma ao lembrar que o costume de ler livros me chegou na infância quando achava que causava uma impressão muito melhor carregando livros do que gibis, consumadora voraz que era de qualquer quadrinho que pudesse conseguir. É fato que o colorido me atraíam mais e os divertidos eram os preferidos. Martha Medeiros ensinou-me a rir de mim mesma e até a gargalhar ao descobrir que eu não seria a única mulher séria capaz de tolices e espantos diante de um mundo que jamais deixa de superar-se na arte de nos deixar boquiabertos. Além do mais, para ser séria não é preciso deixar de sorrir.
Enfim, é um bom livro, maior do que aqueles que costumo portar, tão leve quanto e seu diferencial é ter páginas dóceis que se abrem diretamente nas crônicas que assinalo  como as minhas preferidas. Deve ter algum dispositivo para nos impedir de desistir.

Surpresa: é o seu lançamento mais recente e já está na vigésima primeira edição! Fico feliz quando percebo esses detalhes, afinal sou do tempo em que o Brasil era um país onde ninguém lia. E atualmente vivo de forma que os amigos percebem que passei de Clarice para Martha e o meu telefone ainda toca com pessoas querendo saber se eu li "aquela da Martha que dizia que mulher gosta de cafajeste".
Como sempre digo, ler é viver! E falar de livros é bem melhor do que atender telefonema de amigas curiosas justamente com aquilo que não gostaria de responder...

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